A diarista Shirley Bueno, 58, não tem carro. Ela vai a pé para o trabalho, mas nem assim está livre dos buracos. As calçadas que percorre para chegar ao destino estão muito danificadas. “Está difícil demais caminhar pela cidade. São muitos estragos pelo caminho. Resolver isso é uma questão de respeito com as pessoas”, disse, enquanto passava por um dos pontos mais críticos visitados pela reportagem do Comércio, na calçada do complexo da Secretaria de Saúde, na Avenida Chico Júlio.
No local, são aproximadamente 500 passos de sobe, desce e desvios. A calçada se divide em três faixas: barro, mato e concreto destruído pelas raízes das árvores. Quem passa pelo local anda em ziguezague ou no meio da rua para conseguir continuar o percurso. O funileiro Agenor Faria virou um observador dos pedestres que circulam por ali e confirma as dificuldades de se transitar pelo local. “As pessoas em cadeira de rodas, com muletas, ou mulheres com carrinho de bebê não conseguem passar. O jeito é ir pela avenida mesmo ou andar de uma calçada para outra”, disse.
Em outro ponto da cidade, constatações parecidas: há muitos obstáculos no local reservado para os pedestres. O pedreiro Pedro Ferracioli, 74, mora no Leporace II e sofre com a precariedade das calçadas e também já presenciou os riscos para outros moradores. “Numa simples volta pelo quarteirão, tenho que desviar de tocos de árvores que não foram retiradas por inteiro e do chão estufado. Muita gente já se esfolou caindo aqui”, disse, ao mostrar parte da calçada com um resto do tronco e o cimento levantado pelas raízes, na esquina da Rua Francisco Bernardes Silveira com a Avenida Geraldo Rocha Silva. “Cimento, pedra e areia são suficientes para consertar o problema”, sugere o pedreiro.
Alguns trechos do Centro encontram-se com as pedras do chão soltas, buracos, mato, sacos de lixo espalhados, montes de pedra brita e tijolos das construções e até mesmo restos de um colchonete. Sem contar os postes pela frente. Na Rua do Comércio, eles ocupam a calçada estreita e, sem passagem, as pessoas precisam continuar pela rua. A comerciária Abigail Brito, 42, gosta de trabalhar de salto e disse que precisa andar se equilibrando pelo Centro para não “cair nas armadilhas. É um desafio”.
O empresário José Kazan, 67, reclama dos estragos e cobra mudanças. “Os donos das casas precisam arrumar suas calçadas e a prefeitura fiscalizar mais, para ver como elas estão ruins”.
ARRUMA?
Segundo a secretária de Serviços Municipais e Meio Ambiente, Valéria Marson, está sendo feito um estudo pela prefeitura para resolver o problema das calçadas. Por enquanto não há previsão de reformar a calçada da Secretaria da Saúde.
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