A política gosta de roteiros previsíveis. O caso do vereador Otto Alejandro, porém, nunca foi um deles. Desde o ano passado, o parlamentar do PL virou epicentro de uma sequência de denúncias que abalaram seu mandato, colocaram a Câmara de Campinas sob tensão permanente e alimentaram um processo de desgaste público raro até mesmo para os padrões locais.
Apesar de a Comissão Processante (CP) ter recomendado o arquivamento do pedido de cassação, por dois votos a um, a instabilidade não cessou. O motivo era simples: a palavra final não era da comissão, mas do plenário. E, na política, enquanto a decisão não é consumada, o risco nunca deixa de existir.
Nos bastidores do Legislativo, o entendimento já vinha se consolidando. A maioria dos vereadores tendia a seguir o parecer da CP, especialmente após a retratação da suposta vítima no caso de violência doméstica, elemento central para o pedido de arquivamento. Ainda assim, havia a avaliação de que alguma resposta institucional precisaria ser dada — não mais no campo da cassação, mas no âmbito do Código de Ética da Casa.
Pesavam, sobretudo, os episódios da confusão com um motorista de ônibus e, principalmente, o tratamento dado por Otto a Guardas Municipais, episódio filmado e amplamente divulgado. Por isso, o caso corria em paralelo na Corregedoria, mesmo com o esvaziamento da CP. A leitura interna era clara: não havia mais ambiente para cassar, mas havia espaço para punição administrativa.
Fontes da coluna indicavam que a sanção estava praticamente definida: suspensão do mandato sem remuneração. A única dúvida era a dosimetria — 30 ou 60 dias. O roteiro parecia escrito. Até que a Justiça entrou em cena e rasgou o script.
Nesta semana, vieram à tona todas as decisões judiciais relacionadas aos episódios que também estavam sob análise da Corregedoria. E todas favoráveis ao vereador. No caso da suposta violência doméstica, o Ministério Público de São Paulo pediu o arquivamento do inquérito, após a retratação da mulher que havia feito a denúncia, afirmando não ter havido agressão física e manifestando desinteresse em prosseguir com o processo.
O MP destacou ainda a inexistência de provas independentes, como testemunhas ou laudos, que sustentassem a continuidade da investigação. A Justiça concordou e determinou o encerramento do inquérito, deixando claro que não se trata de absolvição de mérito, mas de encerramento por ausência de elementos. O caso só poderá ser reaberto se surgirem novas provas.
Os outros dois episódios seguiram o mesmo desfecho. A ocorrência envolvendo um motorista de ônibus foi arquivada após a suposta vítima optar por não apresentar queixa dentro do prazo legal. O caso do bar, envolvendo Guardas Municipais, teve idêntico destino: o prazo processual expirou, o MP pediu o arquivamento e a Justiça homologou.
Nas redes sociais, Otto reagiu de forma direta, afirmando que as decisões confirmam sua inocência e agradecendo o apoio recebido. É a narrativa política natural de quem sobreviveu a uma tempestade.
O efeito prático dessas decisões é imediato no campo político. Muda completamente o ambiente na Câmara de Campinas. Se antes havia consenso para uma punição administrativa “intermediária”, agora esse caminho se estreita consideravelmente. Com todos os processos criminais arquivados, a defesa sustenta que não há base jurídica ou política para qualquer sanção interna.
A Câmara volta do recesso na próxima segunda-feira, dia 2, com o caso como primeiro item da pauta. A recomendação de arquivamento da CP precisará ser votada em plenário. E, neste novo contexto, tudo indica que a maré virou de vez a favor do vereador.
O episódio expõe, mais uma vez, a delicada fronteira entre Justiça e política. O que parecia caminhar para um desfecho disciplinar agora ganha contornos de encerramento completo, inclusive no plano político. A Câmara terá de decidir se insiste em um gesto simbólico ou se acompanha o entendimento consolidado fora dela.
Ao que tudo indica, o roteiro final será de arquivamento pleno. Não por complacência, mas porque a base jurídica que sustentava qualquer punição se dissolveu. Otto Alejandro sai desse processo politicamente marcado, é verdade, mas deve ficar institucionalmente preservado.
A cidade de Santo Antonio de Posse, na Região Metropolitana de Campinas, vive um momento de consolidação econômica, com indicadores acima da média estadual, mas ainda enfrenta desafios importantes na distribuição de renda e na qualidade dos empregos. Com pouco menos de 25 mil habitantes, o município tem PIB per capita elevado, puxado principalmente pelos setores de serviços, indústria e agropecuária.
À frente da Prefeitura no mandato 2025–2028, o prefeito Ricardo Cortez, do MDB, explicou ao Jornal da Manhã Regional da Rádio Jovem Pan Campinas quais são as estratégias adotadas para transformar esse desempenho econômico em mais oportunidades e renda para a população.
Segundo ele, o foco da gestão está na geração de empregos e na atração de novos investimentos. “Como que a gente melhora a renda? A gente melhora a renda é criando oportunidades, é melhorando na geração de emprego, trazendo novas empresas, trazendo dinheiro pro município”, afirmou.
O prefeito destacou que, desde o início do mandato, adotou uma postura ativa na busca por investimentos. “Eu sabia que eu tinha que sair da cadeira, não ficar sentado na cadeira do prefeito. E o que que eu fiz? Eu fui visitar as câmaras de comércio com os outros países”, disse.
Segundo ele, a política de incentivo fiscal também tem papel central nesse processo. “Nós fizemos uma lei de incentivo fiscal que acelera com que Santo Antônio de Posse passe a ser uma das melhores opções pra implantação de empresas.”
Além dos indicadores econômicos, Santo Antônio de Posse tem se destacado na área ambiental. O município avançou no ranking do Programa Município VerdeAzul e alcançou a melhor pontuação de sua história. Para o prefeito, desenvolvimento econômico e sustentabilidade caminham juntos. Ricardo Cortez reforçou que a meta agora é manter e ampliar esse avanço. “O que que a gente vai fazer esse ano? Continuar buscando a sustentabilidade diária. Sustentabilidade seguia a qualidade de vida e é isso que eu quero levar pro meu povo.”
Outro desafio recente enfrentado pela administração foi a necessidade de adotar medidas de uso consciente da água, diante da estiagem que afetou a região. O prefeito reconheceu que o problema é histórico no município. “A Posse tem no seu histórico sempre teve problema de água, principalmente de quantidade e também tem dificuldade na sua qualidade. A estrutura é muito precária”, afirmou.
Ele detalhou ações já iniciadas pela Prefeitura. “Nós fizemos a telemetria, a questão das unidades. Nós fizemos, estamos com uma obra em andamento que é uso do resíduo do tratamento dos filtros. Isso vai fazer com que recupere em torno de uns 20, 30% de toda água tratada.”
O prefeito também comentou a dificuldade em obter a outorga para uso da água do Rio Camanducaia. “Num primeiro estudo, nós não teremos a outorga. Então, se eu apertar, houver uma seca muito grande, eu não vou ter a opção de buscar água lá no Camanducaia para me socorrer.”