As 19 mortes de recém-nascidos por infecção hospitalar na Santa Casa de Franca no ano passado voltarão a ser debatidas hoje. Depois dos diretores da instituição irem à Câmara enaltecer a qualidade do serviço e afirmar que não há problemas no hospital, nesta terça-feira, será a vez do secretário municipal de Saúde, Alexandre Ferreira, dar explicações. Dono de um perfil combativo e muito direto, seu discurso deve quebrar o marasmo da sessão. Ferreira já entregou um relatório à presidência da Câmara com irregularidades detectadas na pediatria da Santa Casa.
O secretário foi convidado a prestar esclarecimentos na reunião da semana passada, mas não apareceu. Ele alegou que o convite não chegou a suas mãos, o que foi admitido posteriormente pela Câmara. A presença para hoje foi confirmada. “Ainda bem que eles chamaram a Secretaria de Saúde para podermos explicar o que já fizemos e qual tipo de acompanhamento iremos dar daqui para a frente. Será uma oportunidade para esclarecer as coisas e entender a gravidade do problema. O Estado, que é o gestor da Santa Casa, dificilmente, irá à Câmara dar explicações”.
Na terça-feira, 16, o coordenador clínico da Santa Casa, Marcelo de Paula, esteve na Câmara e admitiu 19 mortes por infecção no ano passado. Afirmou que os números estariam dentro dos padrões de controle aceitáveis. Despreparados, os vereadores não tiveram como contestá-lo. Por duas vezes, o médico foi irônico ao se referir ao secretário de Saúde, que é veterinário. “Agradecemos a ajuda do secretário. Ele é um “profundo” conhecedor de infectologia”. Em outro ponto de sua participação na tribuna, voltou a cutucar Alexandre Ferreira que havia confirmado à imprensa o surgimento de novos casos de infecção em 2010. “Ele está ajudando a aprofundar (ao pronunciar a palavra, deu ênfase a expressão fundar) a Santa Casa”.
Desde janeiro, profissionais das Secretarias de Saúde do Estado e do Município seguem analisando dados e procedimentos internos da Santa Casa.
Para Alexandre Ferreira, o monitoramento tem dado resultado positivo. “Tanto é que não tivemos mortes ainda este ano por causa de infecções por Klebsiella”. O hospital informou, por meio de sua assessoria de comunicação, que deverá enviar representantes para acompanhar a participação do secretário de Saúde.