O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou a visita ao Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em São José dos Campos, nesta sexta-feira (7), para fazer uma defesa enfática da ciência e dos dados produzidos pelo instituto.
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Em seu discurso, Lula também criticou os chamados negacionistas, afirmou que o Brasil pode alcançar a meta de desmatamento zero até 2030 e falou sobre as recentes divergências com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além de criticar os “governos anteriores” que defendiam a privatização de empresas como a Petrobras.
Ao comentar os resultados apresentados pelo Inpe sobre a redução do desmatamento na Amazônia e em outros biomas brasileiros, Lula destacou a importância de trabalhar com informações técnicas em vez de opiniões ou versões sem comprovação.
“É muito difícil trabalhar na base do eu acho, eu penso, eu acredito”, afirmou o presidente, ao defender que as decisões públicas sejam tomadas a partir de informações corretas.
Em um dos momentos mais contundentes do discurso, Lula afirmou que o governo não é formado por “negacionistas” e que o país está acompanhando de perto os efeitos das mudanças climáticas.
“Nós não somos negacionistas. Nós estamos vendo as coisas acontecerem”, declarou.
Mais adiante, o presidente voltou ao tema ao defender investimentos em pesquisa científica e tecnológica. Segundo Lula, é necessário convencer os negacionistas de que recursos destinados à ciência não representam desperdício de dinheiro público.
“Investir em pesquisa é apostar que a gente acredita na nossa capacidade de fazer coisas mais novas e de melhor qualidade”, disse.
As críticas ocorreram em um contexto de forte polarização política no país. Sem citar diretamente Jair Bolsonaro ou os filhos do ex-presidente, Flávio e Eduardo Bolsonaro, Lula fez referências a adversários e à disputa política ao defender a divulgação dos resultados de seu governo.
“Quem está no governo, se não mostrar o que fez, os adversários vão mostrar”, afirmou.
Lula também aproveitou a passagem pelo Inpe para elogiar pesquisadores e servidores do instituto. O presidente afirmou ter orgulho da produção científica brasileira e destacou a capacidade do país de desenvolver tecnologia e gerar conhecimento.
A visita ocorreu justamente durante a apresentação de dados sobre a redução do desmatamento. Lula ressaltou que o governo assumiu uma meta considerada ambiciosa: chegar ao desmatamento zero até 2030.
Segundo ele, os números indicam que o objetivo pode ser alcançado caso o ritmo atual seja mantido, com continuidade das políticas públicas e dos investimentos necessários.
O presidente também defendeu uma maior integração entre União, estados e municípios no combate ao desmatamento. Para Lula, prefeitos precisam ser parceiros das políticas ambientais, já que conhecem de perto as áreas afetadas e podem ajudar na fiscalização.
Outro trecho de destaque do discurso foi dedicado à relação com Donald Trump. Lula contou que já se reuniu com o presidente norte-americano e afirmou que os dois mantêm uma relação de respeito, apesar das divergências entre os governos.
O presidente brasileiro disse ainda que apresentou a Trump documentos sobre temas como combate ao crime organizado, minerais críticos, terras raras e questões comerciais. Lula afirmou que o Brasil está disposto a negociar com diferentes países, mas não pretende abrir mão de seus interesses.
“Todo mundo que quiser será nosso convidado”, relatou Lula sobre a posição que apresentou ao presidente dos Estados Unidos.
Lula também criticou a justificativa apresentada pelos Estados Unidos para a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros. Segundo ele, uma das alegações seria a de que o Brasil não estaria cuidando adequadamente do desmatamento.
O presidente classificou esse argumento como falso e afirmou que o Brasil não pode aceitar informações que, na avaliação dele, prejudiquem a imagem do país.
“Com mentira ninguém vai ganhar do Brasil. Ninguém”, disse Lula.
Em outro momento, Lula afirmou ter visto declarações de Trump questionando a questão climática e disse que decidiu ir ao Inpe justamente para apresentar os números e os resultados produzidos pelo instituto.
“Eu vou lá no Inpe ficar olhando os números”, afirmou.
Ao longo do discurso, Lula relacionou a defesa do Inpe a uma mensagem mais ampla sobre o papel da ciência e da tecnologia no desenvolvimento do Brasil.
O presidente citou a produção de satélites, investimentos em inovação e a atuação de pesquisadores brasileiros como exemplos da capacidade tecnológica do país. Para ele, o Brasil precisa valorizar sua base científica e deixar de se considerar inferior a outras nações.
“Nós não somos inferiores a ninguém”, declarou.
No encerramento dessa parte do discurso, Lula voltou a destacar o papel das instituições de pesquisa e afirmou que os resultados científicos devem ser motivo de orgulho nacional.
A passagem pelo Inpe, em São José dos Campos, serviu assim como palco para o presidente reforçar três mensagens centrais: a defesa dos dados científicos, o compromisso do governo com a redução do desmatamento e a disposição de enfrentar, no campo político e diplomático, o que considera informações falsas sobre o Brasil.