O pedreiro Almier Modesto de Oliveira conhece a realidade de uma cadeia. Ele foi preso em março do ano passado por roubo e passou cinco meses encarcerado. Três deles foram na Penitenciária de Serra Azul (SP). Atualmente, ele está em liberdade condicional. Em entrevista ao Comércio, na noite de ontem, Almier confessou a autoria do roubo do veículo Astra no último sábado e que sua namorada foi "no embalo". "Não foi nada planejado e ela não teve culpa. Ela é uma menina gente boa e humilde que está pagando pelo meu erro", garantiu.
Ele disse que os dois beberam um pouco mais que o de costume e, durante uma conversa, a namorada teria manifestado um desejo. "Ela me revelou que tinha a maior vontade de viver uma aventura comigo em um carro louco. Foi aí que parou um Astra e logo me veio na cabeça realizar o desejo dela", contou.
O pedreiro disse que estava com uma pistola - segundo ele, de brinquedo. Ele se aproximou das vítimas, levantou a camiseta, exibiu a arma e anunciou o assalto. "Ela não tinha intenção de fazer nada e foi no embalo. Eu entrei no carro e ela correu para entrar do outro lado".
Na fuga, ele contou que perdeu o controle do carro, colidiu contra o ônibus e foi detido por guardas municipais. "Eu não ia fugir, mas minha namorada me olhou e no olhar dela entendi que não deveria ficar. Os guardas deram uma brecha e eu escapei". Ainda de acordo com Oliveira, o mesmo resolveu deixar a namorada sozinha, porque "tinha certeza de que não ia acontecer nada com ela por ser menor de idade".
Depois de se esconder no interior de uma caçamba, onde ficou coberto por telhas, o pedreiro disse que esperou que a polícia fosse embora, entrou em um ônibus que tinha como destino o Jardim Vera Cruz e se escondeu em uma mata na divisa entre os bairros Vila Santa Terezinha e Parque do Horto. "No domingo à noite liguei para minha mãe para saber se estava tudo bem. Ela pediu que eu me entregasse e quando perguntei da minha namorada, soube que ela foi presa e fiquei louco", relatou Oliveira. Imaginando que se entregando, a garota será liberada, ele resolveu ligar para o 190. "Expliquei o que tinha acontecido, disse onde estava e fui levado para ao plantão". Na delegacia, o pedreiro foi recebido por funcionários e liberado após receber orientação de se apresentar à delegacia da área nesta semana. Nenhum registro foi feito. Almier assinou apenas o boletim interno de atendimento da PM. "Fui orientado a me apresentar no 2º Distrito". Ontem à noite, ele confirmou que fará isso nesta terça-feira.