A morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante uma prática de rope jump na chamada Ponte do Esqueleto, reacendeu a pressão de Cordeirópolis e Limeira pela demolição da estrutura. A ponte fica na divisa entre os dois municípios e pertence à União, o que faz com que qualquer decisão definitiva sobre o futuro do local dependa de órgãos federais.
A jovem morreu no último sábado (13), após uma queda durante a atividade. O caso provocou forte comoção e voltou a expor os riscos de uma área que, segundo as prefeituras, já vinha sendo alvo de bloqueios, placas de advertência e pedidos de providências há anos. As circunstâncias do salto são investigadas pela Polícia Civil, incluindo a atuação dos responsáveis pela prática realizada no local.
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A Ponte do Esqueleto se tornou conhecida justamente pela procura de pessoas interessadas em saltos e atividades de risco. Para as administrações municipais, porém, a estrutura perdeu a função original, não oferece condições seguras de acesso e permanece atraindo pessoas mesmo com restrições. O entendimento das duas cidades é que medidas paliativas não têm sido suficientes para impedir novas ocorrências.
Em entrevista à reportagem do Portal Sampi Campinas nesta terça-feira (16), a prefeita de Cordeirópolis, Cristina Saad, afirmou que a posição do município é clara: a ponte deve ser implodida. Segundo ela, representantes da Secretaria de Patrimônio da União procuraram a Prefeitura logo após a tragédia para discutir uma solução.
A reunião ocorreu ainda na segunda-feira (15), com representantes da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), do Ministério da Gestão e da Inovação e da Advocacia-Geral da União. Durante o encontro, Cordeirópolis voltou a defender a demolição da estrutura. O acesso pelo lado do município já está bloqueado há anos, mas a Prefeitura avalia que apenas a retirada da ponte pode encerrar o ciclo de acidentes e invasões.
“Qual que é a solução para Cordeirópolis? E Cordeirópolis não vai mudar: é a implosão dessa Ponte do Esqueleto”, afirmou Cristina.
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A prefeita também relacionou a cobrança ao histórico de ocorrências no local. Para ela, a morte de Maria Eduarda não pode ser tratada como um episódio isolado. “Depois de 30 anos ligando nada a lugar nenhum, chega de tragédia, porque nós estamos falando dessa última tragédia. Já houve outras tragédias, então agora chega. É a implosão da ponte”, declarou.
Cristina Saad afirmou que o prazo para uma definição não depende apenas dos municípios, já que a estrutura é federal. Segundo ela, Cordeirópolis e Limeira formalizaram a mesma posição durante as tratativas desta semana.
“O prazo vai depender, sim, da SPU, porque está na mão deles, e eles são responsáveis. E tudo isso já foi assinado ontem. Tanto Cordeirópolis como Limeira querem a implosão dessa Ponte do Esqueleto e acabar com as tragédias que ela tem causado nos últimos anos”, disse a prefeita.
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Limeira também passou a cobrar uma solução definitiva. O prefeito Murilo Félix se reuniu na segunda-feira com representantes do governo federal, com o presidente da Câmara Municipal, Everton Ferreira, e com o deputado federal Miguel Lombardi. O município pediu que a União faça a demolição da estrutura e que a Polícia Federal apure eventuais divulgações de atividades no local pelas redes sociais.
Segundo a Prefeitura de Limeira, a prática na ponte sempre foi proibida. A administração afirma que, desde 2024, adotou medidas para tentar impedir o acesso, como instalação de placas, bloqueio de entradas e abertura de valetas. Mesmo assim, pessoas continuaram ultrapassando barreiras para chegar à estrutura.
“Estamos tratando de uma área que apresenta riscos conhecidos há muitos anos e que continua atraindo pessoas mesmo interditada. A implosão da estrutura será uma solução definitiva para evitar novos incidentes e garantir a segurança da população”, afirmou Murilo Félix.
A Prefeitura de Limeira também destacou que parte dos acessos ocorre por propriedades particulares, o que dificulta a fiscalização permanente. Ainda assim, o município sustenta que a responsabilidade sobre a estrutura é da União e que a restrição precisa ser reforçada até que uma decisão definitiva seja tomada.
A pedido da Prefeitura de Limeira, a SPU informou que deve reforçar a sinalização da área, deixando explícito que o acesso ao local é proibido e pode gerar responsabilização. O órgão federal também deve avaliar a instalação de novas barreiras físicas para dificultar a entrada de pessoas na ponte.
O secretário interino de Assuntos Jurídicos de Limeira, Jonathan D. Fernandes, afirmou que o compromisso assumido pelas autoridades é agir contra o exercício ilegal de atividades no local. Segundo ele, o acesso à ponte configura crime, já que não se trata de área pública liberada à circulação.