Estão abertas as inscrições para o curso ATHIS em foco: transformações em territórios e vivências em Bauru. Voltada a profissionais e estudantes de Arquitetura e Urbanismo, da gestão pública e de organizações da sociedade civil, a formação busca ampliar conhecimentos teóricos e práticos sobre projetos de Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social (ATHIS), buscando um diálogo com as comunidades e a compreensão das especificidades de cada território. As inscrições, gratuitas, podem ser realizadas neste link: https://tr.ee/vIw5pU
As atividades serão realizadas presencialmente de 17 de outubro a 14 de novembro. Acesse aqui o quadro com as datas, horários e locais das aulas: https://tr.ee/5DK2vJ
Mesmo que o curso já tenha iniciado, ainda é possível ingressar na formação e aproveitar as atividades restantes, desde que o participante cumpra a carga horária mínima de 30 horas exigida para receber o certificado. A capacitação, que acontece simultaneamente em outras nove cidades do Estado de São Paulo, é uma iniciativa do projeto ATHIS em Rede: fortalecendo a moradia digna no Sul Global, parceria entre o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP), o ONU-Habitat e a Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE).
Ao final do programa, espera-se que os participantes sejam capazes de: interpretar criticamente os territórios; analisar e propor soluções interdisciplinares para as condições habitacionais; planejar e gerenciar os aspectos técnicos, financeiros, estéticos, funcionais, ambientais e de sustentabilidade das intervenções nesses territórios; além de aprofundar seus conhecimentos teóricos e práticos sobre ATHIS.
Diagnóstico e desafios locais
A estrutura do curso foi desenvolvida a partir dos resultados de um diagnóstico realizado no primeiro semestre, que envolveu visitas a 20 cidades do Estado de São Paulo, incluindo Bauru e região. O trabalho buscou compreender as capacidades, experiências, demandas e desafios relacionados à Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social (ATHIS), a partir do diálogo com prefeituras, profissionais de Arquitetura e Urbanismo e organizações da sociedade civil.
“Procuramos entender o que já existia em cada região e estava funcionando, além de identificar lacunas de conhecimento, dificuldades e desafios”, explica o coordenador do projeto ATHIS em Rede pelo ONU-Habitat, Nilcio Regueira Dias.
Além das informações coletadas em campo, o trabalho envolveu a pesquisa e a análise de dados sobre déficit e necessidades habitacionais, bem como o mapeamento de práticas, especialistas e experiências relacionadas à ATHIS. “Tudo isso permitiu elaborar uma estrutura pedagógica adaptada às necessidades e às realidades de cada região. Também permitiu identificar e aproximar pessoas e instituições que já atuam com ATHIS, contribuindo para a formação de uma rede ativa de agentes”, ressalta Nilcio.
Profissionais, poder público e sociedade civil
A definição dos três públicos-alvo do curso parte da compreensão de que o fortalecimento da ATHIS depende da articulação entre profissionais, poder público e sociedade civil organizada.
Os profissionais e estudantes de Arquitetura e Urbanismo constituem um público estratégico por sua formação e capacidade de atuação direta nos territórios. “É fundamental aprimorar as capacidades desses profissionais e fortalecer a ATHIS como campo de atuação. Trata-se de um passo importante para consolidar essa política, o que é uma prioridade para o Conselho”, afirma a presidente do CAU/SP, Camila Moreno de Camargo.
Segundo ela, a atuação nessa área ainda enfrenta desafios, como a falta de oportunidades nas instituições, a baixa valorização da assistência técnica em comparação com o mercado imobiliário e a ausência de mecanismos estruturados de contratação pública.
Nesse sentido, gestores públicos e organizações da sociedade civil também são públicos estratégicos. “A proposta é ampliar as capacidades institucionais, favorecer a incorporação da assistência técnica às agendas e aos orçamentos municipais e contribuir para a continuidade e a ampliação das ações como política pública permanente”, completa.