13 de outubro de 2026
ALTO RISCO

Eventos de massa colocam América do Sul em alerta para o sarampo

da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
Arquivo/Agência Brasil
Estima-se que aproximadamente 1,6 milhão de crianças não tenha recebido nenhuma dose da vacina contra o sarampo nas Américas em 2025

Diante da realização de diversos eventos religiosos de massa na América do Sul, que devem aumentar a circulação de pessoas em viagens nacionais e internacionais nos próximos meses, a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) alerta para o alto risco de disseminação do sarampo na região.

A organização convoca países a intensificarem vacinação, vigilância e medidas de resposta rápida.

O aviso consta de nova avaliação regional de risco da Opas, publicada na última sexta (9) em um contexto de surtos em curso, lacunas persistentes na cobertura vacinal e detecção de casos de sarampo em novas áreas geográficas.

O diretor da Opas, Jarbas Barbosa, ressalta que o sarampo é altamente contagioso e chama a atenção para as consequências baixa cobertura vacinal nas Américas. Ele pede que as famílias vacinem seus filhos com a tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba).

As recomendações aos países incluem fortalecer a vigilância e garantir que possam detectar e responder rapidamente aos casos, em especial nos momentos em que o aumento das viagens e dos eventos de massa cria mais oportunidades para a disseminação do vírus.

De 4 de janeiro a 3 de outubro, segundo a Opas, foram registrados 55.792 casos confirmados de sarampo e 77 mortes em 17 países e territórios da região -um aumento de 4,8 vezes no total de casos em comparação com o mesmo período de 2025.

A Guatemala registrou o maior número de casos, seguida por México, Estados Unidos, Peru e Canadá. Juntos, esses cinco países concentraram 99,5% dos casos confirmados. Também há casos na Argentina, Belize, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Honduras, Panamá e Uruguai.

As ocorrências de sarampo também aumentaram globalmente em 2026, o que eleva a probabilidade de casos importados associados a viagens internacionais e de transmissão subsequente em comunidades com baixa imunidade. A avaliação de risco da Opas identificou o ressurgimento global da doença como um fator que aumenta a probabilidade de registros importados.

Risco

O sarampo é altamente contagioso e pode se espalhar de forma rápida quando introduzido em populações com baixa imunidade, especialmente em locais com grande concentração de pessoas.

Indivíduos com sarampo podem transmitir o vírus antes do aparecimento da erupção cutânea característica, de modo que viajantes infectados expõem outras pessoas sem saber. Eventos de massa e o deslocamento entre países e comunidades facilitam a importação e a disseminação do vírus.

Daniel Salas, gerente executivo do Programa Especial de Imunização Integral da Opas, afirma que quem pretende participar de um evento de massa deve verificar se está protegido contra o sarampo, mesmo aqueles que viajam dentro do próprio país.

Ele acrescenta que pessoas (a partir de 6 meses de idade) que não tenham comprovação de vacinação precisam receber uma dose da vacina contra o sarampo antes de viajar ou participar de eventos, de preferência pelo menos duas semanas antes.

Vacinação

Em 2025, a cobertura regional alcançou 88% para a primeira dose da vacina tríplice viral e 85% para a segunda dose, abaixo dos 95% necessários para prevenir surtos. A persistência de coberturas insuficientes aumentou o número de pessoas suscetíveis ao sarampo.

Essas lacunas decorrem de diversos fatores, entre eles os atrasos na imunização acumulados durante a pandemia de Covid, hesitação vacinal em algumas comunidades, dificuldades operacionais para vacinar oportunamente e barreiras de acesso aos serviços de saúde, que afetam especialmente povos indígenas, migrantes e populações deslocadas.

Estima-se que aproximadamente 1,6 milhão de crianças não tenha recebido nenhuma dose da vacina contra o sarampo nas Américas em 2025.

O sarampo pode causar complicações em qualquer idade, sendo que lactentes e adultos apresentam maior risco de desenvolver formas graves da doença e de morrer.

Crianças menores de cinco anos e populações em situação de vulnerabilidade foram afetadas de forma desproporcional durante os surtos recentes na região.

Fatores como má nutrição e barreiras ao acesso oportuno aos serviços de saúde podem aumentar o risco de complicações e desfechos fatais.

Diante da persistência de surtos ativos e da proximidade de eventos de massa, a Opas conclama os países a aproveitarem todas as oportunidades para facilitar o acesso à vacinação das pessoas que não estão protegidas contra o sarampo, ao mesmo tempo em que fortaleçam a vigilância e mantenham a capacidade de detectar e responder rapidamente aos casos.