A dona de casa Aparecida Cintra, 59, esperou 13 anos para conseguir a casa própria. Há quatro anos foi contemplada com um dos 256 apartamentos do conjunto Parque Dom Pedro. No começo, viveu em paz, mas há dois anos seu sonho está virando pesadelo. A estrutura do condomínio, como área para festas, foi depredada. Todos os dias, o local fica tomado pelo lixo. Ela já pensou em se mudar, mas teria de pagar aluguel. “Deus me livre. Tem hora que dá medo de morar aqui”. O Condomínio Dom Pedro é um dos mais recentes na cidade. Completará quatro anos em agosto próximo, mas está em situação lastimável. O espaço é dividido em duas alas. Em ambas, as áreas destinadas às festas e reuniões tiveram os vidros das portas e janelas quebrados, paredes pichadas e estão tomados pelo lixo. Também se tornaram ponto para consumo de drogas. Mesmo durante o dia é possível flagrar usuários dentro dos imóveis. Enquanto consomem entorpecentes, as várias crianças que moram nos apartamentos circulam pelo espaço e assistem à cena que se tornou rotina. Os mutuários ficam indignados, mas se veem de mãos atadas. Preferem não agir para evitar brigas. “Os próprios moradores consomem. É muito ruim ver isso aqui, que era para ser um lugar familiar, mas está abandonado. As crianças ficam vendo eles usarem drogas e acabam influenciadas”, disse um morador que pediu anonimato. A depredação não se restringe aos quiosques de festas. As lâmpadas de pelo menos 12 postes de iluminação foram arrancadas. As tabelas de basquete das quadras estão destruídas. Extintores também foram furtados ou acionados pelos moradores sem necessidade. As famílias não sofrem apenas com a ação de vândalos. Problemas que poderiam ser evitados acabam sendo enfrentados diariamente por pura falta de educação dos próprios mutuários. O desleixo é facilmente flagrado no condomínio: o mato toma conta dos espaços e o lixo se espalha por vários pontos. Embalagens, copos, bitucas e até fraldas usadas estavam no chão ontem. “As pessoas que moram nos apartamentos mais altos jogam lixo lá de cima. Eu que moro no térreo sofro com isso. E tem que aguentar para não brigar”, disse Aparecida. Os blocos não possuem síndicos. É difícil achar quem queira assumir as responsabilidades no local. “Existe uma desunião. Poucos contribuem com as melhorias e conservação”, disse Chico Mendes, 54.
A repórter Nelise Luques conversou com alguns moradores do conjunto habitacional.
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A superintendente da Prohab (Habitação Popular de Franca), Valéria Marson, foi procurada ontem na Secretaria de Urbanismo e no celular, mas não retornou os recados deixados pelo Comércio nem atendeu o celular para falar sobre os problemas do conjunto habitacional. Evaldo Jardim, gerente-regional da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), não estava em Ribeirão Preto ontem. A reportagem tentou localizá-lo pelo celular durante toda a tarde, mas não conseguiu. A assessoria da CDHU em São Paulo também não o encontrou e não informou outro nome para a entrevista.