A Polícia Civil de São Paulo informou que a operação realizada nesta quarta-feira (3), em conjunto com o Ministério Público, apura se houve pagamento e recebimento de vantagens indevidas envolvendo o vereador Vini Oliveira (Cidadania) e empresários do setor de transporte.
A ação é conduzida pelo NECCOLD/DIG/DEIC/Deinter 2, de Campinas, com apoio do Gaeco Campinas, braço do Ministério Público voltado ao combate ao crime organizado. Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão.
Segundo a Polícia Civil, o objetivo da operação é coletar provas para esclarecer os fatos e as circunstâncias envolvendo os vídeos divulgados na imprensa. As imagens mostram Vini Oliveira em uma reunião com empresários do ramo de transporte, ligados à operação de ônibus em Campinas.
O encontro investigado ocorreu no dia 1º de abril de 2026, na sede da Smile, empresa de transporte situada em Paulínia, e integrante da Consórcio Grande Campinas que venceu o lote norte do leilão do transporte de Campinas. O conteúdo da reunião foi divulgado na última semana de maio e passou a gerar questionamentos sobre a relação do parlamentar com representantes do setor.
De acordo com a polícia, as investigações buscam apurar se houve eventual pagamento e recebimento de vantagens indevidas por parte do agente público. Vini aparece nas imagens deixando o local com uma caixa preta, envelopes e outros materiais.
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Durante as buscas, foram apreendidos documentos, anotações, pen drives, dinheiro em espécie e aparelhos celulares. Entre os celulares recolhidos estão, segundo a Polícia Civil, o do vereador, o do chefe de gabinete dele, Marco Castiglieri, e os de empresários Emerson de Jesus, e do filho dele, ligados à empresa Smile.
A polícia informou que todos os materiais serão analisados. O conteúdo dos aparelhos e documentos deve orientar os próximos passos da investigação.
A operação teve mandados em endereços ligados ao vereador, incluindo a casa de Vini, o gabinete na Câmara Municipal de Campinas e o Hospital da PUC-Campinas, onde o parlamentar está internado desde domingo, segundo a assessoria. Também houve cumprimento de ordem judicial em Paulínia, na sede da empresa de transporte onde ocorreu a reunião.
O caso também tem desdobramento político na Câmara. Na segunda-feira (1º), os vereadores aprovaram a abertura de uma Comissão Processante contra Vini Oliveira. O pedido foi apresentado pela vereadora Mariana Conti (PSOL) e recebeu 29 votos favoráveis, sem votos contrários.
A CP ainda não teve início formal porque depende da notificação do parlamentar. O presidente do colegiado, Paulo Haddad (PSD), informou que deve aguardar a alta hospitalar de Vini para notificá-lo oficialmente.
Após a divulgação das imagens, Vini Oliveira negou ter recebido dinheiro. Em manifestação nas redes sociais, afirmou que a caixa continha documentos e que os envelopes guardavam mídias digitais, como drives com dados. Ele também disse que o material teria sido encaminhado ao Ministério Público.
O Portal Sampi Campinas procurou o vereado Vini Oliveira e seus assessores para um posicionamento sobre a operação, mas não obteve resposta.
A empresa Smile Transportes e Turismo Ltda. vêm a público declarar que está prestando todos os esclarecimentos, disponibilizando informações necessárias às autoridades competentes e colaborando integralmente com as investigações para que os fatos sejam devidamente apurados. A empresa reafirma a plena confiança na Justiça.