A Unicamp terá um espaço permanente de atuação no Memorial da América Latina, na capital paulista, pelos próximos 25 anos. Um acordo firmado nesta segunda-feira (26) entre a universidade e a fundação responsável pelo centro cultural prevê a utilização de uma área de aproximadamente 450 metros quadrados, destinada à realização de atividades acadêmicas, científicas e culturais. A iniciativa também abre caminho para a criação de um curso voltado aos estudos latino-americanos a partir de 2027.
O termo de compromisso representa uma nova etapa da cooperação entre as duas instituições e amplia a presença da universidade de Campinas na cidade de São Paulo. O espaço poderá abrigar seminários, encontros de pesquisadores, reuniões acadêmicas, ensaios e pequenas apresentações artísticas, especialmente nas áreas de dança e artes cênicas. A proposta é transformar a estrutura em um ponto de encontro para projetos que envolvam universidades e pesquisadores de diferentes países da América Latina.
Para o reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner, a parceria está alinhada à estratégia de internacionalização da instituição, que busca fortalecer a cooperação acadêmica com os países latino-americanos. Segundo ele, a aproximação entre a universidade e o Memorial cria oportunidades para ampliar o intercâmbio de conhecimento e desenvolver iniciativas conjuntas de longo prazo.
Entre os projetos em discussão está a criação de um curso dedicado aos estudos latino-americanos, com participação de pesquisadores da Unicamp, a partir de 2027. As instituições também avaliam a possibilidade de estabelecer uma cátedra conjunta, voltada ao desenvolvimento de atividades acadêmicas e à produção de conhecimento sobre a região.
A pró-reitora de Extensão, Esporte e Cultura da Unicamp, Sylvia Furegatti, explica que a cessão do espaço é resultado de uma reaproximação iniciada após o período da pandemia, quando o diálogo entre as instituições perdeu intensidade. A retomada coincidiu com o interesse do Memorial em ampliar suas atividades acadêmicas e científicas, além da programação cultural tradicionalmente oferecida ao público.
A universidade já vinha ocupando o centro cultural com exposições, incluindo uma mostra dedicada ao antropólogo Carlos Rodrigues Brandão, realizada entre julho e agosto de 2026, e outra com trabalhos de professores artistas do Instituto de Artes (IA). Com a nova estrutura, essas iniciativas poderão ganhar continuidade e ser acompanhadas por uma programação mais ampla de encontros, apresentações e atividades de extensão.
Inaugurado em 1989, o Memorial da América Latina foi concebido pelo antropólogo Darcy Ribeiro e projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Localizado na Barra Funda, em São Paulo, o complexo nasceu com a proposta de promover a integração cultural, política e intelectual dos países latino-americanos, mas também se consolidou como espaço para shows, exposições e grandes eventos.
O diretor-presidente da Fundação Memorial da América Latina, Pedro Machado Mastrobuono, considera que a aproximação com a Unicamp pode contribuir para recuperar a dimensão acadêmica que orientou a criação do complexo. A intenção, segundo ele, é estimular a circulação de pesquisadores, artistas e estudantes, sem transformar o espaço em um conjunto de instalações independentes ocupadas por diferentes instituições.
Essa proposta também orienta os planos do Centro Brasileiro de Estudos da América Latina (CBEAL), vinculado ao Memorial. Seu diretor, Gabriel Dib Daud De Vuono, defende a transformação do complexo em um distrito acadêmico e científico latino-americano, reunindo universidades, centros de pesquisa e redes internacionais em projetos compartilhados.
A participação da Unicamp deverá contribuir para essa articulação, tanto na produção científica quanto no intercâmbio cultural e artístico. O acordo de 25 anos estabelece uma base física para a cooperação, enquanto os projetos acadêmicos e a programação de atividades serão desenvolvidos pelas instituições ao longo da parceria.