SAÚDE PÚBLICA

Avanço do HIV leva Campinas a expandir prevenção

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/PMC
Cidade amplia prevenção ao HIV após registrar mais de 2,5 mil diagnósticos em 11 anos; 12 centros de saúde passam a ofertar PrEP e PEP.
Cidade amplia prevenção ao HIV após registrar mais de 2,5 mil diagnósticos em 11 anos; 12 centros de saúde passam a ofertar PrEP e PEP.

Campinas inicia nesta segunda-feira (1º) a maior expansão já realizada na rede municipal de prevenção ao HIV, motivada pelos números divulgados pela Secretaria de Saúde. Entre 2013 e 2024, 2.594 pessoas receberam diagnóstico de infecção pelo vírus, uma média anual de 216 casos — indicador que mantém a cidade em constante alerta.

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O cenário epidemiológico ganha contornos ainda mais relevantes quando observados os recortes recentes. Em 2023, foram 226 diagnósticos, e em 2024, 203 registros, mostrando que a transmissão segue ativa, especialmente entre homens jovens. Somente no ano passado, 170 homens foram diagnosticados, contra 33 mulheres. A faixa etária entre 20 e 29 anos concentra a maior parte dos casos tanto no público masculino quanto no feminino.

Diante desse panorama, a Secretaria de Saúde decidiu ampliar a oferta de PrEP e PEP, métodos considerados essenciais na redução do risco de transmissão. Os dois serviços passam a funcionar também em 12 centros de saúde, distribuídos por todos os distritos da cidade. Cinco deles atenderão aos sábados.

A medida busca aproximar o tratamento das populações mais vulneráveis e reduzir o tempo de acesso aos métodos. Até então, a PrEP e a PEP eram oferecidas apenas no Centro de Referência em IST/HIV e no CS Santos Dumont.

Rede ampliada

Os novos locais habilitados a partir desta segunda são:

Leste: Taquaral e São Quirino (sábado)
Noroeste: Floresta e Ipaussurama
Norte: Aurélia (sábado) e Barão Geraldo
Sudoeste: Aeroporto e Santa Lúcia (sábado)
Sul: São José e Campo Belo
Sudeste: Orosimbo Maia e Vila Ipê (sábado)

Os endereços completos estão disponíveis no site da Secretaria de Saúde.

Números que motivam a mudança

Campinas foi uma das primeiras cidades do país a implantar a PrEP pelo SUS, em 2018, e hoje ocupa a 8ª posição nacional em número de usuários. Desde então:

  • 3.509 pessoas iniciaram a PrEP;
  • 2.194 seguem em acompanhamento ativo;
  • A cidade mantém uma das menores taxas de descontinuidade do país.

Já a PEP registrou 2.241 dispensações entre janeiro e 30 de outubro de 2025:

  • 75% após exposição sexual consentida;
  • 20% após contato com material biológico;
  • 5% em casos de violência sexual.

O Hospital Mário Gatti continuará oferecendo PEP nos horários em que os demais serviços não funcionam.

Para o coordenador do Programa Municipal de IST/HIV e Hepatites Virais, Josué Lima, a descentralização deve ter impacto direto nos indicadores: “A expansão da PrEP para os centros de saúde amplia o acesso principalmente para as populações mais vulneráveis”, afirmou.

Perfil da epidemia em Campinas

Os dados mostram concentração dos casos entre jovens:

Masculino – 2023

  • 20 a 29 anos: 82 casos
  • 30 a 39 anos: 48 casos

Masculino – 2024

  • 20 a 29 anos: 72 casos
  • 30 a 39 anos: 50 casos

Feminino – 2023

  • 20 a 29 anos: 20 casos

Feminino – 2024

  • 30 a 39 anos: 13 casos

O acúmulo entre homens é marcante: de 2013 a 2024, 2.087 diagnósticos masculinos, contra 507 femininos.

A Secretaria reforça que pessoas que vivem com HIV e mantêm a carga viral indetectável há pelo menos seis meses não transmitem o vírus por via sexual, informação considerada estratégica para reduzir estigma e fortalecer adesão ao tratamento.

Métodos de proteção

  • PrEP: comprimido diário que bloqueia a infecção
  • PEP: esquema emergencial que deve ser iniciado em até 72 horas
  • Preservativos
  • Testagem e tratamento contínuo

Embora tenha avançado na oferta de serviços e tecnologia, a cidade ainda convive com oscilações nos índices de infecção, especialmente entre jovens adultos. A aposta da Secretaria é que a aproximação dos serviços das regiões mais populosas e vulneráveis contribua para reduzir diagnósticos tardios, interromper cadeias de transmissão e evitar casos de aids, estágio avançado da infecção.

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