10 de julho de 2026

Justiça suspende greve e vai decidir futuro dos sapateiros


| Tempo de leitura: 2 min
PELOS SALÁRIOS - Sapateiros participam de assembléia no dia 5 de março. Categoria terá reajuste definido pela Justiça

O Tribunal Regional do Trabalho chamou para si a responsabilidade de resolver um problema que se arrasta desde janeiro: vai decidir o reajuste de salários dos sapateiros. Em audiência realizada na última quinta-feira, em Campinas, o desembargador Luiz Antônio Lazarim deu prazo até o dia 5 de abril para os dois sindicatos dos trabalhadores - representados por Sebastião Ronaldo e Fábio Cândido - apresentem as propostas salariais da categoria. O SindiFranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) terá até o dia 9 do mesmo mês para dizer quanto pretende oferecer aos trabalhadores.


De posse de todas as propostas, o Tribunal irá decidir pelo reajuste dos sapateiros em audiência marcada para o dia 13 de abril - independente de quem é o legítimo representante da categoria. Enquanto a decisão não sai, o Tribunal recomendou ao sindicato liderado por Sebastião Ronaldo que suspenda as greves deflagradas a partir de 16 de março. Já os acordos individuais fechados com doze empresas da cidade continuam valendo e só serão modificados se o dissídio conceder um reajuste maior.


O caso foi levado ao Tribunal do Trabalho pelo SindiFranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) diante das discussões entre os sindicatos de Ronaldo e Fábio. Luiz Gilberto Lago Júnior, assessor-jurídico do SindiFranca, disse que irá seguir a recomendação da Justiça e negociar com os dois sindicalistas. A ideia é entrar num consenso sobre o reajuste da categoria antes da audiência. “Vamos seguir o espírito do Tribunal. Claro que não vamos chegar ao ponto de reunir os dois na mesma mesa, mas entrar em um acordo que atenda aos interesses de todos”, disse.


Sebastião Ronaldo disse que o dissídio coletivo agrada. “A decisão do TRT vem reafirmar aquilo que nós estávamos fazendo e a nossa preocupação de que é preciso reabrir as negociações. O que importa é sair o acordo e resolver de vez o problema dos trabalhadores”.
 

Para Fábio Cândido, que sozinho não teria como registrar qualquer acordo salarial no Ministério do Trabalho - ele não possui Carta Sindical - sentar-se à mesa com o SindiFranca significa uma conquista. “Vou participar de todas as discussões. Nem penso em deixar ele (Ronaldo) negociar sozinho”.


Durante a audiência de quinta-feira, o TRT recusou a interferência da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário do Estado de São Paulo nas negociações dos sapateiros de Franca.