22 de outubro de 2026
POLÍTICA

Flávio Paradella: Dário lidera mobilização por Flávio Bolsonaro

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 7 min
Divulgação
Prefeito reúne partidos para ato de sábado; Rafa Zimbaldi também convoca apoiadores, enquanto Wandão participa da campanha de Lula.

Quem acompanhou os primeiros movimentos da campanha presidencial em Campinas talvez tenha dificuldade para reconhecer o cenário político desta reta final. O prefeito Dário Saadi (Republicanos), que inicialmente demonstrava discrição no apoio a Flávio Bolsonaro (PL), assumiu um protagonismo que vai muito além de declarar o próprio voto. Agora, organiza encontros, reúne dirigentes partidários, mobiliza vereadores, aparece em vídeos e convoca pessoalmente apoiadores para uma manifestação no sábado (24), no Centro de Convivência Cultural. A mudança é expressiva. Se antes havia dúvidas sobre o tamanho do envolvimento do prefeito, hoje elas deram lugar a uma articulação pública e organizada.

A movimentação ganhou corpo na reunião desta semana, quando Dário apareceu cercado por representantes de diferentes legendas para anunciar o ato de sábado, às 10h, no Teatro de Arena, no Centro de Convivência. A articulação reúne integrantes do Republicanos, PL, PP, PSD e conta também com o apoio do Novo de Campinas. Entre os nomes envolvidos estão o presidente da Câmara, Luiz Rossini (Republicanos), vereadores da base governista, a deputada estadual Valéria Bolsonaro (PL), a secretária municipal Adriana Flosi (PSD) e o vereador Nelson Hossri (PSD). A composição demonstra que o apoio ao candidato presidencial deixou de ser apenas uma manifestação individual de Dário para ganhar a estrutura de uma articulação entre lideranças políticas locais.


Divulgação

O mais interessante é observar quem ocupa o centro dessa movimentação. Seria natural imaginar que a organização de um ato pela candidatura de Flávio Bolsonaro estivesse principalmente nas mãos do PL, partido do presidenciável. Mas quem aparece conduzindo a mobilização é o próprio prefeito de Campinas, filiado ao Republicanos, mesma legenda do governador Tarcísio de Freitas, ex-ministro de Jair Bolsonaro e o grande nome de apoio a Flávio no estado

Outro personagem chama a atenção nessa mobilização, embora por um caminho diferente: Rafa Zimbaldi (União Brasil). Adversário de Dário nas eleições municipais de 2020 e 2024, o deputado estadual também apoia Flávio Bolsonaro e utilizou suas redes sociais para convocar a população ao ato de sábado, confirmando que estará presente. É importante fazer uma distinção: Rafa não participou da reunião organizada por Dário, tampouco os dois apareceram juntos nessa articulação. O vínculo entre eles, neste momento, é o apoio ao mesmo candidato presidencial e a convocação para a mesma manifestação. Estão, portanto, do mesmo lado nessa disputa, ainda que à distância. E isso já representa uma curiosidade política, considerando o histórico de confrontos entre ambos na política campineira.

O que existe é uma coincidência de posicionamento na eleição presidencial, suficiente para colocar dois adversários históricos em defesa de uma mesma candidatura, sem que precisem dividir a mesma mesa. É uma daquelas situações em que a política nacional aproxima posições, mas não necessariamente aproxima personagens.

A transformação na postura de Dário também merece ser examinada à luz das últimas semanas. No primeiro turno, o prefeito esteve presente em eventos de apoio a Flávio Bolsonaro, mas dedicou à candidatura presidencial uma exposição bem menor do que aquela reservada à campanha de Tarcísio. Depois, no dia 8 de outubro, publicou em suas próprias redes sociais um vídeo declarando expressamente o voto no candidato do PL. Agora, deu mais um passo e passou a atuar diretamente na mobilização de outros políticos e apoiadores. Há uma sequência clara: da presença em eventos ao posicionamento pessoal, e deste à organização de um movimento político. As razões dessa intensificação podem envolver alinhamento partidário, relações com Tarcísio e a própria dinâmica do segundo turno, mas não há elementos suficientes para atribuí-la a uma motivação única.


Divulgação/PSB Campinas

Do outro lado da cidade, a campanha de Lula (PT) também prepara sua demonstração de força. O diretório municipal petista convocou uma manifestação para sábado, com concentração a partir das 9h30 na Estação Cultura. A mobilização dá continuidade aos atos realizados nas últimas semanas, incluindo a grande manifestação do dia 11, que ocupou o Largo do Rosário e trechos da Avenida Francisco Glicério. Nesta quarta-feira (21), a campanha petista voltou às ruas de Campinas com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e de lideranças locais. Entre elas estava o vice-prefeito Wanderley de Almeida, o Wandão (PSB), que participou da mobilização ao lado de Alckmin.

