13 de outubro de 2026
POLÍTICA

Flávio Paradella: Atos pró-Lula acirram clima eleitoral

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 5 min
Reprodução
Mobilizações em Campinas e pelo país dão novo ânimo à campanha petista após primeiro turno e mostram que a disputa segue aberta.

A primeira semana do segundo turno presidencial não foi exatamente tranquila para o presidente Lula (PT). Depois de uma votação que surpreendeu parte de sua campanha, com Flávio Bolsonaro (PL) terminando o primeiro turno na dianteira, a esquerda atravessou dias de cobranças, desencontros e questionamentos sobre a condução da disputa. O próprio Lula reconheceu problemas na organização da campanha. Mas a política tem dessas coisas: quando parecia que o abatimento começava a tomar conta de um lado, as ruas trouxeram um fato novo para a eleição.

As manifestações do domingo (11), realizadas em dezenas de cidades brasileiras, deram uma demonstração importante da capacidade de mobilização dos apoiadores do presidente. A Avenida Paulista recebeu uma multidão, enquanto atos também ocorreram em capitais e municípios do interior. A programação reuniu atividades em pelo menos 76 cidades, segundo levantamento divulgado pela imprensa. Não significa que o cenário eleitoral tenha sido invertido, mas representa uma mudança perceptível no ambiente político de uma campanha que vinha tentando reagir ao resultado do primeiro turno.

Campinas ofereceu um dos exemplos mais expressivos dessa mobilização. O Largo do Rosário ficou tomado por manifestantes, que também ocuparam trechos da Avenida Francisco Glicério e percorreram outras vias do Centro. A dimensão da passeata impressionou, especialmente pela capacidade de reunir pessoas numa manhã de domingo e transformar uma região tradicional da cidade em palco de manifestação política. Não existe uma contagem oficial do público. Independentemente da disputa por números, o que se viu foi uma mobilização de grandes proporções, capaz de devolver entusiasmo a um grupo político que havia começado a semana passada sob forte pressão.

E talvez esse seja o principal significado dos atos. Manifestações não substituem pesquisas eleitorais, muito menos podem ser confundidas com votos depositados nas urnas. Uma multidão reunida numa avenida representa pessoas dispostas a participar de um movimento político, mas não necessariamente uma mudança de preferência entre aqueles que ainda estão indecisos. O efeito mais imediato é sobre a própria campanha: militância mobilizada, apoiadores mais animados e uma demonstração pública de que existe disposição para disputar o segundo turno até o fim. Em eleições polarizadas, essa capacidade de manter a base engajada possui relevância política.

O contraste com os primeiros dias depois da votação é evidente. A campanha de Flávio Bolsonaro saiu do primeiro turno com o impulso de ter terminado à frente do presidente e passou a colecionar apoios, enquanto Lula precisou lidar com críticas à estratégia adotada e com a necessidade de reorganizar sua mobilização. Os atos de domingo introduziram um elemento diferente nessa dinâmica. A vantagem conquistada nas urnas em 4 de outubro continua sendo um fato, mas a campanha petista mostrou que possui capacidade de reação nas ruas. Para o grupo de Flávio, a mobilização adversária é um dado que precisa entrar no cálculo político. Para o grupo de Lula, representa a oportunidade de transformar entusiasmo em trabalho de campanha.

Há também uma característica importante no caso de Campinas. Estamos falando de uma cidade com forte presença de diferentes correntes políticas, onde o resultado presidencial depende de um eleitorado muito mais amplo do que aquele que participa de manifestações. O ato no Largo do Rosário demonstrou capacidade de organização de setores ligados à esquerda e ao campo progressista, mas o desafio eleitoral permanece: alcançar quem não esteve nas ruas, dialogar com eleitores menos identificados com os partidos e tentar ampliar a votação até o dia 25. Mobilizar os convencidos é uma etapa. Conquistar novos votos é outra, bem mais difícil.

Do lado de Flávio Bolsonaro, também existe uma campanha em andamento, com alianças, estrutura partidária e o capital eleitoral demonstrado no primeiro turno. Nada disso desapareceu porque os adversários realizaram manifestações expressivas. Assim como seria precipitado tratar a dianteira inicial como garantia de vitória, também seria um erro interpretar a mobilização de domingo como prova de uma virada eleitoral. As ruas mostram disposição política. Quem define o resultado é o conjunto dos eleitores, inclusive aqueles que não frequentam atos, não carregam bandeiras e não participam das disputas nas redes sociais.

O fato é que o segundo turno ganhou um novo capítulo. Depois de uma semana de dificuldades, a campanha de Lula encontrou nas manifestações uma demonstração pública de apoio e uma oportunidade de reorganizar o discurso de mobilização. A de Flávio, por sua vez, tem diante de si um adversário que mostrou capacidade de reunir apoiadores em diferentes regiões do país.

Até 25 de outubro, muita coisa ainda pode acontecer. Pesquisas, debates, propostas, episódios de campanha e a capacidade de convencer eleitores continuarão influenciando a disputa.

O primeiro turno estabeleceu uma vantagem. As manifestações mostraram que a disputa política continua. E nenhuma multidão, por maior que seja, substitui a decisão que será tomada nas urnas.

Missão internacional


Divulgação/PMC

O prefeito de Campinas, Dário Saadi (Republicanos), embarca nesta terça-feira (13) para a China, onde cumprirá uma agenda voltada à atração de investimentos e ao fortalecimento das relações comerciais e institucionais. Durante sua ausência, o vice-prefeito Wanderley de Almeida, o Wandão (PSB), assume o comando da Prefeitura até a próxima segunda-feira (19), data prevista para o retorno do titular.

A viagem ocorre a convite da cidade chinesa de Fuzhou, que mantém uma relação de cidades-irmãs com Campinas há três décadas. Dário participará da Conferência Mundial de Equipamentos Marítimos 2026, encontro que reúne representantes de governos, empresas e instituições de pesquisa para discutir inovação tecnológica, cooperação industrial e oportunidades de negócios.

Segundo a Prefeitura, a participação busca ampliar os contatos com empresas e instituições chinesas, além de identificar possibilidades de novos investimentos em Campinas. O comunicado não detalha negociações específicas ou projetos de investimento já encaminhados.

A agenda internacional também marcará os 30 anos do acordo de cidades-irmãs entre Campinas e Fuzhou, firmado em 8 de novembro de 1996.

Durante a visita, está prevista a assinatura de um Memorando de Entendimento para ampliar a cooperação entre os dois municípios. O documento deverá contemplar áreas como economia, comércio, educação, cultura e intercâmbio entre jovens.

A iniciativa pretende fortalecer o relacionamento institucional e abrir espaço para futuras parcerias. A assinatura do memorando, porém, não representa necessariamente a confirmação de investimentos financeiros.

Antes de viajar, Dário transmitiu oficialmente o cargo ao vice-prefeito Wanderley de Almeida na manhã desta terça-feira.

Wandão ficará responsável pela administração municipal até 19 de outubro, período em que exercerá as atribuições de prefeito, incluindo o acompanhamento dos serviços públicos e das atividades do Executivo.

Com o retorno de Dário, previsto para a próxima segunda-feira, o vice-prefeito reassumirá suas funções habituais.