28 de junho de 2026
OPINIÃO

Meu amigo somebody love


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Nesta última semana, Jundiaí se despediu de Dirceu Cardoso, advogado, interventor judicial, especialista em segurança pública e meu amigo. Conversamos por whatsapp até perto de sua morte, uma morte inconcebível, causada por uma doença ainda sem cura, a mesma que levou minha mãe. Dirceu lutou bravamente e jamais - jamais - admitiu a morte como algo possível, em suas últimas conversas, planos para um cafezinho, encontros com empresários e muitos projetos.

Eu o conheci como interventor da Associação Comercial. Me trouxe um calhamaço de processos e insistiu para que eu fizesse uma reportagem brilhante, ainda sem confiar tanto no meu taco. A reportagem foi um sucesso e surgiu daí uma amizade de décadas.

Ele conhecia todo mundo - e quando eu digo todo mundo, incluo de governador a promotor. Me levou para as maiores fontes de aviação do país, de  segurança pública, inúmeros empresários. Conhecia todos os CEOs importantes, de suas idas e vindas a países onde se discutia a economia mundial.

Não raro me ligava da República Tcheca. Estava ali para um encontro consular. Se não, de Miami, onde viajou com a LIDE - braço empresarial do ex-governador João Doria. Foi pra Dubai também, conversar com empresários.

Nunca me esqueço que me levou para o Dia Internacional do Yoga em Piracaia, cidade de sua família. Era um evento do Consulado da Índia, onde também trabalhavam seus amigos. Ele podia não saber nada de yoga, mas sabia que eu era formada nessa ciência. Portanto, onde estavam os  indianos praticando ashtanga, sua amiga também tinha que estar. Abriu inúmeras portas, sabia de tudo, conhecia muita gente.

Em Jundiaí, atuou bravamente em prol da segurança pública, através dos Consegs e da própria OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Acabou fazendo amizade com meu filho Ícaro e até curso de drones fizeram juntos. Todos os elos de segurança - eu digo todos, da ponta à mais alta patente  - adoravam Dirceu.

Sabe um cara que tinha interesse por tudo? Era interventor do Centro Comunitário da Vila Hortolândia. Fomos a inúmeros almoços ali para levar autoridades, para buscar uma solução àquelas famílias. O que ele me pedia, eu atendia e vice-versa.

Lucas, um jornalista conhecido de São Paulo, me ligou há uns dois anos e perguntou: “Quem é esse somebody love Dirceu Cardoso? Falou que te conhecia, que era seu amigo”. Eles estavam num megaevento exclusivo de uma importadora de veículos. Para poucos e bons.

E aí o apelido ficou. Dirceu foi meu amigo somebody love. Ativo, atuante, apaixonado pela vida. Gente assim não deveria morrer - ele não combinava com o fim. Tanta gente que não gosta de viver e está aí, meu amigo Dirceu tinha fé na vida e coragem.

A Regina, aos seus doces filhos e netas, meus sinceros sentimentos. Quem teve a honra de conviver com Dirceu sabe a falta que ele fará. Daqui nosso abraço.

Ariadne Gattolini é jornalista e escritora. Pós-graduada em ESG pela FGV-SP, administração de serviços pela FMABC e periodismo digital pela TecMonterrey, México. É editora-chefe do Grupo JJ