A polêmica envolvendo o corte de árvores na Praça do Coco, em Barão Geraldo, ganhou um novo capítulo com a divulgação de laudos técnicos em sentidos opostos. De um lado, a Prefeitura de Campinas apresentou um parecer externo da Esalq-USP que reforça a necessidade da extração de duas árvores de grande porte. De outro, o Conselho Municipal do Meio Ambiente (Comdema) divulgou uma análise que contesta a intervenção e aponta falhas graves no processo.
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A divergência transformou o episódio em uma espécie de guerra de laudos sobre a real condição das árvores e sobre a forma como a ação foi conduzida. A Praça do Coco é um dos espaços mais simbólicos de Barão Geraldo, conhecida como ponto de encontro, lazer, cultura e convivência comunitária.
O parecer solicitado pela Prefeitura foi assinado pelo professor Demóstenes Ferreira da Silva Filho, da área de Silvicultura Urbana do Departamento de Ciências Florestais da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, da Universidade de São Paulo. A análise avaliou os laudos municipais referentes a duas árvores da espécie Ficus benjamina, extraídas na semana passada.
Segundo o documento apresentado pela administração municipal, as árvores estavam em “péssimo estado geral” e representavam risco contínuo aos frequentadores da praça. O parecer cita fragilidade estrutural, comprometimento da base, sinais de biodeterioração, presença de cupins, galhos secos, instabilidade do solo e interferência com fiação elétrica.
No caso de uma das árvores, com cerca de 22 metros de altura, o documento menciona raízes afloradas e leve levantamento do solo, o que indicaria possível perda de sustentação. Em outra, de 21 metros, o risco estaria associado também à proximidade com a rede elétrica.
A Prefeitura sustenta que a extração ocorreu apenas após avaliações técnicas e afirma que tem responsabilidade civil e criminal por eventuais danos causados por árvores em situação de risco. O secretário de Serviços Públicos, Ernesto Paulella, disse que a consulta a uma instituição externa teve o objetivo de afastar dúvidas sobre a decisão.
“A Esalq-USP é uma instituição reconhecida pela sua seriedade e rigor nos assuntos referentes ao meio ambiente. O parecer ratifica o laudo feito por nós e aponta que tomamos a decisão correta para preservar a segurança e integridade das pessoas.”
A administração também informou que serão plantados dois jequitibás-rosa adultos no lugar das árvores retiradas e destacou que, desde 2021, foram plantadas 965 árvores no distrito de Barão Geraldo.
Laudo do Comdema aponta o contrário
O laudo do Comdema, no entanto, apresenta uma conclusão oposta. Elaborado por um grupo de especialistas e relatado pelo engenheiro florestal e agrônomo José Hamilton de Aguirre Júnior, o documento do qual o Portal Sampi Campinas teve acesso afirma que as intervenções na Praça do Coco incluíram “supressão e podas consideradas tecnicamente injustificadas”.
Segundo a análise do conselho, parte do conjunto arbóreo afetado estava saudável e não apresentava riscos que justificassem remoção ou intervenções drásticas. O documento também questiona a transparência dos critérios adotados, aponta possíveis danos ambientais e menciona prejuízos ao patrimônio público e ao microclima da praça.
A avaliação do Comdema ainda contesta o laudo da empresa MB Engenharia, contratada pela Prefeitura e usada como base para a execução dos serviços. O conselho recomenda medidas de compensação ambiental ampliadas, recuperação da área com participação da comunidade e cuidados específicos para preservação das árvores remanescentes.
Além de José Hamilton, assinam o documento especialistas de diferentes áreas, incluindo biólogos, engenheiros agrônomos, engenheiros florestais, pesquisadores, professoras e representantes de instituições como Unicamp, Embrapa e USP/Esalq.
A Prefeitura já havia negado, na semana passada, que tenha ocorrido falha na ação. Em nota, afirmou que o manejo seguiu critérios técnicos. A manifestação, porém, não encerrou a discussão. Ao contrário, a divulgação quase simultânea dos dois pareceres ampliou o debate público sobre a retirada das árvores e sobre os critérios usados para intervenções em áreas verdes da cidade.
Agora, a controvérsia deve seguir em discussão entre Prefeitura, Comdema, especialistas e moradores de Barão Geraldo, que reagiram com protestos e críticas nas redes sociais após os cortes na praça.
Comentários
1 Comentários
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WASHINGTON LUIS RODRIGUES 05/05/2026Enquanto eles perdem tempo cortando árvore onde não precisa, fica outros lugares que precisa, aqui na rua de casa tem uma árvore podre que não vem cortar. Caindo galhos na rua.