09 de julho de 2026

Perrengues no exterior


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SONO NO AEROPORTO - Após se desencontrar de sua amiga, João Guilherme teve que dormir no Aeroporto de Buenos Aires, conforme mostra sua foto de arquivo

Viajar é sempre bom. Viajar para outro país, melhor ainda. A possibilidade de se conhecer lugares distantes, pessoas novas, culturas diferentes é um atrativo e tanto para qualquer aventureiro e convenhamos que, no fundo, todo mundo guarda em si um espírito de aventura. Além disso, quem viaja para o exterior pode obter maior fluência em uma determinada língua, o que posteriormente enriquecerá o seu currículo. Mas, como nem tudo são flores, perrengues durante a viagem acontecem com quase todo mundo. De ficar perdido no idioma (e pelas ruas das cidades) a ser vítima de assaltos e ficar totalmente sem grana são apenas algumas das complicações. João Guilherme de Oliveira Pellegrini, 20, esteve há algumas semanas em Buenos Aires. Há algum tempo decidiu gravar com seus amigos um documentário sobre a América Latina, que se chamará Os Treze do Sul. A produção está prevista para estar pronta dentro de dois anos e, nesta primeira etapa, os jovens passaram pela Argentina e pelo Uruguai, a fim de iniciarem o trabalho que tem objetivo acadêmico. Em pouco tempo, o estudante já aprendeu bastante. Em compensação, não conseguiu fugir das situações inusitadas. Assim que chegou ao Aeroporto Internacional de Buenos Aires, notou que sua amiga, que deveria estar esperando para recebê-lo, não estava lá. Sem ter onde dormir, João passou a noite no aeroporto com seus amigos. No outro dia, descobriu que a colega achava que a turma chegaria no dia seguinte, por isso não foi buscá-los. E não foi só isso: depois, o jovem ainda foi assaltado no metrô e os ladrões levaram as chaves do abrigo onde ele estava hospedado. O estudante também contou que sentiu muita saudade do arroz com feijão do Brasil. “Na Argentina, a comida é acompanhada por purê de batatas em lugar de feijão e arroz”, explicou. O mochileiro, que tem gostado bastante da experiência, deu sua dica para quem quer se aventurar conhecendo o mundo. “É preciso se informar sobre tudo que puder a respeito de seu destino, pois nem sempre há guias. É importante estar preparado para imprevistos, pois eles ocorrerão”, aconselhou. O administrador Rogério Comparini Cintra, 30, passou um ano no exterior. Durante seis meses morou na Itália, com a finalidade de obter a cidadania italiana e viajar para a Inglaterra. Passou seis meses em Londres e conheceu a Espanha, França, Holanda, Irlanda e Escócia. Hoje, com inglês e italiano fluentes, Rogério disse que passou por muitas situações complicadas antes de falar bem a língua inglesa. Uma das histórias mais engraçadas das quais se lembra aconteceu enquanto ele trabalhava na limpeza de uma loja de departamentos. Um americano apareceu perguntando onde ficava o rest room (toalete, em inglês). Rogério não sabia o que era rest room e apontou para o restaurante. “O cara ficou bravo comigo depois”, contou o jovem, entre risadas. Rogério explicou que em Londres o emprego que você tem é equivalente ao seu nível de fluência na língua. Quando chegou lá, trabalhou na limpeza de um parque, limpou banheiros, foi ajudante de cozinha e depois analista financeiro. “Aprendi a dar valor em todas as profissões. Às vezes você só valoriza uma atividade quando trabalha nela”, disse. Assim como João Guilherme, Rogério também foi roubado, mas dentro da própria casa. Ele não sabia que seu cartão de banco chegaria por correio e que a sua senha também chegaria por carta no dia seguinte. Quando descobriu que os bancos de Londres trabalhavam assim, um “companheiro” que morava na pousada onde estava hospedado já havia roubado sua senha, seu cartão e todo o seu dinheiro. “Não tinha mais dinheiro para nada. Passei muito tempo comendo só pão”,lembra.

SAUDADE DE CASA

A professora Fernanda Guilherme, 24, viajou para os Estados Unidos por meio de um programa de intercâmbio. A jovem, que estudou inglês durante 10 anos, pode ganhar fluência na língua e aprender sobre a cultura estadunidense durante o ano em que se hospedou na casa de duas famílias, onde cuidava das crianças. Conheceu pontos turísticos dos Estados Unidos, como o Capitólio, fez amigos do mundo todo e teve a oportunidade de acompanhar de perto a posse do presidente Barack Obama em janeiro do ano passado. [FOTO2] Mas como nem tudo é fácil, Fernanda também passou por mudanças bruscas, o que acarretou em alguns desafios para a moça. Para ela, a saudade da família e do Brasil a afligia freqüentemente. Pelo menos uma vez por mês a professora sentia uma vontade imensa de voltar para casa. “Eu não podia ver ninguém da família na internet que já começava a chorar”, lembra.