A 20 dias do primeiro Leilão “União de Forças” em prol da Apae de Franca, o GCN Comunicação apresenta hoje a história do garoto Higor Antônio Leonel, de 12 anos. Vítima de paralisia cerebral, o menino, que tem o sonho de ser DJ, fala, canta, toca instrumentos musicais, acessa a internet e estuda na Escola Estadual “José dos Reis Miranda Filho”, na 3ª série. A criança só atingiu esse estágio de desenvolvimento porque teve sorte da Apae cruzar seu caminho.
Higor é apenas um dos mais de mil usuários da Apae que serão beneficiados com os recursos arrecadados durante o Leilão “União de Forças”. O evento acontecerá no próximo dia 24, a partir do meio-dia, na sede de entidade, com churrasco e show de Ronaldo Sabino. Os ingressos custam R$ 50 e estão à venda pelo telefone (16) 3712-9734.
Para ajudar na organização do evento, a Apae conta com apoio de mais de 200 voluntários e a participação de um grupo de cinco embaixadores: Luiza Helena Trajano (Magazine Luiza), Armando Antônio Rizatti (Skol), Mário Roberto Seixas (posto de combustíveis), Toni Salloum (empresário) e Adir Leonel (pecuarista). Mais detalhes sobre o leilão podem ser conferidos no blog criado pelo GCN Comunicação. Acesse www.comerciodafranca.com.br para saber mais.
Quando sugeriu o nome de Higor Antônio Leonel para ser entrevistado, Adriane Michelette, coordenadora do Leilão “União de Forças” da Apae de Franca, avisou que iríamos nos apaixonar por ele. Adriane tinha toda razão. O sorriso e o brilho dos olhos de Higor são encantadores. Poucos minutos de contato com Higor são suficientes para causar ainda mais admiração por ele. O garoto, de 12 anos, apaixonado pelo Corinthians, por música sertaneja e computador, é uma prova de superação e mais uma pessoa que teve a vida transformada pela Apae.
Higor é irmão gêmeo de Juninho. Nasceram prematuros. Quando a mãe estava no sétimo mês de gravidez, entrou em trabalho de parto e não houve tempo para fazer cesárea. Juninho nasceu primeiro. Higor demorou mais tempo. O intervalo foi de nove minutos. O atraso fez com que faltasse oxigênio no cérebro e Higor ficou com sequelas. Tem paralisia cerebral.
Nos primeiros meses de vida, os pais desconfiaram que algo não estava normal com Higor. Levaram o filho ao médico, mas os exames não apontaram alterações. A partir dos oito meses, notaram que havia muita diferença no desenvolvimento de Juninho em relação a Higor. “Vimos a diferença na hora de engatinhar, sentar, andar. O Higor estava ficando para trás”, disse o pai Rodrigo Antônio Leonel, 36, que é tapeceiro.
Com 1 ano, os pais buscaram ajuda na Apae. A equipe diagnosticou a paralisia cerebral e a instituição foi um divisor de águas na vida de Higor e de seus pais. “De antes e depois da Apae, notamos uma diferença muito grande na fala, na convivência com outras pessoas. Tem muita gente que prefere esconder uma pessoa igual ao Higor, dita ‘deficiente’, a mostrar para sociedade”, disse o pai. “Vejo muitos pais que são até informados, mas têm preconceito com a Apae. Vejo crianças com o mesmo problema do Higor, que não tiveram um acompanhamento e estão muito mais atrasadas, que não têm o entendimento que ele tem”, disse a mãe Lis Maria Ribeiro, 32, auxiliar financeiro.
No início, Higor tinha compromissos na Apae duas vezes por semana, para sessões de fisioterapia e fonoaudiologia. Depois, a instituição ofereceu outras oportunidades. O garoto começou a fazer ecoterapia (atividades com cavalo, que melhora a postura) e hidroterapia (exercícios na piscina). Higor também passou a estudar na escola de ensino adaptado da própria Apae. Frequentou a escola da entidade até o ano passado e a partir de fevereiro de 2010 iniciou uma nova etapa para ser alfabetizado. Não segue mais para Apae para estudar, mas para a Escola Estadual “José dos Reis Miranda Filho”. Está na turma da 3ª série B (pela idade, deveria estar na 6ª série).
Como tem dificuldades para firmar o lápis nas mãos e desenhar as letras, trocou os cadernos pelo notebook. Todos os dias leva o computador para a classe e o que os colegas escrevem, ele digita. “Estou gostando da escola. Eles disputam para me ajudar”, disse, pausadamente. Higor admite que gosta de ser paparicado. “É bom”, disse, com o largo sorriso de sempre. Está aprendendo a ler e escrever.
O computador não é parceiro apenas em sala de aula. Higor teve o primeiro contato com o mouse, teclado e outras peças da máquina durante as aulas de computação na Apae. Os irmãos Juninho e Vitor (caçula), de 5 anos, e os pais também o ensinaram a usar o computador. Hoje ele domina os programas do computador e adora. Sempre conversa com amigos e parentes pelo MSN e acessa sites para jogar, principalmente sinuca e jogos de corrida de carrinhos, e para pedir músicas nas rádios. As sertanejas são suas preferidas. Principalmente das duplas Teodoro & Sampaio e Milionário & José Rico.
Higor não ouve as músicas sertanejas apenas no computador. No carro, ele e os dois irmãos revezam nos estilos tocados no rádio. Ele prefere as sertanejas e os irmãos, rock. Quando está nos churrascos em família, canta todas as músicas. A habilidade tem participação da Apae e Emim (Escola Municipal Musical), onde está aprendendo a tocar teclado e cavaquinho. Na Apae, Higor participa do projeto Portal, coordenado por Marta Cardoso, e faz parte do conjunto musical, canta e dança nas apresentações que fazem. Ele adora, mas não esconde a tensão de se apresentar em público. “Fico nervoso”, disse ele, que sonha ser DJ. “Esse é meu maior sonho”.
Com o atendimento que recebe, Higor está adquirindo certa independência. Já consegue se alimentar sozinho e andar com a cadeira de rodas empurrando os pneus com as mãos. Conta com a presença e apoio dos pais e irmãos para as tarefas de casa, tomar banho, ir ao banheiro e se trocar.
HISTÓRIA
Higor e o gêmeo Juninho são filhos de um primeiro relacionamento de Rodrigo. Quando os meninos estavam com menos de um ano de idade, os pais se separaram. A mãe foi embora e os filhos ficaram com o pai. Meses depois, Rodrigo conheceu Lis, com quem tem um filho, Vitor. Os dois estão juntos há 11 anos. Ela é chamada de mãe pelos gêmeos. Lis disse que quando soube dos filhos de Rodrigo e das necessidades de Higor, ficou admirada e jamais pensou em desistir da história. “Eles são como se fossem filhos meus”, revelou.
Lis e o pai sonham com mais conquistas para Higor. “A gente tem consciência que ele é uma criança diferente, mas dentro do “mundo dele”, tem capacidade de evoluir muito com ajuda da Apae, da escola e da gente”, disse o pai.