A licitação do transporte público de Campinas ganhou mais um capítulo na longa novela que se arrasta há mais de uma década. A entrega dos envelopes, prevista para hoje, foi adiada por mais 15 dias após apontamentos do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. O cronograma agora prevê a documentação para 25 de fevereiro e a abertura em 5 de março, na B3, em São Paulo. Pode parecer pouco, mas é mais um atraso em um processo que insiste em não sair do papel.
O novo “delay” atinge o comando da área, mantido pelo governo municipal após o intenso assédio do PP no final de 2024. Emdec e Secretaria de Transportes mantiveram seus principais nomes — Vinicius Riverete e Fernando de Caires — mesmo sob pressão política na escolha do alto escalão para o segundo mandato de Dário Saadi. A lógica era clara: evitar troca de comando para não comprometer ainda mais a licitação. Estabilidade. A ironia é que, mesmo assim, o processo voltou a tropeçar.
Antes, a empresa Sancetur já havia questionado parâmetros do edital. Agora, foi o TCE quem apontou inconsistências técnicas em planilhas centrais, especialmente no Fator de Utilização, indicador que interfere diretamente no custo operacional e na composição da tarifa. Também surgiram falhas na estimativa de benefícios trabalhistas. Diante disso, a Secretaria de Transportes optou por corrigir o edital antes de avançar — uma decisão prudente, mas que escancara uma certa fragilidade de um documento que já passou por audiências, revisões e debates públicos.
Faz tempo que o prefeito quer encerrar essa história de uma vez, até porque o transporte coletivo se tornou um dos maiores passivos políticos da gestão. Ônibus velhos, quebras constantes, intervalos longos e uma das tarifas mais altas do país transformaram o sistema em símbolo de desgaste. Cada adiamento reforça a sensação de improviso e empurra o problema para frente, enquanto o passageiro continua pagando a conta.
O edital foi publicado em dezembro de 2025 com promessa de concessão por 15 anos, prorrogáveis por mais cinco. Desde então, o relógio anda, mas o processo nem tanto. Para quem depende do transporte, o debate técnico pouco importa: o que se vê é mais um prazo perdido. Resta torcer para que este seja, de fato, o último adiamento — porque paciência, essa já foi licitada há muito tempo.
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A Câmara Municipal de Campinas deu mais um passo previsível, mas ainda assim simbólico, na noite desta segunda-feira. Sem qualquer surpresa, os vereadores rejeitaram mais um pedido de Comissão Processante contra o vice-presidente da Casa, Permínio Monteiro (PSB). O dado político relevante não está no desfecho, mas no placar: unanimidade absoluta.
Foram 29 votos pelo arquivamento e nenhum contrário, em um movimento raro que uniu base governista e oposição de esquerda em torno de um mesmo entendimento. Um gesto de proteção conjunta que chama atenção não apenas pelo resultado, mas pelo contexto em que ocorre.
A solicitação partiu do presidente da Associação da Feira Hippie, Marcelo Araújo Bonifácio, e apontava suposto tráfico de influência envolvendo o parlamentar e a coordenação municipal da feira. Após análise formal da Procuradoria da Câmara, o pedido foi lido em plenário como primeiro item da pauta e colocado em votação. Para avançar, bastava maioria simples. Não passou nem perto.
O arquivamento vem poucos dias depois de a própria Câmara também ter barrado um primeiro pedido de CP contra Permínio, este mais robusto, pois foi baseado em uma condenação em primeira instância por improbidade administrativa, no caso da rachadinha. Mesmo diante de uma sentença judicial — ainda passível de recurso, é verdade — a maioria optou por não abrir investigação político-administrativa.
Mas há um elemento novo nesta votação que merece atenção. A unanimidade funciona como um recado claro. Na avaliação desta coluna, o gesto coletivo revela um incômodo crescente com o uso quase irresponsável do instrumento da Comissão Processante, que virou rotina no Legislativo campineiro. Da semana passada para cá, foram quatro pedidos protocolados, alguns com teor forte, mas muitos deles reapresentando fatos já analisados ou com fundamentos frágeis.
Ao enterrar mais essa CP com votos de todos os lados do espectro político, a Câmara parece dizer que o instrumento não pode ser banalizado. O efeito colateral, porém, é delicado: ao mesmo tempo em que tenta frear o que vê como excesso, o Legislativo passa a impressão de autoproteção corporativa.
No fim das contas, o episódio mostra duas realidades. De um lado, há um claro desgaste institucional com a enxurrada de CPs, usadas muitas vezes mais como arma política do que como mecanismo sério de apuração. De outro, permanece a sensação de que a régua para investigar pares segue sendo muito mais flexível do que aquela aplicada quando o alvo está fora do plenário.
Entre o abuso do instrumento e o fechamento corporativo, a Câmara caminha em uma linha tênue. E, mais uma vez, quem assiste de fora sai com mais dúvidas do que respostas.
A cidade de Itatiba amanheceu de luto neste domingo (8) com a morte do ex-prefeito José Roberto Fumach, aos 69 anos. Um dos nomes mais influentes da política local nas últimas décadas, Fumach deixa como legado uma série de obras e projetos que ajudaram a moldar o crescimento do município, com destaque para a criação do Parque da Juventude, um dos principais espaços públicos da cidade.
A Prefeitura de Itatiba divulgou nota oficial lamentando a perda e decretou luto oficial no município. “Neste momento de tristeza, a Prefeitura de Itatiba se solidariza com os familiares, amigos e com toda a população, manifestando as mais sinceras condolências”, informou a administração municipal.
Natural do bairro do Pinhal, onde nasceu em 10 de maio de 1954, José Roberto Fumach era engenheiro de formação e dedicou grande parte da vida à gestão pública. Sua trajetória é considerada uma das mais longas e relevantes da história política da cidade.
Fumach esteve à frente do Executivo municipal por três mandatos, somando 12 anos como prefeito: de 1993 a 1996, de 2001 a 2004 e de 2005 a 2008. Também ocupou o cargo de vice-prefeito entre 2016 e 2020, na gestão de Douglas Augusto de Oliveira (Toninho do Posto).
Na vida pessoal, era casado com Irene Araújo de Camargo Pires e deixa três filhos — José Roberto Fumach Júnior, Luciana e Bruno — além do neto Filipe Moretti Fumach. A causa da morte não foi divulgada pela família.