Não fossem tantas controvérsias, esse novo fetiche tecnológico poderia ser apontado como uma daquelas invenções divisoras de águas na história. Se os chineses inventaram o papel no ano 105 antes de Cristo; se no século 15 o alemão Johannes Gutemberg desenvolveu a prensa tipográfica, que permitiu a disseminação de livros impressos e não mais copiados à mão; e se os americanos criaram a internet em meados do século 20, a Amazon misturou tudo isso numa peça com espessura inferior a um lápis e com 280 gramas. A maior livraria do mundo concebeu o Kindle, que não por acaso significa, entusiasmar. E entusiasmo para ler não vai faltar aos novos usuários brasileiros do e-reader mais popular da atualidade. Provavelmente Gutemberg e companhia ficariam pasmos e de olhos arregalados com esse device, que tem o potencial de acumular uma biblioteca inteira em um espaço do tamanho de uma folha de papel. Mais que isso, com sua tela e-Ink permite uma leitura agradável, quase como na forma convencional (há controvérsias...). Vendido no Brasil há pouco mais de três meses apenas pela Amazon.com, já é comercializado nos Estados Unidos desde 2007. No ano passado, foram vendidos naquele país mais de três milhões de unidades de e-readers de diferentes marcas, segundo a Forrester Research, companhia que desenvolve pesquisa de mercado no setor de tecnologia. O modelo que já aterrissou em terras brasileiras é o Kindle 2, com tela de seis polegadas e que hoje pode ser comprado por US$ 544 (R$ 947), inclusa a taxa de importação de US$ 285. Tem capacidade de armazenar 1,5 mil livros. Além disso, poderá ser adquirido, a partir deste mês, o modelo Kindle DX. Com tela de 9,7 polegadas e capacidade de armazenar 3,5 mil livros, vai custar US$ 489 (não inclusa taxa de importação). Ele permite que você confira conteúdos de jornais, livros e revistas de diferentes países, conteúdos somente disponíveis à venda na Amazon.com, em sua maioria por US$ 10. Atualmente o site tem cerca de 400 mil livros disponíveis, incluindo a versão em inglês de O Símbolo Perdido (The Lost Symbol). O livro de Dan Brown, o mais recente da trilogia de sucesso iniciada com O Código da Vinci, conseguiu um feito único: teve mais vendas na versão digital que na versão de papel, na estreia em setembro. De conteúdo nacional, já podem ser lidos os jornais O Globo e Zero Hora, os primeiros a otimizar conteúdo para o Kindle - leituras de jornal são bem menos interessantes que no modo convencional, já que se perde muito em gráficos. Contra o Kindle há uma infinidade de modelos que começam a aparecer, mas que ainda não são vendidos oficialmente no Brasil, a não ser que você tente a sorte no Mercado Livre.
Veja os quadros abaixo