O vereador Paulo Haddad (PSD), líder do governo do prefeito Dário Saadi na Câmara de Campinas, criticou o uso recorrente de pedidos de Comissão Processante (CP) no Legislativo e disse que o instrumento foi banalizado. “Acho que banalizou. Perdeu a essência”, afirmou em entrevista ao FPX Cast, podcast integrado ao PodConecta, da Rede Conecta de rádios. Haddad também comentou a punição aplicada ao vereador Otto Alejandro (PL), defendeu o papel da Corregedoria e falou sobre bastidores da base governista, prioridades de 2026 e a sucessão na presidência da Casa, hoje ocupada por Luiz Rossini (Republicanos).
Ao ser questionado sobre o ambiente de tensão no Legislativo, Haddad argumentou que o cenário não é exclusivo de Campinas e que os ânimos tendem a se acirrar no ciclo eleitoral. “É claro que os ânimos começam a se acirrar a partir do momento que você tem sinalizado uma eleição a nível nacional e estadual também”, disse. Na avaliação do vereador, situações que chegam como pedidos de CP poderiam, em diversos casos, ser tratadas por outro caminho. “Algumas situações que foram apontadas, elas poderiam ser passivas, não de uma CP, mas de uma investigação através da Corregedoria, uma representação na Corregedoria”, afirmou. Para Haddad, a CP tem um desenho extremo e exige base robusta. “A comissão processante serve só para as duas coisas, ou para inocentar ou para cassar”, declarou. E completou, ao defender punições proporcionais em situações que não justificariam cassação: “Mas também não poderia passar a mão na cabeça e deixar isso impune”.
Na entrevista, o vereador abordou diretamente o caso de Otto Alejandro, que foi alvo de apuração administrativa na Corregedoria e recebeu suspensão. Haddad disse que assinou a representação contra o parlamentar junto com outros vereadores e defendeu a medida adotada. “Nós achamos por bem que ele tivesse sim uma investigação pela Corregedoria, e que se aplicasse as sanções cabíveis pelo ato, por aquilo que ele fez, pela quebra de decoro, que a gente tinha aí uma leitura de que houve quebra de decoro”, afirmou. Na avaliação do líder de governo, a punição teve caráter pedagógico e mirou a preservação da imagem institucional da Câmara. “Nós não deixamos de dar uma resposta à população”, disse, antes de acrescentar: “Essa punição que ele teve foi pedagógica, foi para que ele realmente aprendesse, ele soubesse quais são os limites, quais são as atribuições, quais são as prerrogativas de um mandato de vereador”. Sobre o tempo de afastamento, Haddad avaliou que houve equilíbrio. “Eu acho que não é pouco, mas também não é muito, então acho que é a medida correta”, afirmou.
Ao falar sobre como a liderança do governo atua para formar maioria e encaminhar votações, Haddad disse que a base é numerosa, mas que há questionamentos internos e necessidade de diálogo com bancadas e individualmente. “Apesar da base, nós somos em 26 vereadores da base”, afirmou, acrescentando que há situações em que precisa acionar secretários e equipes técnicas para esclarecer dúvidas. “Muitas vezes, extrapola a liderança de governo. Eu tenho que, muitas vezes, me recorrer a algum secretário, algum diretor, para que as informações técnicas mais precisas, elas venham a sanar algumas dúvidas desses vereadores. E também vereadores da oposição”, disse.
A entrevista também entrou na agenda legislativa e nos projetos que Haddad considera centrais em 2026. Ele destacou o ciclo orçamentário e a discussão de prioridades por áreas. “Bom, eu acredito, primeiro, o orçamento. Sempre é um grande desafio, a Lei de Diretrizes Orçamentárias, um orçamento que hoje está a mais de 11 bilhões de orçamento para 2026”, afirmou. O vereador também citou o tema das emendas impositivas como parte do debate e disse que o mecanismo ampliou o poder de destinação de recursos de forma equânime entre parlamentares. “Eu sempre falo que a emenda impositiva, ela trouxe para dentro da Câmara Municipal uma igualdade para todos os vereadores”, declarou. Ao detalhar valores, afirmou: “Hoje nós temos 3,4 milhões de reais para destinar para qualquer que seja aquilo que eu imagine que seja importante. 50% para a saúde e os outros 50% para as diferentes secretarias ou entidades”. Ainda na lista de pautas, Haddad apontou o Hospital Metropolitano como projeto estruturante e disse que a Câmara já deliberou sobre a cessão de área ao Estado para viabilizar o empreendimento. “Então, eu acredito que alguns projetos que virão, para que a gente possa fazer o aporte, fazer toda a regularização para a instalação do Hospital Metropolitano”, afirmou.
