23 de setembro de 2026
REVIRAVOLTA

Motorista vai à polícia pela 3ª vez e não é preso em Birigui

Por Guilherme Renan | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Guilherme Renan | Folha da Região
Motorista envolvido na morte de Guilherme Correa Lima deixou delegacia em Birigui; defesa afirma que ele se apresentou três vezes à polícia

O motorista de 35 anos envolvido no atropelamento que matou Guilherme Correa Lima, de 1 ano e 8 meses, deixou o 1º Distrito Policial de Birigui nesta terça-feira (22), após uma controvérsia envolvendo uma ordem de prisão e o prazo para cumprimento da medida.

Segundo os advogados César Franzói, Isabela Fioroto e Maycon Mazziero, que representam o motorista, durante a conferência da documentação foi constatado que o prazo indicado para cumprimento da ordem judicial havia terminado no domingo (20).

Diante disso, conforme a defesa, o motorista não permaneceu preso e deixou a delegacia acompanhado dos advogados.

O pedido de prisão foi feito pelo delegado plantonista que registrou a ocorrência, sob o argumento de que o motorista havia deixado o local após o atropelamento. 

Os advogados afirmam que, nesta terça-feira, ao ser verificada a ordem judicial, constatou-se que o mandado tinha 20 de setembro como data-limite para cumprimento e, por isso, não poderia mais ser executado.

A Folha da Região busca confirmar com a Polícia Civil e o Tribunal de Justiça a modalidade da prisão decretada e as circunstâncias que levaram à fixação desse prazo.

Defesa diz que motorista se apresentou três vezes

Os advogados destacam que o motorista compareceu às autoridades em três ocasiões desde o atropelamento ocorrido no sábado (19).

A primeira apresentação ocorreu no domingo (20), no Plantão Policial de Birigui. Na ocasião, acompanhado por advogados, ele se colocou à disposição da Polícia Civil e sustentou que não havia percebido que o veículo atingira a criança. A apresentação espontânea naquele dia foi noticiada pela Folha da Região.

Na segunda-feira (21), o motorista esteve no 1º Distrito Policial, onde prestou depoimento no inquérito.

Nesta terça-feira, retornou à unidade policial acompanhado pela defesa. Foi durante esse comparecimento, segundo os advogados, que surgiu a questão envolvendo a ordem de prisão.

A defesa afirma que, caso seja novamente chamado pela Polícia Civil ou pela Justiça, o motorista continuará se apresentando às autoridades.

Pedido teria ocorrido após atropelamento

Segundo os advogados, o pedido de prisão preventiva teria sido formulado pelo delegado plantonista que atuou no caso após o atropelamento.

A defesa afirma que entre os fundamentos estaria a possibilidade de o motorista deixar a cidade ou não ser localizado. Os advogados contestam esse entendimento e argumentam que o homem posteriormente se apresentou espontaneamente às autoridades.

Até a publicação desta reportagem, a Folha da Região não havia obtido acesso à decisão judicial para verificar os fundamentos, a data de expedição e o prazo indicado no documento.

Delegado falou sobre investigação

Mais cedo nesta terça-feira, o delegado Ícaro Oliveira Borges, responsável pelo inquérito, concedeu entrevista coletiva e apresentou detalhes da investigação.

Borges afirmou que as imagens analisadas até agora apresentam indícios de que o motorista não deixou o local deliberadamente para fugir. Segundo ele, o veículo manteve o mesmo padrão de deslocamento após o atropelamento.

Motorista e passageiro declararam que não perceberam que Guilherme havia sido atingido. Eles disseram que os vidros estavam fechados e havia música no interior do veículo. O motorista negou ter consumido bebida alcoólica. A polícia ainda busca imagens e outras informações para confrontar as versões apresentadas.

Na mesma entrevista, Borges informou que a Polícia Civil também vai apurar se houve eventual omissão no dever de cuidado por parte do pai de Guilherme. Pai e mãe deverão ser chamados para prestar esclarecimentos. A apuração, neste momento, não significa responsabilização dos pais.

Atropelamento

Guilherme morreu no sábado após ser atropelado pelo Hyundai Sonata na rua Coriolano Pompeu Paes de Campos, no bairro São Genaro.

Imagens de câmeras de segurança mostram a criança saindo da residência e chegando à frente do automóvel antes de o veículo iniciar o deslocamento. As gravações fazem parte do conjunto de provas analisado pela Polícia Civil.

O caso segue investigado como homicídio culposo na direção de veículo automotor. O veículo deverá passar por perícia.

Matéria atualizada às 22h05