Abril terminou com um sentimento claro nos bastidores do chamado “Quarto Andar” da Prefeitura de Campinas: alívio por virar a página de um dos meses mais difíceis da atual gestão. Não foi um episódio isolado, mas uma sequência de problemas que atingiram áreas sensíveis e expuseram fragilidades administrativas e, principalmente, de comunicação.
O principal foco de tensão segue sendo o transporte público. O que deveria ser o grande legado do governo, a licitação bilionária do sistema, entrou em um limbo após intervenção do Tribunal de Contas do Estado. A suspeita de ligação entre empresas concorrentes e a investigação paralela da Polícia Civil colocaram sob dúvida um processo que já se arrastava há anos. O próprio presidente da EMDEC, Vinícius Riverete, resumiu o cenário com franqueza rara ao admitir que “não sabe o que vai acontecer” — uma frase que, por si só, sintetiza o grau de instabilidade.
Na saúde, o roteiro não foi menos preocupante. A tentativa de abertura de 100 novos leitos, considerada urgente diante da superlotação crônica, simplesmente travou. O chamamento foi suspenso por inconsistências documentais, mesmo em meio a um cenário de colapso recorrente, com pacientes em macas nos corredores e unidades operando no limite. O secretário estadual Eleuses Paiva reconheceu o problema e falou em recomeçar o processo, mas sem prazo concreto. A burocracia segue em um ritmo que não conversa com a urgência do paciente.
Como se não bastasse, a gestão ainda enfrentou desgaste político em Barão Geraldo com a retirada de árvores na Praça do Coco. Ainda que respaldada por laudos técnicos, a ação foi marcada por falta de diálogo prévio, o que abriu espaço para reação imediata da população e se tornou um prato cheio para a oposição. O episódio ilustra um padrão que se repetiu ao longo do mês: decisões até justificáveis do ponto de vista técnico, mas mal comunicadas, gerando ruído desnecessário.
O saldo de abril é um retrato claro de um governo que apanhou mais pela forma do que necessariamente pelo conteúdo. Em praticamente todos os casos, havia explicações, justificativas e até caminhos possíveis. O problema foi a ausência de antecipação, de preparo do terreno e de controle da narrativa.
No fim, fica a impressão de que a gestão de Dário Saadi passou o mês correndo atrás dos próprios problemas. E em política, quando se reage em vez de se antecipar, o desgaste sempre vem maior. Abril termina, mas deixa um recado importante: não basta governar, é preciso dialogar — e, principalmente, prever o impacto das decisões antes que elas explodam.
A Câmara Municipal de Campinas vota nesta segunda-feira (4) um projeto que cria o programa “Campinas de Mãos Dadas contra o Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”. A proposta será analisada durante a 25ª Reunião Ordinária, marcada para as 18h, no plenário.
O texto, de autoria do vereador Roberto Alves (Republicanos), prevê ações permanentes de prevenção, combate e conscientização sobre a violência sexual infantojuvenil no município.
Pela proposta, o programa deverá ser desenvolvido por meio de campanhas educativas, atividades informativas e parcerias com organizações da sociedade civil, escolas, conselhos tutelares e demais instituições ligadas à rede de proteção.
As ações também poderão ser realizadas nas redes pública e privada de ensino, sempre respeitando a faixa etária dos estudantes. A intenção é ampliar o acesso à informação, orientar crianças e adolescentes e envolver famílias, educadores e profissionais da rede de atendimento.
Segundo o vereador, o projeto busca fortalecer políticas públicas municipais voltadas à proteção da infância. “Este Projeto de Lei é essencial para que o Município avance na implementação de políticas públicas eficazes voltadas para a prevenção e erradicação dessa violência, assegurando o cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente e promovendo uma cidade mais justa e acolhedora para todos”, afirmou.
O texto também determina que as atividades sejam intensificadas durante o mês de maio, período dedicado nacionalmente ao enfrentamento do abuso e da exploração sexual de crianças e adolescentes.
A coordenação do programa ficará a cargo das secretarias municipais de Desenvolvimento e Assistência Social, Educação e Saúde, com apoio de outros órgãos competentes.