10 de julho de 2026

Café especial da região ganha o mundo


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EMMEIO À LAVOURA - Flávia Lancha mostra parte da plantação de café de onde saem os grãos que são exportados para países da Europa

Quando alguém pede uma xícara de café em uma das famosas cafeterias da Europa tem grandes chances de estar tomando o café produzido na região de Franca. É para lá que vai boa parte dos grãos especiais produzidos na Alta Mogiana, composta por 13 municípios. Atualmente, 95% da produção é exportada tendo como destino países como Itália, Alemanha, Holanda, Bélgica, Austrália, Japão e até Israel. Os grãos são chamados especiais por serem considerados de melhor qualidade, aspecto, sabor e aroma. O preço, claro, é mais caro. Na região, apenas 20 cafeicultores trabalham com este tipo de grão e, juntos, produzem cerca de 200 mil sacas por safra.


Para o presidente da Associação dos Produtores de Cafés Especiais da Alta Mogiana, Milton Cerqueira Pucci, a região tem potencial para aumentar a produção de grãos especiais principalmente pelo solo e clima, mas falta coragem e empenho por parte dos produtores para investir neste nicho de mercado. “É possível crescer, mas para isso o cafeicultor necessita agregar valores. Ele terá que investir na propriedade, em equipamento e no treinamento de pessoal. Isso custa dinheiro e o retorno nem sempre é rápido”, disse.


O casal Gabriel Oliveira e Flávia Lancha Oliveira teve coragem de entrar neste mercado e não se arrepende. Depois de mais de 20 anos lidando com a cafeicultura tradicional, os produtores sentiram que era hora de avançar. Há seis anos, o casal, que é dono da Labareda Agropecuária, que administra cinco fazendas sendo três de café, passou a produzir café especial. No começo, exportavam 20% da produção. Hoje mandam para fora 95% da safra com uma média de 22 mil sacas anuais. “Foram anos de pesquisa para saber exatamente o que deveríamos fazer para melhorar a qualidade dos grãos, mas valeu o esforço”, lembra Flávia.


Assim como Milton Pucci, Flávia Lancha também acredita que o mercado para o café especial ainda tem espaço. “Não temos estoque de café especial, tudo que é produzido é vendido. Vendo toda minha produção antes da colheita. É preciso acreditar e buscar mercado. Mas o cafeicultor deve se conscientizar de que terá que investir na propriedade e que não terá um retorno muito alto a curto prazo”. Atualmente, uma saca de café é comercializada por R$ 240, já a do grão considerado especial pode chegar a R$ 360.


O preço pago pela saca é a principal reclamação do cafeicultor Fernando Martins Barros, que tem propriedade em Nuporanga. “Para compensar todo o investimento, a saca deveria custar R$ 40 a mais. Hoje o retorno é muito pequeno”, disse Barros, que planta café desde 1970 e que há oito investiu na melhora da qualidade dos grãos e hoje exporta 100% da produção.


 Apesar de não estar satisfeito com o preço da saca, Barros encoraja outros cafeicultores. “Temos espaço para aumentar a produção, basta investir na qualidade”.


Para quem se interessou, os especialistas disseram que a hora de investir é agora. “Com a queda da produção da Colômbia (um dos principais produtores de café no mundo), por razões climáticas e mudanças nas plantações, compradores estão vindo ao Brasil em busca do café fino. Estamos conquistando novos clientes principalmente nos Estados Unidos, na China e Taiwan”, disse o gerente do Departamento de Café da Cocapec, Anselmo Magno.