08 de julho de 2026

‘Sei que é um trabalho digno como qualquer outro’, diz lixeiro


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Robson destaca a admiração que as crianças demonstram pela profissão

Quem entra para ofício de lixeiro precisa ter estômago forte - pelo menos nas primeiras semanas. Restos de comida podre, lixo sanitário, materiais cortantes e tudo que não serve mais são os principais produtos de trabalho destas pessoas. Por incrível que pareça, segundo eles, o mau cheiro e o cansaço se tornam desafios comuns depois do primeiro mês na função. Robson Pereira Rodrigues é lixeiro há apenas três meses. “Trabalhava em uma empresa de transportes, vim para cá por causa do salário. Agora ganho bem mais do que ganhava antes”, disse.


Novo no ramo, ele ainda está se acostumando aos desafios da profissão. Todos os dias sua rotina começa as 17h30 e segue até as duas horas da madrugada. Quando não faz o horário de lanche pode adiantar o serviço e sair mais cedo. “Adaptei bem ao pique dos outros meninos porque já praticava esporte. No começo eu estranhava muito. Principalmente o cheiro, que é muito forte, mas depois a gente acostuma. Quando ia almoçar, eu tentava não lembrar. Agora eu faço questão de esquecer do mau cheiro na hora de comer, deu certo”, disse.


Hoje Robson se sente feliz como lixeiro e diz que até agora não sofreu nenhum tipo de preconceito por trabalhar nesta função. “Quando contei para minha namorada e para minha família eles aceitaram numa boa. Às vezes alguns amigos me zoam, que estou sempre cheirando mal, mas eu não dou bola. Sei que é um trabalho digno como qualquer outro”, disse.


Nesses poucos dias de trabalho, o carinho das crianças foi um dos pontos positivos do ofício que chamou a atenção do lixeiro. “Às vezes o caminhão passa tarde da noite, às 22 ou 23 horas e a criançada espera na porta para fazer ‘tchau’ para gente. Fico emocionado por elas, que valorizam e admiram o nosso trabalho. Elas conversam e contam suas histórias sem preconceito nenhum”, disse.


Apesar de considerar cansativa, Robson ressalta que ser um coletor de lixo é ao mesmo tempo uma função gratificante. “Não tenho nada do que reclamar. Recebo o pagamento certinho e quando trabalhamos aos feriados a gente ganha mais. Às vezes quem trabalha em local fechado, em escritório, por exemplo, não tem seu esforço reconhecido. Já as pessoas vendo o nosso trabalho na rua, temos mais chances de reconhecimento”, conclui.