No campo político, Haddad avaliou que a polarização deve se intensificar com a eleição de 2026 e que a tribuna tende a refletir o ambiente nacional. “Eu acredito que essa polarização vai se intensificar, eu não tenho dúvida quanto a isso”, disse, defendendo que o debate mantenha parâmetros republicanos. Ao ser questionado se pretende disputar as eleições deste ano, respondeu que não. “Não pretendo. A minha intenção agora é exercer meu mandato, procurar crescer dentro do mandato, chegar em 2028”, afirmou, ao explicar que quer atuar para ajudar a eleger parlamentares que possam ampliar recursos e alianças para Campinas.
A entrevista avançou ainda para o tema da sucessão na presidência da Câmara, já que o atual presidente, Luiz Rossini, está no último ano à frente da Mesa. Desde a administração Jonas Donizette e agora com Dário Saadi, o líder de governo tem tido apoio do Quarto Andar para o principal posto da Casa de Leis. Questionado se seria candidato, Haddad afirmou que gostaria de ter o nome considerado. “Eu confesso que eu ficaria feliz se o meu nome fosse cogitado, se eu pudesse ter oportunidade”, disse. Ele afirmou que a definição passa por articulação e maioria. “Eu tenho que ter o entendimento da maioria dos vereadores, são 17 vereadores”, declarou, ao descrever a necessidade de viabilização interna e a construção de uma composição que não nasça “rachada”. Ao final, reforçou que estaria disponível para disputar se houver ambiente político para isso. “Quem que não gostaria, né? Eu acho que seria algo muito a contribuir”, afirmou.
Reprodução/Redes Sociais
O vereador Vini Oliveira (Cidadania) voltou a mirar a gestão municipal e agora o tema é o decrépito sistema de transporte coletivo de Campinas em mais uma ação de fiscalização amplamente divulgada nas redes sociais. Desta vez, o foco do parlamentar é o estado da frota de ônibus, já conhecida pelo estado deplorável, panes mecânicas e condições consideradas precárias.
Nos vídeos publicados, Vini percorre garagens mostrando veículos com problemas estruturais, antigos e reforça críticas do serviço prestado à população. Paralelamente à exposição nas redes, o vereador afirma ter formalizado um requerimento à Prefeitura cobrando uma série de documentos e informações detalhadas sobre o sistema.
Em mensagem enviada à imprensa, ele destacou que a iniciativa vai além da produção de conteúdo digital. “Não foi só videozinho pra aparecer. Encaminhei à Prefeitura um requerimento firme, técnico e totalmente fundamentado para colocar luz sobre o transporte público da nossa cidade”, afirmou.
Segundo o parlamentar, o pedido não foi genérico. “Não fiz pedido genérico. Exigi documentação completa.” No requerimento, ele diz que solicitou cópia integral de todos os contratos relacionados ao transporte público, incluindo aditivos e renovações, além de relatório detalhado e auditável sobre atrasos, descumprimentos contratuais e eventuais penalidades aplicadas às empresas.
Também foram requeridos o cronograma completo de manutenção preventiva e corretiva da frota, com registros de execução e responsáveis técnicos; a lista atualizada de todos os veículos em operação, com ano de fabricação, estado de conservação e acessibilidade; e informações formais sobre possíveis irregularidades, notificações e processos administrativos.
“O objetivo é claro: transparência total e Ministério Público”, escreveu o vereador.
Pedro Teixeira/Vôlei Renata
A 6ª Reunião Ordinária de 2026 da Câmara Municipal de Campinas será realizada na próxima segunda-feira (23), às 18h, com uma pauta que mistura segurança pública, cultura e homenagens a nomes do esporte local.
Entre os destaques está o Projeto de Lei nº 38/23, que propõe a implantação de câmeras corporais e equipamentos de GPS nos uniformes dos agentes e nas viaturas da Guarda Municipal. A matéria, de autoria do vereador Gustavo Petta, será analisada em primeira discussão e votação, com emendas. O objetivo é ampliar a transparência nas abordagens e reforçar mecanismos de controle e monitoramento das ações da corporação.
No campo das homenagens, dois nomes ligados ao Vôlei Renata Campinas aparecem na Ordem do Dia. O Projeto de Decreto Legislativo nº 25/26, apresentado pela Mesa Diretora, concede o Título de Cidadão Campineiro ao levantador Bruno Mossa de Rezende, o Bruninho. Já está protocolado pedido semelhante para o técnico Horácio Dileo, reconhecendo a contribuição da comissão técnica para o protagonismo do time no cenário nacional.
Também em regime de urgência, será votado em turno único o Projeto de Decreto Legislativo nº 26/26, do vereador Rodrigo Farmadic, que concede o Diploma de Mérito Jurídico “Elvino Silva Filho” ao Dr. Leonardo Ruela Santana.
Na área cultural, os vereadores analisam em segunda discussão o Projeto de Lei nº 461/25, que trata do Fundo de Investimentos Culturais do Município de Campinas (FICC) e revoga legislação anterior de 2005.
Fecha a pauta o Projeto de Lei nº 387/25, que denomina como Avenida Antonio Rafful Kanawaty uma via pública do município.