A vida é uma grande cozinha. Tem gente que gosta de doce, outros preferem salgado, alguns não dispensam uma pimentinha e há quem ache defeito até na água! O mundo é uma salada de gostos e desgostos. O segredo está na dose dos ingredientes.
Conta-se que um mineiro entrou numa cafeteria e pediu um café. Quando a xícara chegou, despejou tanto açúcar que quase a encheu até a boca. O freguês ao lado, espantado, perguntou:
— Uai, por que você não acaba de encher a xícara de açúcar?
O mineiro respondeu, tranquilo:
— É que eu gosto do café meio amarguinho!
Está aí uma lição de vida: cada um tem seu gosto, mas nem sempre sabe dosar o tempero!
E onde entram o cético e o acético nessa cozinha?
O cético é aquele que duvida, pergunta e não engole qualquer conversa. Na ciência, na educação e na filosofia, isso ajuda a descobrir a verdade. Na política, evita engolir promessas de candidatos que oferecem banquetes e entregam marmitas vazias.
Mas, quando a dúvida passa da conta, ninguém presta, nada funciona e até o cozinheiro vira suspeito! O sujeito desconfia tanto que, quando a felicidade bate à porta, pergunta quem mandou e qual é o interesse.
Já o acético, nesta brincadeira com as palavras, representa quem perdeu o gosto pela vida. Tudo lhe parece sem graça: o trabalho, a arte, o amor e até o domingo! Literalmente, acético se relaciona ao ácido acético, presente no vinagre. Não confundir também com asséptico, aquilo que está livre de contaminação. Por analogia, o asséptico seria quem evita tanto os riscos e as emoções que acaba vivendo numa redoma.
Decepções, medos e frustrações podem alimentar a desconfiança ou a indiferença. O cético ainda prova a comida, mas quer conhecer os ingredientes. O indiferente nem olha para o prato. Um questiona a receita; o outro parece ter perdido a fome.
A vida oferece um cardápio variado. Na educação, saboreamos o conhecimento; nas artes, a emoção; no comércio, a confiança; nas profissões, o trabalho bem-feito. No casamento, o tempero é a parceria; no pensamento, a liberdade; na política, a responsabilidade; e, na religião, para quem acredita, a fé e a esperança.
E os temperos? O sal realça o sabor, mas em excesso estraga a comida. O açúcar adoça, mas pode esconder a verdade. A pimenta anima, mas também faz chorar. O vinagre dá personalidade à salada, porém, se exagerarmos, ninguém consegue comê-la.
Assim são as pessoas: uma pitada de dúvida evita a ingenuidade; uma dose de coragem enfrenta desafios; um pouco de humor alivia os aborrecimentos. E o sal da terra? São aqueles que melhoram a vida dos outros com atitudes concretas, sem precisar anunciar o cardápio inteiro.
O gosto influencia nossa satisfação, mas não podemos viver apenas do que agrada. Quem só quer açúcar não suporta uma contrariedade; quem só procura amargura reclama até da sobremesa!
O sabor da vida nasce dos contrastes: sem dificuldades, talvez não valorizássemos as conquistas; sem diferenças, o mundo seria uma salada de um só ingrediente. O importante é experimentar, aprender e corrigir a receita, sem deixar que uma gota a mais de vaidade, intolerância ou indiferença estrague o conjunto.
A moral é simples: não precisamos concordar com todos, acreditar em tudo ou gostar de tudo. Precisamos conservar a curiosidade, o bom senso e a vontade de participar.
Afinal, viver é saber temperar. A melhor receita não é aquela em que um ingrediente domina os demais, mas aquela em que todos contribuem para um conjunto saboroso.
Que saibamos ser o sal da terra, sem salgar demais; a pimenta, sem incendiar; e o açúcar, sem enjoar. Porque não somos apenas clientes do restaurante chamado mundo: somos também ingredientes da salada. E, quando cada um contribui com o melhor de si, torna-se parte indispensável de um conjunto que vale a pena saborear!
Onde você se enquadra no texto desta crônica?