TRÂNSITO

Mortes caem 69% em cinco anos na John Boyd Dunlop

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/PMC
Óbitos caíram de 13 para quatro entre 2021 e 2025; cruzamento com a Mário Scolari deixou o topo do ranking de pontos críticos.
Óbitos caíram de 13 para quatro entre 2021 e 2025; cruzamento com a Mário Scolari deixou o topo do ranking de pontos críticos.

A Avenida John Boyd Dunlop, uma das principais e mais movimentadas vias de Campinas, registrou uma queda de 69% nas mortes no trânsito em cinco anos. O número de óbitos passou de 13, em 2021, para quatro em 2025. Outro indicador acompanha a melhora: o cruzamento com a Avenida Mário Scolari, que chegou a liderar o ranking dos pontos mais críticos da cidade, aparece agora na oitava posição.

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Os dados fazem parte de levantamento da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) e mostram uma redução também quando se compara o período anterior a 2023 com os anos seguintes. A média de acidentes fatais na avenida caiu de 2,4 para 1,7 por trimestre, redução de 29%.

Na comparação mais recente, entre 2024 e 2025, o número de mortes caiu de sete para quatro, retração de 43%.

Apesar da queda, a John Boyd Dunlop ainda permanece entre os corredores que mais concentram mortes no trânsito de Campinas. Os quatro óbitos registrados em 2025 representaram 5,4% das 74 mortes ocorridas em vias urbanas da cidade naquele ano.

Em 2026, até julho, foram registradas duas mortes na avenida, envolvendo um motociclista e um pedestre. No mesmo período, Campinas contabilizou 26 mortes no trânsito urbano.

A JBD é a avenida mais extensa da cidade, com cerca de 12,4 quilômetros em cada sentido, e recebe aproximadamente 62 mil veículos por dia.

Cruzamento deixa liderança do ranking

Uma das mudanças mais significativas ocorreu no encontro da John Boyd Dunlop com a Avenida Mário Scolari. Durante anos, o cruzamento permaneceu no topo do ranking dos 50 pontos mais críticos do trânsito campineiro.

Considerando os dados entre 2023 e julho de 2026, o local caiu para a oitava colocação.

No segundo semestre de 2023, o cruzamento recebeu alterações na geometria das pistas, sinalização e circulação de veículos. As intervenções foram desenvolvidas a partir de estudos da Emdec e da Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global, com o objetivo de reduzir velocidades nas conversões, diminuir riscos de colisão e encurtar as travessias de pedestres.

Depois das mudanças, a média de acidentes passou de sete para 5,7 por trimestre, uma redução de 18,5%. O índice utilizado para medir a gravidade das ocorrências também caiu 18,6%.

Entre janeiro de 2018 e junho de 2026, o cruzamento acumulou 226 acidentes, sendo 113 sem vítimas, 104 com feridos, oito atropelamentos e um acidente fatal.

Radares e fiscalização

A Prefeitura atribui a redução dos indicadores a uma combinação de mudanças viárias, fiscalização eletrônica, operações contra comportamentos de risco e campanhas educativas.

Atualmente, o eixo da John Boyd Dunlop possui 30 equipamentos de fiscalização eletrônica. São 23 pontos capazes de fiscalizar velocidade, avanço de sinal e parada sobre a faixa de pedestres, além de sete equipamentos voltados ao controle da velocidade máxima, estabelecida em 50 km/h.

A avenida também recebeu parte do programa de remanejamento de radares adotado pela Emdec. Dos 12 equipamentos transferidos para novos pontos entre 2024 e 2026, quatro foram instalados diretamente na JBD e outro em seu eixo, priorizando locais de travessia de pedestres e circulação de usuários do transporte coletivo.

Outros dois pontos da avenida passarão a receber fiscalização eletrônica a partir de 15 de setembro. Há ainda videomonitoramento próximo à Estação BRT Ipaussurama.

A fiscalização inclui também operações presenciais. Segundo a Emdec, foram realizadas 156 blitze integradas em Campinas em 2026, algumas delas na John Boyd Dunlop, com foco em comportamentos de risco e condução sob efeito de álcool.

Avenida ainda lidera autuações

A redução das mortes contrasta com outro dado: a John Boyd Dunlop continua sendo a via de Campinas com maior volume de infrações relacionadas a comportamentos de risco.

Entre janeiro e agosto de 2026, Campinas registrou cerca de 582,1 mil autuações, das quais 94,8 mil ocorreram na JBD. O volume representa 16,3% de todas as autuações da cidade no período.

O cenário foi semelhante em 2025. Naquele ano, a avenida respondeu por mais de 16% das 799.016 penalidades expedidas em Campinas, com 132.961 registros.

Os números mostram, portanto, duas faces da principal ligação entre as regiões Oeste e Central da cidade: a mortalidade caiu de maneira expressiva nos últimos anos, mas a avenida continua concentrando uma parcela elevada das condutas de risco no trânsito campineiro.

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