Se há crise no setor calçadista, as classes A e B não sabem disso. Ou pelo menos disfarçam. É a conclusão que se tira quando são consultados alguns dos setores de comércio e serviços voltados para esse público alvo, como turismo e produtos importados. No caso das viagens internacionais, por exemplo, as duas agências de viagens consultadas disseram que o movimento se mantém. Se comparadas as temporadas de verão 2004/2005 e 2005/2006 (períodos considerados bom e ruim para o setor calçadista, respectivamente), as viagens, incluindo cruzeiros, não sofreram nenhuma alteração. “Vendemos muitos pacotes tanto no período que vai de novembro de 2004 a fevereiro de 2005, quanto em 2005/2006”, disse Melissa Mourão Vasconcelos Pires, dona de uma agência local. Ana Laura Ávila, disse que em sua agência a procura por viagens também se manteve inalterada nesse período em comparação aomesmo do ano passado.
As perfumarias consultadas pela reportagem surpreenderam. Tidos como caros e supérfluos, os perfumes importados não faltaram nos armários dos consumidores de classes A e B. Pelo menos é a avaliação de Carina Kelli Rodrigues da Silva, gerente de uma loja do Franca Shopping. De acordo com Carina, as vendas desses produtos aumentaram em relação ao ano passado, sem informar a porcentagem. “O que posso dizer é que tanto o movimento quanto a compra final tiveram um acréscimo este ano”.
A cabeleireira Zelma Monteiro, cujo salão também atende classe A e B, também disse não se sentir afetada pela crise. “O movimento continua normal, na verdade, o salão está bem cheio”, disse.
Mesmo as joalherias, que registraram pequena queda nas vendas e se surpreenderam com um aumento no número de cheques sem fundo no comecinho do ano, afirmam que os negócios já estão se recuperando. “Janeiro e fevereiro foram atípicos. Tivemos queda nas vendas entre 10% e 15%, que já estão se normalizando em março”, disse Leandro de Almeida Vilaça, sócio de uma joalheria, sem saber ao certo se há relação com a crise calçadista.
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