10 de julho de 2026

Grupo ATO comemora dez anos com festival em Franca


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Compreender a cultura como bem público e matriz geradora de ações para enriquecimento e transformação do meio ambiente. Esse é o objetivo do Grupo ATO teatro-educação, que completa dez anos de atividades ininterruptas em Franca. Para comemorar, atores e diretores promovem o Festival de Aniversário, que de hoje até domingo reunirá o II Fórum Teatro Brasileiro e uma mostra de apresentações artísticas de teatro, dança e coral de grupos e artistas da cidade. "Fazer teatro não se resume apenas a estar no palco apresentando bons espetáculos. Devemos estar na cidade, protagonizando, coadjuvando ou acompanhando as mudanças e transformações que a cidade vive. Mais que atores, somos atuadores", resume Ana Cláudia Segadas, diretora Artística e Pedagógica do Grupo ATO, que surgiu em 1994, na Oficina de Arte Lua Nova, com um grupo de adolescentes entre 14 e 18 anos. Nesses dez anos, o Grupo ATO - que hoje tem cerca de 20 atores e também é dirigido por Hélio Simões - produziu seis peças: Cavalinho Azul, de Maria Clara Machado (2000), Exercício (2001), O Noviço, de Martins Pena (2002 a 2005), Reticências (2006), ATO Esperimental (2007) e Eu, Gauche - Diálogos com a poesia de Drummond (2008). Com a peça O Noviço, o Grupo ganhou o Prêmio Estímulo Carlos Miranda. O reconhecimento consolidado não impediu que os problemas surgissem. Até hoje a equipe não tem uma sede própria e desde maio do ano passado ensaia aos sábados e domingos no Salão do CEI (Centro de Educação Integrada). "Acho que a principal causa da nossa sobrevivência foi a atenção que dou, como diretora pedagógica, ao grupo em si. É muito mais importante sermos um grupo do que o produto final ou como vamos produzi-lo. Sermos um grupo com objetivos e metas comuns onde a afetividade circula é o mais importante. O mais vem daí", ressalta Ana Cláudia. PROGRAMAÇÃO DO FESTIVAL O II Fórum Teatro Brasileiro - Teatro de Grupo, Políticas Públicas, Cultura e Identidade, abre as comemorações nesta noite, a partir das 19h30, no Salão Walter Anawate (Uni-Facef II). O encontro reúne os seguintes palestrantes: Everton Sanches, doutor em História da Cultura e diretor do Grupo Cine em Cena; Marcelo Bones, diretor do Ceacen (Centro de Artes Cênicas da Funarte); Martha Figueiredo, psicóloga psicodramatista e diretora do Celeiro Espaço Dramático, e Renato Millani, presidente do Movimento Teatro de Grupo de Minas Gerais. "A nossa intenção é `juntar a galera` que faz teatro para debater as condições de formação, produção e identidade dos grupos teatrais locais sobre qual é o nosso papel enquanto agentes culturais e como podemos interferir e melhorar a nossa relação com a comunidade", explica Ana Cláudia Segadas. A partir desta quarta-feira, os eventos acontecem no Teatro Municipal, sempre às 20h30, com entrada gratuita. Amanhã, a Companhia Vocal Enrico Nery apresenta o espetáculo cênico e musical Brasil de Todo Canto, que reúne uma série de músicas e manifestações folclóricas brasileiras. Na quinta-feira, os alunos do curso técnico em Arte Dramática do Senac Franca promovem a pré-estreia da peça Boca de Ouro, de Nélson Rodrigues. O espetáculo conta a história do bicheiro carioca "Boca de Ouro", sua ascensão social e sua morte, em três versões de acordo com os sentimentos da ex-amante, D. Guigui. O grupo aniversariante apresenta o espetáculo Eu, Gauche, na sexta-feira. A montagem é o resultado de uma pesquisa e criação coletiva sobre a vida e obra de Carlos Drummond de Andrade. Em forma de poesia encenada, fala sobre o sentimento de sentir-se "gauche", palavra francesa que significa "esquerdo", metaforicamente, "torto" ou "canhestro". Em seguida, às 21h30, a Plêiade Cia de Dança apresenta Todos (E)Migram, um espetáculo de dança contemporânea que tem como tema a migração pessoal durante a vida: amores, trabalhos, lugares, sentimentos. A comemoração continua no fim de semana, também no Teatro Municipal, às 20h30. No sábado, Curta a Cena traz diversas apresentações curtas de teatro e dança de grupos e artistas da cidade. Domingo, o Núcleo Arte e Cultura do Instituto Arte & Vida encerra a programação com o espetáculo Estranha Loucura. A peça conta a história de Lorena, uma mãe de família, que na ânsia de proteger seu filho, é atormentada por fatos e sentimentos, os quais não consegue explicar. A comemoração continua até novembro, com a realização de oficinas, cursos, exposição e apresentações gratuitas dos espetáculos Eu, Gauche e ATO Experimental.