Alessandro Macedo
da Redação
A chegada da puberdade para Heloísa Teófilo Saturi, 18, não lhe deixou boas lembranças. Aos 14 anos, com a primeira menstruação, vieram as famigeradas acnes, também conhecidas como cravos ou espinhas e que acometem cerca de 80% dos adolescentes. Só que, em seu caso, não foram dois ou três “comedões” que quase a deixaram louca e jogaram sua auto-estima lá para baixo. Heloísa teve o que os dermatologistas chamam de “acne severa” (Acne Conglobata), considerada de grau quatro numa escala que vai até cinco. Na época, sua vida virou de cabeça para baixo, seu guarda-roupas sofreu mudanças drásticas e sua vida social se restringiu ao convívio familiar.
Sabe aquelas horas nas quais um casal de namorados, entre uma jura de amor e outra passa a espremer os cravos um do outro? Nos casos leves de grau um, tudo não passa de pequenas inflamações liberadas pelos próprios dedos adolescentes. Basta uma espremida e “ploft”, lá se foi mais um cravo. Mas há casos em que as acnes podem ser tão evidentes que perturbam a qualidade de vida e desencadeiam ou agravam problemas emocionais.
Foi o que aconteceu com Heloísa. No início eram apenas espinhas típicas da adolescência. Depois elas foram piorando, começaram a aparecer nódulos purulentos em grande número, formando abscessos que atingiram não só o seu rosto, mas pescoço, peito e costas. O suficiente para procurar tratamento médico. “Procurei vários dermatologistas e fiz inúmeros tratamentos. Só depois de muitos testes encontrei o remédio certo para resolver o problema”.
Vendido apenas sob prescrição médica e com inúmeras restrições, o medicamento é um antibiótico indicado no tratamento de formas graves de acne (conglobata ou nódulo cística) e acnes resistentes a terapêuticas anteriores. O tratamento é feito de forma contínua e prolongada, por pelo menos quatro meses, e sob forte recomendação de cuidados pós-tratamento.
Maicon Fernandes de Lima, 22, também sofreu com a acne. Tomou todos os remédios possíveis, tentou dieta alimentar, tratamentos alternativos e nada. As cicatrizes em seu rosto começavam a deixá-lo depressivo. “Procurei um médico e só começamos um tratamento após muitas perguntas. Ainda tive que assinar um documento no qual assumia ter procurado outros caminhos até chegar à ‘última instância’”, diz Maicon. “Pensei que nunca veria meu rosto normal como antes, mas estou curado”.
CRAVO OU ESPINHA?
A acne é um problema que pode ter várias causas, uma delas até hereditária. “De maneira simplificada, cravo é quando não há inflamação. E espinha, quando a presença de bactérias na pele já provocou a inflamação”, diz o dermatologista Sérgio Henrique de Paula Tasso.
O primeiro é um pontinho preto ou branco, que aparece porque um poro entupiu por excesso de oleosidade. Já a espinha é a inflamação que ocorre em volta do cravo. A inflamação acontece porque as bactérias se aproveitam de todo o excesso de gordura que bloqueou o poro e começam a crescer e a se multiplicar, inflamando a região. Primeiro, o local fica vermelho. Depois, aparece aquele pontão amarelo que é o pus.
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