05 de abril de 2026
OPINIÃO

Viver a alegria do Ressuscitado


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O Tempo Pascal constitui o centro luminoso da fé cristã e oferece à Igreja um horizonte de sentido que ilumina toda a existência humana. Durante cinquenta dias, a comunidade dos fiéis é convidada a permanecer diante do mistério da Ressurreição.

Cristo Nosso Senhor vence o pecado e a morte, abrindo à humanidade um caminho de vida nova. Trata-se de uma realidade que toca profundamente a história, alcançando as alegrias e as dores de cada pessoa, sustentando a esperança mesmo nas situações mais desafiadoras.

A liturgia pascal conduz os fiéis a reconhecer o Ressuscitado no interior de suas vidas. Os registros feitos pelos evangelistas mostram discípulos que, aos poucos, percebem a presença do Senhor na escuta da Palavra, na partilha do pão e na comunhão fraterna. Tal experiência continua a se realizar na vida da Igreja através da Eucaristia, da Sagrada Escritura e da vida comunitária. Esses são os sinais concretos da presença de Cristo. A alegria pascal não pode e nem deve permanecer restrita ao âmbito celebrativo, mas sim se prolongar em uma atitude interior que transforma o modo de viver, de se relacionar e compreender a própria realidade.

Esse tempo favorece um aprofundamento da conversão cristã, esse processo contínuo de renovação do coração e das atitudes. A luz da Ressurreição ilumina as relações humanas, inspirando gestos de reconciliação, fortalecendo vínculos familiares e suscitando uma presença mais comprometida na sociedade. A vida nova que brota do Cristo Ressuscitado encontra expressão nas escolhas concretas que promovem o bem comum, a justiça e a dignidade de todos. Cada fiel é chamado a assumir, no cotidiano, a responsabilidade de testemunhar a esperança que nasce da fé.

As reflexões propostas pela Campanha da Fraternidade deste ano de 2026 permanecem como um convite concreto nesse caminho pascal. O tema Fraternidade e Moradia nos faz recordar que a dignidade humana se expressa também no direito a um espaço onde a vida se desenvolva com segurança, estabilidade e pertencimento. Direito a um lar. Muitas famílias, porém, enfrentam dificuldades que exigem sensibilidade, atenção e compromisso efetivo de toda a sociedade. Essa vivência da Páscoa deve impulsionar a comunidade cristã a olhar com maior proximidade tais realidades, cultivando a solidariedade e promovendo iniciativas para a superação das desigualdades.

O Tempo Pascal lança a todos um convite: transformar a esperança em atitude concreta, fazendo da fé um princípio ativo que orienta a vida pessoal e comunitária, despertando uma consciência renovada da missão cristã, que se realiza na construção de uma sociedade marcada pela fraternidade, cuidado com os mais vulneráveis e promoção da dignidade humana.

Ao longo desses dias, a Igreja caminha sustentada pela certeza de que o Senhor vive e permanece presente, conduzindo seu povo por caminhos de vida e de paz.

Que a alegria da Ressurreição, acolhida e vivida no cotidiano, torne-se semente de esperança capaz de renovar o mundo a partir de dentro.

Dom Arnaldo Carvalheiros é bispo diocesano de Jundiaí