De uma pequena banca no Mercado Municipal a um investimento de R$ 11 milhões. A história de Rebeca Soares reúne alguns ingredientes comuns às grandes trajetórias empreendedoras: trabalho, resiliência e capacidade de recomeçar diante das dificuldades. Agora, a empresária inicia um novo capítulo em São José dos Campos, cidade onde a jornada começou.
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A Doces da Rebeka vai instalar sua nova operação no município, com um plano de expansão que prevê quadruplicar a produção, ampliar a geração de empregos e abrir caminho para novos mercados, inclusive internacionais.
O investimento total na nova estrutura, incluindo obras, equipamentos e máquinas, deve chegar a R$ 11 milhões. A ampliação permitirá elevar a produção mensal dos atuais 3,2 milhões para cerca de 7 milhões de unidades, além de abrir espaço para o lançamento de novos produtos.
História começou com uma pastelaria em um boxe do Mercado Municipal / Divulgação
Antes de se tornar uma das maiores produtoras de pudim do país, Rebeca passou 17 anos trabalhando em uma pastelaria e doceria no Mercado Municipal, negócio construído ao lado do pai.
“Na verdade, eu comecei no Mercado Municipal, em 2003. Eu tinha uma banca pequenininha, depois meu pai comprou uma banca maior. Fiquei lá até 2020”, relembra.
A fábrica de pudins começou a ganhar forma no fim de 2019, após pedidos de comerciantes interessados em vender os produtos em restaurantes e outros estabelecimentos. Mas o início da operação coincidiu com um dos períodos mais difíceis de sua trajetória.
Em fevereiro de 2020, Rebeca sofreu um grave acidente com queimaduras em 40% do corpo e precisou ficar hospitalizada por 40 dias. Quando voltou para casa, encontrou uma realidade ainda mais desafiadora: o início da pandemia de Covid-19 e uma forte queda no faturamento da empresa.
“Nós tínhamos 21 colaboradores na época. Meu esposo perguntou se a gente ia mandar alguém embora. Eu falei: ‘Se faltar, falta para a gente, não vai faltar para eles’”, conta.
As dificuldades continuaram. Além da retração do mercado durante a pandemia, a empresa enfrentou problemas elétricos, equipamentos danificados e falta de recursos para investimentos.
“Foi muito difícil no começo. Eu lembro que num dia só pegou fogo na rede elétrica, queimou câmera fria, aconteceu tudo isso. Toda a minha economia já tinha acabado”, recorda.
Mesmo diante dos obstáculos, a empresária afirma que a empresa encontrou apoio em familiares, fornecedores e parceiros que acreditaram no projeto. “Eu acho que tudo é corrente do bem”, diz.
A virada veio gradualmente. O pequeno galpão inicial de 300 metros quadrados foi substituído por estruturas maiores, a produção aumentou e a marca ampliou sua presença para oito estados brasileiros. Hoje, a empresa informa ser a maior fábrica de pudins do mundo em volume de produção.
Agora, a Doces da Rebeka se prepara para um novo salto. A futura estrutura ocupará um terreno de 20 mil metros quadrados, com um galpão de 10 mil metros quadrados. O projeto inclui equipamentos industriais com capacidade para produzir até 28 mil unidades por hora — quase quatro vezes mais que a estrutura atual.
A expectativa também é ampliar a geração de empregos. Atualmente a empresa possui 68 colaboradores e a projeção é alcançar aproximadamente 200 funcionários.
Rebeca brilha os olhos ao falar dos seis novos produtos e sabores que devem chegar ao mercado com a expansão da fábrica.
Ao olhar para a trajetória iniciada em uma pequena banca no Mercado Municipal, Rebeca reforça que o crescimento veio acompanhado de muitos desafios e persistência.
Além da expansão nacional, a nova unidade também foi planejada para atender exigências internacionais, abrindo caminho para exportações futuras. A empresa já mantém contatos com importadores dos Estados Unidos, Austrália e Arábia Saudita.
“Temos um sonho e vamos fazer de tudo para que isso realmente possa se concretizar”, afirma.