16 de maio de 2026
POLÍTICA

Flávio Paradella: A inacreditável carne da merenda escolar

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução/Instagram
Prefeitura acionará MP após escolas receberem carne praticamente sem vestígios de proteína e com excesso absurdo de gordura.

Quando a Prefeitura de Campinas divulgou a nota sobre a abertura de processo contra uma fornecedora de carne da merenda escolar, o texto oficial parecia até cauteloso demais ao falar em “excesso de gordura”. Mas bastou o prefeito Dário Saadi publicar as imagens nas redes sociais para que a dimensão real do problema viesse à tona. Não era carne com gordura. Era gordura com resquícios de carne.

As imagens impressionam pelo nível absurdo do material entregue às escolas municipais. O que cozinheiras receberam para manipular e servir às crianças parecia puro sebo, algo incompatível não apenas com qualquer contrato público minimamente sério, mas com qualquer padrão aceitável de alimentação humana — ainda mais dentro da merenda escolar de uma das maiores cidades do país.

E talvez seja justamente isso que torne a situação tão revoltante. Não estamos falando de um detalhe técnico, de um corte fora do padrão ou de pequena divergência contratual. O que apareceu nas imagens é algo inacreditável, inconcebível e ofensivo à dignidade alimentar das crianças.

O mais grave é imaginar que uma empresa tenha participado de um processo licitatório, vencido uma disputa pública e passado a fornecer esse tipo de produto para escolas da rede municipal. E pior: só não virou refeição porque as próprias cozinheiras perceberam a situação e alertaram a Secretaria de Educação. Houve ali uma barreira humana de bom senso.


Reprodução/Redes Sociais

A Prefeitura agiu corretamente ao abrir processo administrativo, anunciar multa e encaminhar o caso ao Ministério Público. E sinceramente, diante do que as imagens mostraram, qualquer medida que não seja exemplar parecerá insuficiente. Porque há situações em que a punição precisa servir também como recado para o mercado inteiro.

A própria secretária de Educação, Patrícia Adolf Lutz, destacou isso ao afirmar que o município não aceitará falhas que comprometam a qualidade das refeições. E ela tem razão. A merenda escolar não é um detalhe administrativo. Para muitas crianças, ela representa a principal refeição do dia.

Por isso o episódio ganha uma dimensão ainda mais grave. Não se trata apenas de descumprimento contratual. Existe um componente ético extremamente pesado quando alguém fornece um produto desse nível para alimentação infantil. A administração municipal informou que os produtos serão recolhidos e que o cardápio seguirá normalmente com carnes fornecidas por outras empresas.

Esse é o tipo de caso que ultrapassa disputa política ou narrativa ideológica. Ninguém em sã consciência consegue relativizar o que foi apresentado.

Agora, mais do que multa, Campinas precisa garantir que situações desse tipo não se repitam. Isso passa por fiscalização rigorosa, critérios técnicos ainda mais duros e, principalmente, consequências severas para empresas que tratam alimentação escolar com tamanho desrespeito.

Porque depois das imagens divulgadas, fica difícil até chamar aquilo de carne.

Câmara vota áreas para CAPS e CS


Divulgação/PMC

A Câmara Municipal de Campinas vota nesta segunda-feira, 18 de maio, dois projetos do Executivo que autorizam a mudança na destinação de áreas públicas para implantação de novos equipamentos de saúde.

As propostas serão analisadas em primeira discussão durante a 29ª Reunião Ordinária, marcada para as 18h, no plenário do Legislativo.

Um dos projetos prevê a construção do CAPS IJ Norte, no Conjunto Residencial Padre Anchieta. O serviço será voltado ao atendimento de crianças e adolescentes com sofrimento psíquico, transtornos mentais, distúrbios comportamentais e outras demandas de saúde mental.

Para viabilizar a unidade, o Projeto de Lei Complementar nº 19/2026 autoriza a desafetação de uma área de 3.520 metros quadrados, que faz parte do Sistema de Lazer nº 25. Com a mudança, o terreno deixa de ser classificado como bem público de uso comum do povo e passa a ser destinado à Secretaria Municipal de Saúde.

Segundo a justificativa do Executivo, o CAPS IJ Norte integrará a Rede de Atenção Psicossocial do SUS, com atendimento interdisciplinar e atividades socioeducativas. A proposta também informa que o projeto foi cadastrado no Novo PAC Saúde, programa do governo federal.

O outro texto em pauta é o Projeto de Lei Complementar nº 28/2026, que autoriza a mudança de destinação de uma área remanescente da praça Parque 3, no Jardim Chapadão, para construção de uma nova Unidade Básica de Saúde.

O terreno tem 5.634,10 metros quadrados e será destinado à implantação de equipamento público comunitário da Secretaria Municipal de Saúde.

De acordo com a Prefeitura, o novo CS deve ampliar, a médio prazo, a capacidade de atendimento da atenção básica na região do Jardim Chapadão, conforme estudos da área de Planejamento da Secretaria de Saúde e do Distrito de Saúde Norte.

O dinheiro das multas


Divulgação/PMC

A Comissão de Mobilidade Urbana e Planejamento Viário da Câmara Municipal de Campinas realiza nesta segunda-feira, 18 de maio, uma audiência pública para discutir a prestação de contas sobre os valores arrecadados com multas de trânsito no município.

A reunião está marcada para as 10h, no Plenarinho da Câmara, e vai tratar dos dados referentes ao primeiro trimestre deste ano.

A audiência atende à Lei Municipal nº 15.974/2020, que estabelece regras de transparência para a aplicação dos recursos provenientes das infrações de trânsito.

Durante o encontro, deverão ser apresentados os valores arrecadados no período e a forma como o dinheiro foi utilizado pela administração municipal.

A prestação de contas deve detalhar investimentos em áreas como mobilidade urbana, sinalização viária, fiscalização, educação no trânsito e segurança viária.