O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) usou as redes sociais nesta semana para criticar duramente a decisão da Unicamp de adotar cotas para pessoas trans, travestis e não-binárias em seus cursos de graduação. Em vídeo publicado em suas plataformas, o parlamentar classificou a medida como "privilégio" e anunciou a apresentação de um projeto de lei para impedir políticas de cotas identitárias em universidades públicas, além de uma ação judicial contra medida semelhante adotada pela UnB.
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“Ao invés de fazer cotas sociais, que têm sentido por considerarem as desigualdades econômicas, estão criando cotas baseadas em como a pessoa se sente. Isso não dá direitos, dá privilégios”, afirmou. Para ele, a medida impõe uma diferenciação injustificada. “O que a sua sexualidade se difere do outro em termos de capacidade?”, questionou.
A decisão da Unicamp foi aprovada por unanimidade no Conselho Universitário (Consu) nesta terça-feira (1º). O modelo estabelece reserva de vagas para pessoas trans, travestis e não-binárias, aplicável por meio do Edital Enem-Unicamp. Cursos com até 30 vagas devem oferecer pelo menos uma destinada a esse público; já os com mais de 30 vagas, duas. Parte das vagas também seguirá os critérios das cotas raciais para pretos, pardos e indígenas.
Nikolas ironizou a decisão da universidade, incentivando que “se você é branco, hétero e pobre, diga que é trans ou não-binário” para se beneficiar da menor concorrência, segundo ele. O parlamentar ainda criticou projetos de lei e políticas do governo federal que também envolvem inclusão de pessoas trans em concursos e contratações públicas.
“Eles não estão conquistando direitos, estão limpando privilégios na tora”, disse. O deputado também condenou outras iniciativas voltadas à população LGBTQIA+, como a exigência do uso do nome social. “Agora o pai é obrigado a chamar uma pessoa pelo nome social. Caso contrário, é transfóbico, e transfobia é crime”, declarou.

A Unicamp, por sua vez, defende que a política segue normativas internacionais e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), buscando corrigir desigualdades históricas no acesso ao ensino superior. A seleção envolverá autodeclaração e relato de vida submetido à análise de comissão. A universidade informou que fará uma avaliação da política cinco anos após sua implementação.
No Vestibular 2025, 279 candidatos se inscreveram com uso de nome social, segundo a Comvest, e 40 foram convocados. Os cursos mais procurados por esse grupo foram Artes Visuais, Ciências Biológicas e Medicina.
Nikolas finalizou seu vídeo afirmando que seu posicionamento não é contra a comunidade LGBTQIA+, mas sim contra o que chama de “militância identitária”. “As soluções para o Brasil precisam ser daltônicas. O governante tem que fazer o melhor pra população sem ver se ela é homossexual, hétero, negro ou branco. E isso aqui não é fazer o melhor. É fazer as pessoas de trouxa”, concluiu.