O quarto dia de investigações sobre as denúncias de abuso sexual envolvendo padre José Afonso Dé, 74, vigário da Paróquia São Vicente de Paulo, foi marcado pelos depoimentos de padre Ovídio José Alves de Andrade, pároco da Igreja de São Sebastião, e do Bispo Emérito Dom Diógenes Silva Matthes à polícia. Eles foram intimados a prestar esclarecimentos depois que garotos ouvidos pela delegada Graciela David Ambrosio afirmaram ter contado aos religiosos sobre os abusos sexuais sofridos na casa do padre Dé.
Padre Ovídio foi o primeiro a prestar depoimento, no meio da tarde, e confirmou, em entrevista ao jornal Comércio da Franca, que sabia das acusações. Ele disse que um dos meninos, de 14 anos, lhe fez relatos sobre os abusos que o grupo sofrera na casa de padre Dé, mas não acreditou. "Eu achei que não fosse uma coisa real e nem levei adiante. Quando vi no jornal, meu chão abriu. Foi uma grande surpresa", disse padre Ovídio.
Ontem, às 20h30, foi a vez do depoimento do bispo emérito de Franca Dom Diógenes Silva Matthes. Em duas horas de conversa com a delegada, o religioso negou que soubesse das denúncias, disse nunca ter sido procurado por qualquer jovem ou família para falar de abusos cometidos por padre Dé e afirmou não saber porque seu nome foi citado. "Apesar de tudo, Dom Diógenes confirmou que a Diocese não aceitava o trabalho de padre Dé e que por isso decidiu restringi-lo à Paróquia São Vicente de Paulo. Disse também que já ouvira rumores entre os padres de que havia algo errado no local", disse Graciela. Nervoso, Dom Diógenes evitou a imprensa.
Além dos testemunhos dos religiosos, a delegada ouviu novamente um jovem que morou por três anos com padre Dé na casa em que o religioso vivia no Jardim Tropical. Durante esse período, ele disse ter sido assediado pelo padre. O rapaz, hoje com 20 anos, disse ter visto e ouvido outros jovens sofrerem abusos sexuais no local.
Na tarde de ontem, ele saiu com um investigador para apontar possíveis vítimas e seus endereços. "Pelo menos três delas serão convocadas (para prestar esclarecimentos) na próxima segunda-feira", disse Graciela.
MAIS TRABALHO
Ao longo dessa semana, outros seis padres ainda devem ir à delegacia que cuida do caso. Serão ouvidos pela polícia os padres Mauro Sérgio Marçal, vigário da Paróquia São Vicente de Paulo; Dalmácio Garcia de Freitas, vigário da Paróquia de Santo Antônio; Adilson Aparecido Fortunato, vice-reitor do Seminário Diocesano Nossa Senhora do Patrocínio e vigário da Paróquia São Benedito; Devair Araújo da Fonseca, reitor do Seminário Diocesano Nossa Senhora do Patrocínio e vigário da Paróquia Menino Jesus de Praga; e Idair Perina, pároco da Igreja de São Vicente de Paulo.
Todos eles foram citados pelos garotos que prestaram depoimento como conhecedores das denúncias de abuso sexual.