28 de junho de 2026
OPINIÃO

'Do avesso do medo, o amor - sempre contigo'

Por Paulo César Andrade Ramos |
| Tempo de leitura: 1 min

Quando pequeno, tudo era susto e sombra, um mundaréu de assombração.

Mas seu amor, feito esteira de palha, amaciava o chão da dor.

Caminhando na vida, no meio das pedras, não caí: você era meu bastião.

E sempre que doía, lembrava de você, seu amor colado em mim - adesivo e unção.

Eu não sabia, não, que tanto amor tem seu revés: a conta do afeto se paga em agonia.

Te amar custou doer demais, mas eu aceito, outra vez mais, cada migalha de amor e cada espinho de dor, só pra te abraçar mais.

A ignorância é um anjo bruto, nos protege do que vem.

Nunca se está pronto pro espanto - e isso é bom, porque a gente, se soubesse, desabava também.

No balanço da vida, o que vale é ter achado aconchego e cuidado, feito café em fim de tarde.

Ai, se eu soubesse, como sempre foi bonito: cada riso, cada pranto, cada instante contigo.

A vida é bela,

mas só porque você passou.

E nunca deixa a dor sem flor.