09 de julho de 2026

O que vou ser quando crescer?


| Tempo de leitura: 3 min
HORA DE DECISÃO- O estudante Lucas Alves Ribeiro, 16, está no terceiro ano do ensino médio e ainda está decidindo para quais cursos prestará vestibular no final do ano

Está em dúvida quanto ao curso que vai fazer na faculdade? Antes de sair por aí preenchendo testes vocacionais a esmo, atenção: eles estão em baixa entre especialistas que cuidam de orientação vocacional dos jovens. Psicólogos consultados pela reportagem disseram que há restrições para o uso desse tipo de ferramenta. Integrante de uma equipe de orientação profissional do Instituto Samaritano de Ensino, a psicóloga Ana Márcia Diniz afirma que o teste vocacional, isolado, não é o melhor caminho. A escolha do jovem, na concepção dela, deve resultar de um processo passo a passo que leve em conta uma visão de si mesmo diante da realidade. “Não trabalhamos com os testes vocacionais, porque a gente acredita que é um processo que vem sendo construído se bobear antes de nascer. Os jovens são influenciados o tempo todo pelas expectativas dos pais e por aquilo que veem e ouvem”, afirma, relatando que esse tipo de ferramenta pode até ser utilizada, desde que integrando um processo mais abrangente de orientação vocacional. “Um teste por si só é muito pouco para definir uma profissão”. O melhor caminho é construir um projeto de vida, avaliando uma série de fatores, considerando tudo o que você fez até hoje, todas as suas influências e tudo aquilo que espera para os próximos anos. Coordenadora do núcleo de orientação profissional do curso de Psicologia da Unifran, a psicóloga Irene Andrade também define essa fase de escolhas como um processo gradativo e de muita reflexão. Ela alega que, em suas sessões de orientação, divididas geralmente em 12 encontros, faz os participantes primeiro pensarem sobre seus próprios interesses, competências e condição financeira, para depois associar tudo isso a possíveis cursos superiores e técnicos. “Aplicamos testes vocacionais, mas somente dentro de um conjunto de trabalho. O teste indica muitas coisas, aonde focar, mas por si só não diz nada”, explica. Consultada por e-mail, a psicóloga especializada em jovens Alba Benito, da Universidade Estadual de Campinas, também alega não trabalhar com testes vocacionais. Atualmente ela coordena o site www.escolhendo.com.br, com dicas para quem ainda não se decidiu quanto ao curso que irá prestar no próximo vestibular.

INDECISÃO

A escolha pela profissão certa pode ser mais difícil do que parece, quando se trata de adolescência. O jovem Lucas Alves Ribeiro, 16, está no terceiro ano do ensino médio do Instituto Samaritano de Ensino. Desde o ano passado vem refletindo sobre o que quer ser quando crescer. Não fez testes vocacionais, nem procurou ajuda psicológica. Tem apenas pensado sobre suas habilidades e gostos pessoais, além de ter uma boa dose de conversa com os pais em casa, que recomendam, segundo ele, procurar algo que garanta satisfação pessoal e um bom salário. Está certo apenas de que vai prestar Direito na Unesp, já que gosta de ler textos relacionados a leis e vislumbra muitas oportunidades profissionais nos concursos públicos. Mas Lucas também já flertou com vários cursos das ciências humanas, como Letras. “Estou buscando algo de que gosto e ao mesmo tempo que me dê retorno financeiro”, afirma. Outro caso típico dessa fase é Jéssica Faria, 19. Terminou há dois anos o ensino médio. Durante o complexo percurso entre o mar de possibilidades profissionais e a escolha final, Jéssica apelou pelo menos umas cinco vezes para testes vocacionais, desses facilmente encontrados na internet. Os testes, segundo ela, ajudaram a confirmar certas convicções que já tinha consigo, mas faz a ressalva de que muitos contêm questões vagas que parecem não levar a nada. Nessa busca incessante pela resposta certa, ela já prestou Direito há mais de um ano, mas desencanou. Depois disso, a luz veio com a possibilidade de estudar Pedagogia. Não hesitou em prestar Unesp e Ufscar no final do ano passado, mas não passou. Agora vai fazer cursinho, tempo para rever seus conceitos novamente. “Tenho medo de não ser isso que realmente quero”, diz, apesar de considerar a pedagogia uma boa escolha porque acha ter facilidade para lidar com crianças. Além disso, pelo menos por ora, sonha em montar uma escola infantil.

Veja o quadro abaixo: