10 de julho de 2026

Paixão de Cristo emociona público na Igreja São Judas


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MORTE DE CRISTO - Atores do grupo Jovens em Cena durante a Paixão de Cristo, sexta-feira, no salão da Igreja São Judas. Público aplaudiu em pé a apresentação.

Um por um, Jesus lava os pés dos 12 apóstolos. Mais adiante, é humilhado pela multidão, que prefere libertar um ladrão a salvar Cristo da tortura. O teatro da Paixão de Cristo, realizado na última sexta-feira, na Paróquia São Judas, emocionou. Com início às 8h30, o espetáculo teve duração de uma hora e 45 minutos e foi aplaudido de pé.


Mais de 1,5 mil pessoas, sendo 300 espectadores em pé, formavam uma multidão de todas as idades atenta à peregrinação de Jesus Cristo, da última ceia com os discípulos até a crucificação. “Venho todos os anos. É importante a gente reviver o que Jesus passou. A gente fica muito emocionado”, disse o autônomo Edson Pereira de Oliveira, 30, que estava com a mulher e a filha de 3 anos.


No centro das atenções, e sempre clicados por dezenas de câmeras digitais, estavam 50 atores do grupo Jovens em Cena, que há três décadas refaz a via sacra. “É um grupo que foi se adaptando e modernizando, mas nunca perdeu a tradição”, diz Ítalo Silva, 25, técnico em raio-X, um dos coordenadores do elenco que estava no local desde as 7 horas.
Resultado de dois meses de ensaios e ajustes com cenários e figurinos, a Paixão de Cristo teve direito a dois DJs e suas pick ups e alto-falantes estrategicamente espalhados pelo recinto concedendo ao ambiente um clima dramático e digno de lágrimas, com músicas selecionadas de filmes como 300, Paixão de Cristo e Gladiador.


O Frei Joaquim Camilo Alves, narrador da peça, explica que o roteiro foi baseado em evangelhos como o de São Lucas e São João e, ao contrário do ano passado, fez menos uso de comentários para deixar a emoção transpassar mais através da trilha sonora e da atuação dos personagens. “O visual é muito importante. Chama a atenção e desperta até vocações”, explica.


A emoção em muitos momentos transcendia a interpretação teatral. Larissa Silva Alves, 17, no papel de Verônica - que enxuga o rosto ensanguentado de Cristo a caminho da cruz e entoa uma triste ária -, chorou de verdade enquanto esteve no palco. “Não tem como não chorar ao viver tudo o que Jesus passou “, relata a jovem.


PAPEL PRINCIPAL
“A sensação é única. Eu não consigo explicar”, afirma o sapateiro Ederson Josué de Oliveira Matos, 28, que pelo sexto ano consecutivo interpreta Jesus Cristo. A barba é de verdade, mas o cabelo longo é uma peruca que esconde um início de calvície.


Após a apresentação, Matos estava todo encoberto pela substância à base de groselha, água e chocolate que simulava o sangue de Cristo - foram usados ao todo cinco litros. Sentia cansaço e muitas dores pelo corpo. Afinal, por mais que tudo não passasse de um faz-de-conta, sempre lhe resvalava alguma chicotada acidental ou um chute um pouco mais forte dos soldados.


Para encarar o papel, Matos se preparou dois meses antes, com regime, exercício físico e muita oração. Falas como “Pai, afasta de mim este cálice” e “Orai, pois o espírito é forte, mas a carne é fraca” já estão em sua cabeça faz tempo. O mais difícil mesmo, segundo ele, é vencer a timidez. “É a graça de Deus que me dá força para conseguir”.