O pavor provocado pelo terremoto ocorrido no Chile na madrugada do último sábado, 27, foi vivido por pelo menos 12 francanos que moram no País. Eles residem na capital Santiago e têm pais, irmãos, filhos e cônjuges em Franca. Aqui, os familiares passaram momentos de aflição até conseguirem contato no País vizinho. No site de relacionamento Orkut, várias mensagens pedindo notícias foram deixadas aos francanos que vivem em território chileno. Ontem, o GCN Comunicação conseguiu contato via internet e por telefone com alguns deles no Chile para saber detalhes da tragédia que matou mais de 700 pessoas.
O empresário Gerard Ramon Gomez Jara, 32, mora há treze anos no Chile e conversou com o Comércio pelo MSN (bate-papo on line) na manhã de ontem. Às 10h57, após os primeiros minutos de entrevista, interrompeu o assunto porque Santiago estava tendo outro tremor de terra. Restabelecida a conversa, o francano contou os momentos de desespero e as cenas que presenciou durante o terremoto.
Gerard mora em Santiago, mas estava em Lloca, em Maule, uma das regiões mais afetadas pelo terremoto e que também sofreu com o tsunami provocado por ele. Ele havia viajado com dois amigos para pescar durante o fim de semana e, na madrugada de sábado, estava em um restaurante quando o forte tremor começou. Segundo Gerard, os clientes e funcionários do local entraram em pânico. Um dos amigos dele estava no banheiro quando o imóvel começou a desabar e só escapou sem ferimentos porque a laje do cômodo não caiu. “Começou a tremer tudo, as coisas caíram e todo mundo saiu correndo. Acabamos de sair do restaurante e o teto desabou. Pessoas não conseguiram sair. Os que ficaram lá dentro não sabemos se estão vivos”.
Os amigos resolveram retornar para Santiago - distante 300 km de Iloca - ainda pela madrugada. Ao passar pelas ruas e rodovias, presenciaram a devastação provocada pelo terremoto. “As casas e árvores iam caindo, as pontes tinham desabado e havia incêndios. A caminhonete em que estávamos pulava meio metro de altura do chão, igual a um tapete que você sacode e vai fazendo ondas. Na rodovia, chegando a Santiago, tinha pessoas mortas. Outras gritavam muito. Foi horrível”, disse o brasileiro. “O terremoto durou três minutos, que foram eternos. Estou chocado. Não conseguia nem sentir minhas pernas na hora. Graças a Deus tive calma para sair do restaurante”.
Segundo o francano, até ontem havia regiões sem água e energia elétrica. Os telefones também continuavam com problemas. “O metrô está parado, o Aeroporto fechado e as rodovias com estrutura nova foram destruídas. A gasolina está escassa. Cada um só pode comprar de 10 a 15 litros”.
DESESPERO
Gerard mora com os pais num sobrado na capital chilena e o imóvel não sofreu danos, apenas os eletrodomésticos foram danificados ao cair no chão com o tremor. Os outros quatro irmãos dele, que são francanos, moram em Santiago e também não se feriram. “Meus pais estavam na praia e ficaram assustados, mas estão bem”.
A mulher dele, a empresária Celina Gomez, 28, e as duas filhas Camila, 10, e Larissa, 4, moram em Franca, no Parque Santa Adélia. Celina só conseguiu ter notícias do marido no domingo à tarde. As tentativas de falar com ele e a cunhada por telefone foram frustradas. “Só dava sinal de ocupado. Tive medo de que ele fosse uma das vítimas”, disse ela.
Celina, que morou durante dez anos no Chile e chegou de lá com as crianças há duas semanas, ficou chocada com os estragos causados pela tragédia. “Fiquei em choque ao ver as imagens na televisão. Foi muito triste. Até agora não estou acreditando. Presenciei tremores de terra, mas nunca foram tão forte como agora”.
Gerard espera rever a mulher e as filhas no próximo fim de semana. Ele tem voo marcado para o Brasil no dia 5, mas não sabe se o aeroporto de Santiago estará liberado até lá. “Foi um milagre. Agradeço a Deus de estar vivo porque a situação que passamos não desejo para ninguém”, disse o francano que é dono de uma empresa que vende pedras para revestimentos.