“Para mim ele é santo”. A frase dita com emoção é da dona de casa Leni Fernandes Rodrigues, 54, assídua frequentadora do Cemitério “São João Batista”. Mais de uma vez por semana ela visita o túmulo onde estão os restos mortais do médium Chico Xavier e afirma ser o local a sua fonte de forças para continuar viva após a morte da filha de 25 anos e da neta de 10 dias, ocorridas há dois anos. A “beatificação” do espírita é compartilhada pela amiga dela Sebastiana de Jesus, 55.
Encontramos as duas em uma sexta-feira, ao meio-dia, sol a pino, fazendo orações de frente para as esculturas do médium que compõem o jazigo. Em uma delas, Chico está reproduzido psicografando. A outra é um busto de bronze.
Emocionada, com a mão em uma das estátuas, Leni conta as ajudas que teria recebido do médium enquanto vivo e também depois de morto. “Ele era muito bom. Muitas vezes visitou a casa da minha mãe na véspera de Natal, levando algum presente. Era costume dele fazer isso. Uma vez, há uns 20 anos, sem dizer nada, entregou a maior nota de dinheiro que existia na época para minha irmã que estava passando por muitas dificuldades. Ela tinha acabado de ser abandonada pelo marido com cinco filhos pequenos. Como explicar isso, sendo que ninguém tinha falado nada para ele?”, indaga-se a dona de casa.
Mas ela conta que a ajuda do médium para ela veio, sobretudo, depois de sua morte. “Perdi muita coisa na vida, sofri muito. Mas nada se compara à perda da minha filha de 25 anos. Ela teve um parto difícil, a bebê nasceu e ela morreu. Dez dias depois, minha netinha estava também sendo enterrada, aos pés da mãe”, afirma chorando. “Venho aqui e imploro para o Chico cuidar delas e me ajudar e tenho certeza que ele faz isso. Venho aqui e volto renovada”, diz Leni, após cumprir sua rotina de visitar o túmulo da família e depois o do Chico.