05 de abril de 2026
OPINIÃO

Abrace Jundiaí


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Outro dia, ao conversar com Rosângela Portela, também articulista do nosso JJ, comentava com ela que Jundiaí precisa ser mais abraçada. Em que sentido? Já tivemos jundiaienses que se empenharam em divulgar nossa cidade, mostrando que um município privilegiado com a Serra do Japi, cuja colonização teve início no século XVII, tem muito o que mostrar.

Lembro-me de que Jacyro Martinasso promovia as “Festas da Uva”, um ano inclusive chamada “FUJI” – Festa da Uva e da Indústria Jundiaiense, levando as “vinhateiras” a visitar São Paulo. Não só as autoridades, como o Governador, Prefeito, Assembleia Legislativa, Tribunais, mas percorrendo a Avenida Paulista, a Praça da Sé, divulgando a festa. Uniformizadas, com trajes de estilo desenhado por jundiaienses e sob a disciplina férrea de Geralda Yarid.

Walmor Barbosa Martins, duas vezes Prefeito, fazia questão de convidar para Jundiaí personalidades brasileiras e estrangeiras. A cada vez que ia ao Governo Estadual, levava caixas de uva e produtos da Cica.

Uma verdadeira embaixadora da nossa cidade foi Mariazinha Congilio. Ela criou o Troféu Imprensa, depois absorvido pelo Grupo Silvio Santos. Aliás, Silvio Santos veio várias vezes à casa de Mariazinha, onde também estiveram Roberto Carlos, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Elis Regina e tantos outros artistas. Mais tarde, criou a “Pensão Jundiaí”, para encontros em jantares na capital, divulgando nossa terra.

O mesmo fazia Lindolfo Paixão, nos almoços que reuniam jundiaienses na Capital. Ariosto Mila, que chegou a ser Diretor da FAU, era outro divulgador de Jundiaí.

Mas parece que não há refil para pessoas assim. Quem hoje mostra Jundiaí para o mundo? Temos a Sociedade Jundiaiense de Cultura Artística, o balé de D. Glória Rocha percorria o Estado. Aliás, Jundiaí já teve três conservatórios musicais: além de D. Glória, o da família Sciamarelli e o de Antonieta da Cunha Barros.

Mercedes Ladeira Marchi promoveu, durante décadas, a “Feira da Amizade”. Eram famílias jundiaienses provendo as entidades assistenciais. O ano todo Jundiaí se movimentava. Eram reuniões preparatórias, encontros festivos para arrecadação. Divulgação nacional.

Já perdemos o Gabinete de Leitura Ruy Barbosa. Indústrias que divulgavam Jundiaí se foram: Cica, Vigorelli, Vulcabrás, Argos, tantas outras. A falta de uma liderança cultural, a ausência do cultivo da História local ajuda a transformar o Centro num espaço que é refúgio da fealdade, medíocre e antiestético.

Tenho a certeza de que há jovens que poderiam empunhar essa bandeira e pensar em como se pode orgulhar de Jundiaí, de sua História, de suas tradições. Jovens que lembrassem de proteger mais a Serra do Japi, de recompor a paisagem lesada pela especulação imobiliária, absorvendo o legado de Kongjian Yu, o chinês criador da ‘Cidade Esponja’, exatamente o tema do artigo de Rosângela Portela que me fez entrar em contato com ela.

Jundiaí tem muito a mostrar, mas ainda tem muito a fazer. Em termos de reflorestamento, de arborização urbana, de incentivo aos jovens para criar respostas sustentáveis para uma cidade cuja origem se perdem nas conjecturas e na noite.

O livro “Terra Querida Jundiaí – Encantos e memórias imortais”, publicado por Márcio Martelli e José Felício Ribeiro de Cezare, é um bom começo para que surja um abraço coletivo que salve Jundiaí da mesmice, da homogeneidade pobre e da mediocridade em que se transformaram muitos dos 5571 municípios tupiniquins.

José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo