Quem acompanha a agenda do prefeito Dário Saadi (Republicanos) percebeu uma mudança clara no ritmo da comunicação da Prefeitura neste início de julho. Em apenas dois dias úteis, foram seis eventos oficiais, três na segunda-feira e outros três nesta terça, todos inseridos na programação dos 252 anos de Campinas. Há assinatura de ordens de serviço, lançamento de programas, entrega de escrituras, modernização administrativa, esporte, educação e habitação. Sem contar o final de semana, com inauguração de praças com direito a cobrança de pênalti (neste quesito, o prefeito foi melhor que Bruno Guimarães).
Naturalmente, o aniversário da cidade sempre serve como vitrine para anúncios e entregas. Isso acontece em praticamente todas as administrações. Mas é impossível ignorar o contexto político em que essa sequência de agendas acontece.
O primeiro semestre foi extremamente desgastante para o governo municipal. A licitação do transporte coletivo, que deveria representar a solução para um problema histórico, transformou-se em uma das maiores crises políticas da atual gestão. A sucessão de vídeos, investigações da Polícia Civil e do Ministério Público, Comissão Processante na Câmara e questionamentos sobre empresas vencedoras acabou ocupando muito mais espaço do que o próprio mérito da nova concessão.
Ao mesmo tempo, a Prefeitura enfrentou a superlotação da rede hospitalar, a demora na abertura dos leitos emergenciais prometidos pelo Governo do Estado, conflitos com integrantes da Guarda Municipal, críticas sobre a condução das reivindicações da categoria e ainda precisou administrar a repercussão envolvendo o corte de árvore, principalmente em Barão Geraldo.
Foi um semestre em que a agenda positiva praticamente desapareceu do noticiário. Quase toda semana surgia uma nova (ou velha) crise para ser administrada.
É justamente por isso que essa maratona de anúncios ganha um significado político. Mais do que comemorar o aniversário de Campinas, a Prefeitura parece tentar recuperar o protagonismo da própria narrativa, recolocando em evidência ações administrativas e investimentos que normalmente renderiam manchetes positivas.
Não há qualquer irregularidade nisso. Pelo contrário. Governos precisam divulgar entregas, prestar contas e mostrar resultados. O que chama atenção é a intensidade da estratégia. A comunicação parece ter adotado uma lógica de ocupação permanente do noticiário.
A dúvida é se isso será suficiente para mudar a percepção construída ao longo dos últimos meses. Crises como a do transporte coletivo não desaparecem apenas porque novas agendas surgem. Elas continuam produzindo desdobramentos políticos e jurídicos que frequentemente voltam a ocupar o centro das atenções.
Ao mesmo tempo, também seria um erro imaginar que um governo deva permanecer paralisado por causa de uma crise. Administrar significa justamente seguir entregando políticas públicas enquanto enfrenta os problemas.
O mês de aniversário de Campinas oferece uma oportunidade perfeita para isso. A questão será saber se a sequência de inaugurações, lançamentos e assinaturas conseguirá alterar o ambiente político ou se acabará sendo apenas uma pausa entre um capítulo e outro de um semestre que, até aqui, foi um dos mais turbulentos da gestão Dário Saadi.
A Prefeitura de Campinas sancionou a lei que concede reajuste de 4,39% nos salários dos servidores municipais e aumenta o valor do vale-refeição. A medida foi publicada no Diário Oficial desta segunda-feira (6) e tem efeito retroativo a 1º de maio de 2026.
O reajuste salarial será aplicado aos servidores da ativa, aposentados e pensionistas do Camprev, o Instituto de Previdência Social do Município de Campinas. A correção não vale para prefeito, vice-prefeito e secretários municipais.
A lei também atualiza o valor do vale-refeição pago aos servidores que estão em atividade e cumprem jornada mínima de 20 horas semanais. O benefício passou de R$ 2.000,11 para R$ 2.150,12.
Outro ponto previsto na nova legislação é o aumento do auxílio-funeral, benefício destinado ao reembolso de despesas com o sepultamento de servidor municipal. O teto do pagamento subiu de R$ 4 mil para R$ 6 mil.
Em nota, o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Campinas informou que a proposta de reajuste foi aprovada pelos servidores em assembleia geral.