2026 não será apenas mais um ano eleitoral. Será um teste de fôlego, memória e sobrevivência política. Com eleições gerais em outubro, Campinas entra no radar como um território disputado, onde quem já tem mandato luta para permanecer e quem ficou pelo caminho tenta uma segunda chance. É um jogo duro, sem margem para erro, e com eleitores menos tolerantes do que em outros ciclos.
No campo federal, quatro nomes conhecidos partem para a defesa de território: Jonas Donizette (PSB), Carlos Sampaio (PSD), Paulo Freire (PL) e Bruno Ganem (Podemos). Mas dois deles concentram o foco principal — não apenas pelo histórico, mas pelo momento político.
Jonas Donizette tenta o terceiro mandato na Câmara Federal. Ex-prefeito de Campinas e uma das principais forças políticas regionais das últimas décadas, teve votação suficiente em 2022, mas bem abaixo do que já representou no passado, a ponto de provocar calafrios em sua campanha. Agora, busca reafirmação política, após um mandato em que atuou na base do governo Lula, escolha que fortaleceu sua inserção institucional, mas também afastou setores do eleitorado mais conservador.
A estratégia do PSB passa por dobradinha regional: Jonas para deputado federal e seu fiel escudeiro Wanderley de Almeida, atual vice-prefeito, para deputado estadual. É uma aposta de reconstrução de musculatura, tentando recuperar espaço e reforçar o grupo política no jogo estadual e nacional, de olho em 2028.
Já Carlos Sampaio enfrenta talvez o maior teste de sua longa carreira. Em busca do sétimo mandato consecutivo, Carlão trocou o PSDB em naufrágio pelo PSD de Gilberto Kassab, no início de 2024. A mudança foi pragmática, quase inevitável, mas não garante automaticamente votos. Em 2022, Sampaio se elegeu, mas muito distante dos tempos em que figurava entre os mais votados do estado. Agora, a pergunta é direta: o PSD salvará o mandato ou apenas prolongará a travessia?
Na Assembleia Legislativa, Campinas também entra em campo com nomes conhecidos. Rafa Zimbaldi (União Brasil), Valéria Bolsonaro (PL) e Gilmaci Santos (Republicanos) devem buscar a reeleição. Mas quero analisar a situação de Rafa.
No segundo mandato, Zimbaldi saiu profundamente fragilizado de 2024, após uma decepcionante campanha à Prefeitura de Campinas, em que obteve apenas 7,99% dos votos. O resultado derreteu capital político, enfraqueceu alianças e abriu fissuras. Em 2025, o quadro piorou: a relação com o Cidadania se tornou insustentável, especialmente após Rafa assumir o comando municipal do União Brasil. Era apenas questão de tempo para a migração. Porém, o episódio foi explorado por adversários internos — com protagonismo do vereador Vini Oliveira — e culminou em sua expulsão sumária. Resta saber como o eleitor reagirá a esse acúmulo de desgaste.
Mas o jogo não se resume aos que defendem mandato. Há fila de quem quer chegar. Vini Oliveira, agora fortalecido no Cidadania, e Nelson Hossri (PSD) entram como apostas no campo da direita e do Bolsonarismo.
Pela esquerda, o tabuleiro é igualmente complexo. Pedro Tourinho (PT), segundo colocado na eleição para prefeito de Campinas, troca a tentativa federal pela disputa estadual. Em 2022, ficou muito perto da Câmara Federal. Agora, busca converter a visibilidade municipal em mandato na Assembleia.
Mas o caminho não será livre. Mariana Conti, a vereadora mais votada nas duas últimas eleições em Campinas, entra na disputa com capital simbólico elevado. Sua participação na Flotilha Humanitária em direção à Gaza, no ano passado — episódio que resultou em detenção e deportação — projetou seu nome nacionalmente e ampliou sua força política junto a setores da esquerda e do ativismo internacional.
O cenário está dado: ninguém entra em 2026 para brincar. Há carreiras em risco, projetos em reconstrução e apostas que podem definir o futuro político de Campinas. O eleitor, muito menos paciente, será o fiel da balança.
E, como sempre, nem todos os que entram no jogo sairão dele do mesmo jeito.
Divulgação/Prefeitura de Hortolândia
A Prefeitura de Hortolândia anunciou que vai iniciar o pagamento retroativo de benefícios funcionais suspensos durante a pandemia da Covid-19, como quinquênios, licença-prêmio e mecanismos equivalentes. A medida será adotada com base na Lei Complementar nº 226, sancionada em 12 de janeiro de 2026 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e entra em vigor já na folha salarial do dia 30 de janeiro.
Segundo a administração municipal, Hortolândia se antecipa à maioria dos municípios do país e será a primeira da Região Metropolitana de Campinas a regulamentar e executar os pagamentos referentes ao período entre 28 de maio de 2020 e 31 de dezembro de 2021, quando os direitos foram suspensos em razão do estado de calamidade pública.
O anúncio foi feito durante reunião realizada no Paço Municipal, com a presença de representantes do Sindicato dos Servidores Públicos de Hortolândia e da Secretaria de Administração e Gestão de Pessoal. De acordo com a prefeitura, o impacto financeiro inicial da medida é estimado em aproximadamente R$ 232 mil, valor que poderá ser ajustado conforme a análise individual da vida funcional de cada servidor.
A Secretaria de Administração informou que os setores técnicos já iniciaram o levantamento dos dados funcionais para identificar quem tem direito aos valores retroativos e efetuar os lançamentos de forma escalonada, respeitando os critérios legais e orçamentários.
A lei federal autoriza os entes públicos a reconhecerem o tempo de serviço que havia sido congelado durante a pandemia, permitindo a recomposição dos direitos funcionais sem necessidade de nova legislação municipal específica, desde que haja previsão orçamentária.
A vereadora Fernanda Souto (PSOL) protocolou uma Indicação na Câmara Municipal solicitando que a Prefeitura de Campinas adote providências para cumprir a Lei Complementar nº 226, de 12 de janeiro de 2026, que autoriza a recomposição de direitos funcionais de servidores públicos suspensos durante a pandemia da Covid-19.
O pedido é direcionado ao prefeito Dário Saadi (Republicanos) e trata da recomposição do tempo de serviço que ficou congelado entre maio de 2020 e dezembro de 2021. Segundo a parlamentar, a interrupção da contagem funcional por 583 dias impactou diretamente benefícios vinculados ao tempo de serviço, como quinquênios, sexta-parte, licenças-prêmio e vantagens equivalentes.
Na justificativa apresentada, a vereadora argumenta que a legislação federal busca corrigir uma distorção enfrentada por servidores públicos em todo o país, que permaneceram em atividade durante o período mais crítico da crise sanitária. A norma autoriza estados e municípios a reconhecerem o tempo de serviço suspenso, possibilitando o pagamento retroativo dos direitos correspondentes, desde que haja decisão administrativa nesse sentido.
A Indicação não impõe obrigação imediata ao Executivo, mas funciona como instrumento legislativo para sugerir a adoção das medidas previstas em lei. O documento agora segue para análise da Prefeitura, que poderá avaliar a viabilidade administrativa, jurídica e orçamentária da aplicação da norma em âmbito municipal.