A estudante Thaís Yamin de Oliveira Marin completou 15 anos de idade, o mesmo tempo que tem de vivência no Carnaval, já que é filha da mais antiga porta-bandeira em atividade em Batatais, a policial militar Ana Maria de Oliveira, 48. Seu debu é diferente do vivido pela maioria das garotas. Junto com a nova idade, completada há duas semanas, Thaís ganhou uma missão: substituir a mãe, às pressas, em um dos cargos mais importantes de uma entidade carnavalesca: ela será a porta-bandeira da Escola de Samba Castelo no desfile de Carnaval. Com 22 anos de passarela, Ana Maria recentemente sofreu uma contusão no tornozelo direito decorrente de problemas no nervo ciático. A direção da escola, então, não teve dúvidas e confiou a Thaís a função de se apresentar ao lado do mestre-sala da escola, Márcio Souza e Silva, 36, e garantir a nota 10 que o casal repetiu sucessivamente no quesito. "Foi um susto sim, eu não esperava. Mas estou me preparando muito, ensaiando todos os dias e tentando me aperfeiçoar cada vez mais", disse Thaís. Além de ter uma escola particular em casa, ela aprimorou o ofício no Nuapi (Núcleo de Aprendizagem Princesa Isabel), escola que forma casais de mestre-sala e porta-bandeira em Batatais projeto social exclusivo na região. Assim como Thaís, ao menos outras 80 crianças e jovens já passaram pela escola, em atividade desde meados de 2007, segundo uma das fundadoras e diretora do Núcleo, Joana D`arc Morais da Silva, 22. "A escola foi a realização de um sonho do meu pai (Paulo Miranda), que foi mestre-sala e estava preocupado em impedir que a arte dos casais de mestre-sala e porta-bandeira se perdesse em Batatais e região. Assim surgiu a ideia de criar uma escola, não apenas deste quesito, mas que agregasse todos os outros. Iniciamos com os casais, mas já neste ano pretendemos ensinar bateria e diferentes danças culturais", afirmou Joana, que desfilou por sete anos na Acadêmicos do Samba. Além de Joana, outros cinco sambistas experientes ensinam voluntariamente a arte atualmente para 40 alunos matriculados. "É um projeto social. Quem pode, contribui mensalmente com R$ 10. Quem não pode, não precisa pagar para freqüentar".
NO SAMBÓDROMO
A Castelo "adotou", além de Thaís, outras quase 40 crianças que desfilarão carregando o pavilhão da Nuapi em uma ala coreografada. Em menor quantidade, cerca de seis casais, as escolas Unidos da Liberdade e Acadêmicos do Samba também contarão com pequenos sambistas que passaram pelo núcleo de formação. [FOTO2] Entre eles está Cora de Freitas Pupin, de apenas 9 anos. Filha de um amante do Carnaval, o empresário João Bosco Pupin, ela vai desfilar pela Acadêmicos do Samba. "Ela gosta demais de samba, é muito dinâmica e a decisão de desfilar como porta-bandeira na Acadêmicos (do Samba) partiu dela. Tanto que ela se formou pela Nuapi e as crianças de lá vão sair na Castelo. Ainjda assim, ela escolheu ficar na Acadêmicos", contou o pai de Cora. Para quem quiser aprender a arte, Joana afirma que as inscrições estão abertas durante o primeiro semestre de cada ano. Basta comparecer à sede do Clube Princesa Isabel, em Batatais, levando documentos pessoais e estar acompanhado de um responsável maior de idade. As aulas acontecem quinzenalmente.