08 de julho de 2026

‘Hora de atitude mais séria’


| Tempo de leitura: 3 min

Realmente é muito triste estarmos vendo essas coisas acontecendo em varios segmentos da sociedade e nada ter sido feito. Os pais ficam de pés e mãos atados, pois muitas vezes são membros efetivos das paróquias e por isso confiam nas autoridades eclesiásticas. Penso que seria o momento das denominações religiosas tomarem atitudes mais sérias e não tranferir de um lugar para outro. Se essas pessoas fossem destituídas da função, muitos transtornos teriam sido evitados. Nunca ouvi falar de que um sacerdote fosse punido ou destituído pelas autoridades superiores a eles. É lamentavel vivermos em um País onde as leis só funcionam para alguns e não para todos. Temos acompanhado nos noticiários pedófilos sendo presos e condenados mas na vida da igreja o mesmo não acontece. Por que será? Espero que os pais fiquem mais atentos e não confiem seus filhos a ninguém e também não os deixem sem muita orientação nesta direção. Caso os garotos fossem orientados e confiassem nos pais, logo que fossem assediados correriam e lhes contariam. Quando a sociedade deixar de fingir que essa situação não existe e tomar uma decisão de cobrar uma ação firme das autoridades. Mesmo com a possibilidade da igreja ser esvaziada, os fiéis têm que tomar uma atitude e tornar a instituição livre de suspeitas, retomando a sua função de cuidadora dos filhos das comunidades.
Maria Aparecida
Franca - SP

*****

É estarrecedor o desenrolar desse caso, à medida que vamos tomando conhecimento de quantas pessoas souberam das denúncias e simplesmente se calaram. Quando o padre Ovídio diz que não deu credibilidade ao desatino de um jovem humilhado em sua dignidade e que achou que não passava de “coisa de moleque” ele dá um tapa na cara da comunidade católica francana. Eu não esperava jamais tal postura de um sacerdote que há anos está à frente da Pastoral do Menor, responsável pela vida de tantas crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social. Postura inaceitável também foi a dessa dona Margarida, que pura e simplesmente decidiu que não queria se envolver. Será possível que essa criatura tem filhos? Preferiria ela também não se envolver se um filho seu a procurasse para narrar tal situação? Quando ela afirma: “não imaginei que ganharia essa proporção”, o que exatamente quer dizer com isso? Está insinuando que, supondo que os abusos do padre tenham ocorrido, seriam toleráveis desde que não viessem a público? Ainda que venha a se provar a inocência do padre Dé, esse caso não poderia passar incólume na medida em que revela um grau de hipocrisia inimaginável e o corporativismo com que os membros da igreja – clérigos ou leigos – se protegem ante qualquer ameaça ao prestígio dos sacerdotes. Repito: é estarrecedor. Sequer consigo crer que o Dom Pedro não tivesse conhecimento das denúncias. Acho plausível que ele tenha chegado a Franca completamente a par do que ocorria. A experiência que tenho como ex-seminarista católico me faz acreditar que essa é mais uma das histórias que corre por meses a fio nos bastidores da Igreja e que por lá “morreriam” não fosse a coragem de uns poucos para denunciar.
Ronaldo Pereira da Silva
Franca - SP