Uma sequência de nomeações feitas pelas prefeituras de Campinas e Valinhos em 2025 passou a ser examinada pelo Ministério Público de São Paulo. A suspeita é de que cargos comissionados tenham sido usados em uma eventual troca de indicações entre integrantes dos dois governos.
A Promotoria abriu uma apuração preliminar após receber uma representação sob sigilo. O procedimento cita a secretária de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação de Campinas, Adriana Flosi, e o prefeito de Valinhos, Franklin Duarte de Lima (PL), e cobra explicações das duas administrações.
O ponto central da apuração é descobrir se as nomeações foram independentes ou se houve algum tipo de reciprocidade. É justamente essa combinação que pode caracterizar o nepotismo cruzado, prática em que parentes ou pessoas ligadas a agentes públicos são nomeados em estruturas diferentes como forma de contornar a proibição de favorecimento familiar.
A primeira nomeação mencionada ocorreu em 21 de janeiro de 2025, quando Campinas colocou Thiago Duarte da Silva em um cargo de assessor na Secretaria de Desenvolvimento Econômico. A representação aponta vínculo familiar entre ele e o prefeito de Valinhos.
Pouco mais de uma semana depois, em 29 de janeiro, a Prefeitura de Valinhos nomeou Fernanda Boselli Rosset Flosi para atuar como assessora na Secretaria de Cultura e Turismo.
O procedimento também analisa uma nomeação posterior feita por Campinas. Em 29 de setembro, Taini Verena de Souza Ribeiro assumiu a função de coordenadora departamental de Tecnologia e Inovação, novamente dentro da secretaria comandada por Adriana Flosi.
Taini é apontada como companheira de Rodrigo Ribeiro, secretário de Governo de Valinhos.
Com base nessa sequência, o MP pretende verificar quem indicou cada nome, quais critérios foram usados e se houve participação de agentes dos dois municípios nas escolhas.
As prefeituras terão 30 dias para prestar esclarecimentos.
Em nota enviada a coluna: a Prefeitura de Campinas informa que “não houve qualquer ajuste ou favorecimento nas nomeações. Os responsáveis pelas indicações não possuem relação de parentesco com os nomeados, e a ocupação dos cargos em comissão seguiu as regras previstas na Constituição Federal e o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Dessa forma, não há configuração de nepotismo.
Os servidores da Prefeitura de Campinas apresentaram, por iniciativa própria, pedido de exoneração dos cargos, com o objetivo de preservar sua privacidade diante da exposição provocada pelo procedimento em andamento. Os pedidos foram aceitos pela Secretaria.
A Prefeitura permanece à disposição do Ministério Público e dos órgãos de controle para prestar todas as informações necessárias.Governo Dário também tem outro caso sob análise”
Já Valinhos informou que “não foi notificada pelo Ministério Público sobre qualquer investigação relacionada a suposto nepotismo envolvendo o Município e desconhece a existência de apuração sobre o tema.”
A discussão sobre nomeações familiares não se limita ao episódio envolvendo Valinhos.
Outra representação levada ao Ministério Público questiona a escolha de Tiago dos Reis Magoga, irmão do secretário municipal de Habitação, Eduardo Magoga (Podemos), para comandar o Departamento de Licenciamento Ambiental de Campinas.
Nesse caso, a suspeita apresentada ao MP é diferente. A apuração procura saber se a nomeação foi baseada em critérios técnicos ou se houve interferência política dentro do próprio grupo que integra o governo Dário Saadi.
Tiago foi nomeado para uma função na Secretaria do Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade, chefiada por Braz dos Santos Adegas Júnior, também ligado ao Podemos.
A representação levanta a hipótese de favorecimento indireto, mas o simples fato de Tiago ser irmão de outro secretário não caracteriza, por si só, nepotismo cruzado. Para isso, seria necessário demonstrar articulação, troca de favores ou influência concreta na nomeação.
O documento apresentado ao MP menciona ainda uma passagem anterior de Tiago Magoga pela administração municipal.
Ele já havia ocupado função na Corregedoria da Guarda Municipal, e a forma de preenchimento do cargo acabou questionada judicialmente. A Justiça determinou que aquelas funções fossem exercidas por servidores efetivos da corporação.
Agora, a discussão envolve um posto ligado diretamente ao licenciamento ambiental de obras e empreendimentos, área considerada sensível pela capacidade de interferir em projetos econômicos e urbanísticos.
Nos dois procedimentos, o Ministério Público ainda está em fase de apuração e não reconheceu oficialmente a ocorrência de qualquer irregularidade.
O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Unicamp está organizando uma caravana de Campinas para São Bernardo do Campo para acompanhar o lançamento da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ato será realizado neste domingo (16), primeiro dia em que a legislação eleitoral permite oficialmente a realização de comícios e outros atos de campanha.
A entidade estudantil abriu inscrições para interessados em participar da viagem e anunciou um ônibus com saída às 6h do Bolsão do RU, no campus da Unicamp, em Barão Geraldo. O evento está marcado para as 9h, no Estádio 1º de Maio, conhecido como Vila Euclides, em São Bernardo do Campo.
Na divulgação da caravana, o DCE classifica o lançamento como um "momento histórico" e convoca os estudantes a participarem do ato. A publicação também faz referência à "unidade contra a extrema-direita". A organização informou ainda que há saída prevista de Limeira.
A escolha da Vila Euclides tem forte componente simbólico para a campanha. Foi no estádio que Lula ganhou projeção nacional como líder sindical durante as grandes greves dos metalúrgicos do ABC no fim da década de 1970, antes da fundação do PT e de sua entrada na política institucional.
Agora, mais de quatro décadas depois, o presidente retorna ao local para abrir oficialmente sua campanha em busca de um quarto mandato no Palácio do Planalto. Lula foi presidente entre 2003 e 2010, voltou ao cargo em 2023 e tenta a reeleição neste ano.
A candidatura já havia sido oficializada na convenção partidária realizada em 2 de agosto. O evento deste domingo, porém, marca a largada da campanha nas ruas, coincidindo com o início do período autorizado pela Justiça Eleitoral.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) novamente compõe a chapa com Lula e está entre os nomes esperados no ato. Também estão previstas participações de lideranças políticas e candidatos aliados.
O evento em São Bernardo também deve começar a consolidar o discurso que Lula levará para a disputa presidencial.
A estratégia passa pela defesa das realizações do atual mandato e pela apresentação de propostas para um eventual novo governo, além de explorar temas políticos que ganharam espaço nos últimos meses.
Entre eles está a defesa da soberania nacional, incorporada ao discurso eleitoral do petista diante dos recentes embates entre o governo brasileiro e os Estados Unidos.
O simbolismo dos primeiros atos não é exclusividade da campanha de Lula. Outros candidatos à Presidência também escolheram locais ligados às próprias trajetórias ou bases políticas para iniciar a campanha neste domingo.