16 de maio de 2026
CRISE DA ÁGUA

Agência aponta gosto e odor fora do padrão na água da Sabesp

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação/PMH
Fiscalização da Arsesp apontou alterações sensoriais na água tratada pela Sabesp em Hortolândia e Paulínia.

Técnicos da Arsesp, agência que regula serviços públicos no Estado de São Paulo, identificaram gosto e odor incompatíveis com os padrões adequados ao consumo humano em água produzida em estações da Sabesp em Hortolândia e Paulínia.

A fiscalização foi realizada em 24 de abril de 2026 e o relatório foi encaminhado a integrantes do Comitê de Gestão de Crise criado pelo prefeito de Hortolândia, Zezé Gomes.

Segundo o documento, embora ainda não houvesse laudos laboratoriais conclusivos sobre a origem do problema no momento da vistoria, os técnicos constataram de forma recorrente alterações sensoriais na água produzida.

A agência também apontou que cabe à Sabesp adotar medidas preventivas e corretivas, acionar rapidamente os órgãos ambientais competentes e manter instrumentos de gestão de risco, como o Plano de Segurança da Água e o Plano de Contingência para possíveis eventos de contaminação.

O relatório informa ainda que, cerca de uma semana após o início da ocorrência, não foram identificadas ações corretivas efetivas nem o devido acionamento dos órgãos ambientais, o que indica fragilidade na resposta operacional.

Nesta sexta-feira, 8 de maio, representantes do Comitê Municipal de Crise acompanharam a coleta de amostras da água fornecida pela Sabesp no Paço Municipal Prefeito Ângelo Augusto Perugini, em Hortolândia. A análise será feita com material retirado da caixa d’água do prédio e do cavalete externo.

O objetivo é verificar os aspectos sensorial, físico-químico e bacteriológico da água. “Após a coleta destas amostras, a água será enviada ao laboratório da Sabesp localizado em Itatiba onde os responsáveis vão constatar os resultados na próxima semana e repassar os laudos para a Prefeitura. A retirada feita nestes dois pontos é essencial para a análise”, explicou Marcelo Zanella, técnico de amostragem da empresa Proágua.

Nota da Sabesp

A Sabesp esclarece que a água distribuída nos municípios de Hortolândia e Paulínia atende aos padrões de potabilidade estabelecidos pela legislação vigente. A informação foi reforçada pela Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo), órgão independente responsável pela fiscalização dos serviços de saneamento no Estado.

Em manifestação oficial encaminhada à imprensa regional, a Arsesp informou que “os laudos disponíveis não apontam desconformidade com os padrões de potabilidade estabelecidos pela legislação vigente”. A agência também destacou que a fiscalização técnica realizada confirmou que a água distribuída pela Sabesp permanece própria e segura para o consumo.

A Companhia reconhece que eventuais alterações de cheiro e gosto podem gerar desconforto e preocupação na população. Por esse motivo, a Sabesp adotou uma medida adicional no processo de tratamento, com a aplicação de carvão ativado, tecnologia utilizada para ampliar a remoção de compostos que possam provocar alterações sensoriais na água.

A Sabesp reforça que o monitoramento da qualidade da água é realizado continuamente, com análises rigorosas e acompanhamento técnico permanente, garantindo a segurança do abastecimento à população. A Companhia mantém diálogo constante com autoridades municipais, com a Arsesp e com a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), reafirmando seu compromisso com a transparência, a qualidade dos serviços prestados e a saúde da população de Hortolândia e Paulínia.

Cronologia do caso

No dia 18 de abril, a Sabesp identificou alterações pontuais de gosto e odor na água distribuída em regiões de Hortolândia e Paulínia e intensificou as ações de monitoramento do sistema de abastecimento. Desde então, a Companhia ampliou a quantidade das análises laboratoriais que realiza permanentemente em todas as etapas do processo, desde a captação, passando pelo tratamento e distribuição, até os cavaletes dos imóveis atendidos. As amostras coletadas, nos últimos 20 dias, comprovaram que a água distribuída à população manteve os padrões de potabilidade e segurança estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

Ao longo do período, foram realizadas mais de três mil análises e emitidos os respectivos laudos técnicos nas regiões monitoradas - considerando Hortolândia, Paulínia e Monte Mor. Como parte das ações de acompanhamento, a Sabesp mantém uma força-tarefa operacional dedicada ao monitoramento contínuo das ocorrências, com equipes técnicas em campo, vistorias em imóveis de clientes e acompanhamento em tempo real do sistema.

No dia 24 de abril, a Companhia também acionou a Cetesb, que passou a intensificar inspeções e monitoramentos no Rio Jaguari, manancial responsável pelo abastecimento dos municípios, realizando coletas e avaliações complementares das condições da água.