A DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) teve outra tarde movimentada ontem com o depoimento de duas novas testemunhas na investigação que apura o envolvimento de padre Dé com pedofilia em Franca. A partir das 14 horas, foram ouvidos um adolescente que teria sido vítima do religioso e um ex-funcionário do padre, que trabalhou na casa até o ano passado.
Ao contrário do primeiro dia de depoimentos, quando os testemunhos se estenderam até as 21 horas, ontem, às 19 horas a DDM já se preparava para encerrar o expediente. A maratona de oitivas deve continuar nos próximos dias.
Três dos seis jovens entrevistados pelo Comércio desde o início das investigações na última quarta-feira afirmam que outros adolescentes ainda podem ser intimados. Uma delas garantiu que os relatos mais bombásticos devem ser dados por adultos."Tem muita gente envolvida. Pessoas mais velhas, que têm histórias mais pesadas para contar do passado do padre Dé", disse uma das vítimas de apenas 12 anos.
Ao todo, já são sete o número de pessoas ouvidas no caso pela delegada Graciela de Lourdes David Ambrósio. A policial voltou a afirmar ontem que o caso segue sob sigilo. Por isso, recusou-se a dar qualquer informação.
ENTENDA O CASO
Na tarde do último dia 24, padre Dé e outros dois religiosos que trabalham com ele foram acusados de abuso sexual por quatro meninos com idades entre 13 e 16 anos, moradores na zona norte de Franca. A denúncia teria sido encaminhada ao Conselho Tutelar há duas semanas e, em seguida, remetida à polícia.
Eles afirmam terem se encontrado com padre Dé na casa dele uma vez por semana durante dois meses. Segundo os jovens, nas reuniões que aconteciam sempre às quintas-feiras após a missa das 15 horas, o religioso passava a mão em suas pernas e órgãos genitais. Nenhum deles disse ter mantido relações sexuais com o religioso.
Padre José Afonso Dé tem 74 anos e está na Diocese de Franca há 18. Antes do escândalo, trabalhava como vigário paroquial na Igreja de São Vicente de Paulo, no Tropical.
Colaborou: Fernanda Bufoni