Querendo um sorriso mais claro, com dentes brancos e bonitos, a estudante Ingrid Gonçalves, 20, procurou um dentista em busca de um clareamento dentário. E conseguiu. Depois de duas semanas, os efeitos decorrentes principalmente do consumo de cafés, refrigerantes e sucos desapareceram. O perfil de Ingrid é parecido com o da maioria das pessoas que chegam ao consultório do dentista Rodolfo Henrique Paganucci Rúbio, 25, em busca do serviço. Além disso, enquadra-se na predominância dos pacientes da dentista Úrsula Maria Rodrigues, 28, que afirma que o procedimento de clareamento dentário é comum nos consultórios odontológicos.
No de Rúbio, 70% dos pacientes que procuram o clareamento são mulheres com idade entre 20 e 40 anos. No de Úrsula, predominam pacientes entre 15 e 50 anos. Os motivos vão desde estar no auge da beleza estética para um encontro especial, até sair com o sorriso mais reluzente no álbum de casamento. "Eu quis clarear os meus dentes para a minha formatura do ensino médio. Acho que herdei um tom amarelado do meu pai e também bebo muito café, muita Coca-cola e, quando era criança, tomava muito suco em pó", afirmou Ingrid.
A estudante julga que seus dentes estavam muito escuros, mas não precisa estar com uma tonalidade específica para se submeter à técnica. Indolor, rápido e relativamente acessível, o tratamento pode ser feito no consultório ou em casa. O resultado é que vai variar.
Rúbio afirma que, da mesma forma que todos têm cores diferentes de cabelo e pele, as pessoas também têm colorações diferentes nos dentes. "Existe uma escala, codificada por letras (A, B, C e D) e números (do 1 ao 4) na qual as letras indicam a coloração, por exemplo, 'A' são dentes mais amarelados, 'B' mais brancos, 'C' mais acinzentados, 'D' mais marrom. O número 1 é mais claro e o 4 o mais escuro. Por exemplo: se uma pessoa nasce 'A3', com o clareamento, consegue chegar ao 'A1'".
Úrsula explica que o escurecimento dos dentes pode decorrer de fatores internos (intrínsecos) ou externos (extrínsecos). "As descolorações intrínsecas têm os pigmentos incorporados na estrutura dental. São profundas e necessitam do tratamento específico de clareamento. Podem ser adquiridas durante a vida ou ser congênitas", afirmou a dentista citando, entre outros fatores, o uso de antibióticos como a tetraciclina e traumatismos.
Embora a genética e outras razões tenham forte influência na estrutura interna dos dentes, tendo como consequência dentes com aspecto escurecido, a cor pode não ser tão clara por fatores externos também. "Os fatores extrínsecos são, geralmente, causados pela ingestão exagerada de alimentos e substâncias que contenham corantes fortes". Tudo isso ganha mais amplitude quando seguido de má escovação.
O PROCEDIMENTO
O clareamento dentário é uma resposta que a medicina dentária consegue dar com resultados satisfatórios e nível de segurança elevado para quem não está satisfeito com a cor do sorriso. "Temos procedimentos para o clareamento interno e para o externo. Este último é mais comum e se faz no consultório ou em casa. O que muda é a concentração do gel utilizado. No consultório, fazemos até três aplicações em um dia, mas pode ser feita até sete, depende do caso.
Em casa, a pessoa usa uma moldura com o gel durante parte do dia, de sete a 14 dias, o resultado é equivalente", disse Rubio, afirmando que o procedimento caseiro é mais acessível, custando a partir de R$ 180 ou R$ 200. "Mas é complicado afirmar o preço porque depende de uma avaliação", diz. O procedimento em consultório custa em média, ainda segundo Rubio, R$ 400 a sessão com três aplicações.
Como tratamento preventivo, Úrsula indica o consumo moderado de alimentos com corante, a boa higienização diária e principalmente não fumar. "Nas farmácias e drogarias também encontramos produtos que ajudam a prevenir escurecimentos extrínsecos", afirmou.