É nesse ponto que a disputa presidencial produz uma das imagens mais interessantes da política campineira. Dário e Wandão administram juntos a Prefeitura, mas estão em campos opostos na eleição nacional. O prefeito organiza a mobilização por Flávio Bolsonaro, enquanto o vice participa dos atos pela reeleição de Lula.

Os dois pertencem a partidos diferentes e podem exercer suas escolhas eleitorais sem que isso implique, até aqui, em rompimento político. Ainda assim, a exposição pública desses posicionamentos cria uma situação pouco habitual: os dois principais integrantes do Executivo campineiro aparecem em palanques presidenciais adversários, às vésperas de uma eleição marcada pela feroz polarização.

A coincidência dos atos de sábado também é significativa. De um lado, apoiadores de Flávio Bolsonaro estarão concentrados no Centro de Convivência. Do outro, militantes e lideranças favoráveis a Lula partirão da Estação Cultura. São manifestações convocadas para regiões bem próximas da cidade, e ambas pretendem demonstrar capacidade de mobilização na véspera da votação. O tamanho dos atos poderá revelar a disposição das militâncias e a força de organização dos grupos políticos.

A ofensiva liderada por Dário também deixa questões interessantes para depois de domingo. A reunião de políticos de diferentes partidos, a participação de integrantes do governo municipal e o apoio à mesma candidatura por antigos adversários revelam movimentos que merecerão ser acompanhados. A eleição de 2026 coloca personagens na defesa de uma causa nacional comum; as disputas locais, inclusive as de 2028, obedecerão a interesses e circunstâncias próprios.

O que já pode ser afirmado é que o segundo turno provocou uma mudança visível no comportamento político do prefeito de Campinas. A discrição do início da campanha ficou para trás. Dário passou a associar publicamente sua imagem à candidatura de Flávio Bolsonaro e, mais recentemente, assumiu uma posição de destaque na articulação de seus apoiadores.

No sábado, Campinas terá dois atos e duas mobilizações presidenciais. Mas a curiosidade política vai além da distância entre o Centro de Convivência e a Estação Cultura: passa também pelos dois ocupantes dos principais gabinetes do Palácio dos Jequitibás.

Na administração municipal, Dário e Wandão seguem lado a lado. Na disputa presidencial, cada um escolheu seu palanque. Na próxima segunda, um outro jogo se inicia.

Apoio improvisado


Reprodução

A passagem do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ex-ministro Fernando Haddad (PT) por Campinas, nesta quarta-feira (21), teve discursos, embates políticos e mobilização eleitoral. Mas um detalhe da organização da coletiva de imprensa não passou despercebido.

Para receber um vice-presidente da República, que também governou São Paulo por quatro mandatos, e um ex-ministro, faltou um equipamento relativamente simples: um púlpito para acomodar os microfones. A solução encontrada às pressas foi uma modesta estante de plástico, dessas que normalmente cumprem funções bem menos solenes.

O improviso resolveu o problema, os microfones ficaram acomodados e a coletiva aconteceu normalmente. Nada que comprometesse o evento, mas o contraste entre a importância dos entrevistados e a simplicidade da estrutura rendeu uma curiosidade de bastidor.

Dizem que, depois da experiência, a organização já estaria pesquisando nos marketplaces um púlpito de acrílico para as próximas ocasiões.

Afinal, na política, até o improviso precisa de algum suporte.

Campinas mantém locais de votação


Agência Brasil

Os eleitores de Campinas votarão nos mesmos locais utilizados no primeiro turno das eleições de 2026. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), não houve alterações nos endereços das seções eleitorais da cidade para o segundo turno, marcado para este domingo (25).

Em todo o estado de São Paulo, apenas dois locais de votação precisaram ser alterados, um na capital paulista e outro em Presidente Prudente. As mudanças foram necessárias após danos provocados pelas fortes chuvas em prédios que seriam utilizados pela Justiça Eleitoral.

Na capital, eleitores de 12 seções da Escola Estadual Conselheiro Ruy Barbosa, no Tucuruvi, passarão a votar no Recanto Nossa Senhora de Lourdes. Já em Presidente Prudente, a votação foi transferida para a Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que 444 seções eleitorais em 22 estados tiveram mudanças de endereço para o segundo turno. As alterações afetam aproximadamente 130 mil eleitores em todo o Brasil.

Apesar da manutenção dos locais em Campinas, o TRE-SP ressalta que novas mudanças pontuais ainda podem ocorrer até domingo, caso sejam identificadas situações extraordinárias.

Como consultar o local de votação

Para evitar contratempos, a Justiça Eleitoral recomenda que os eleitores verifiquem antecipadamente o endereço e o número da seção eleitoral.

A consulta pode ser feita gratuitamente pelos seguintes canais: